José Emanuel Hassen de Jesus, mais conhecido como Maneco, tem longa trajetória na política em nível estadual e federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), do qual é filiado por mais de duas décadas.
Advogado, hoje atua como secretário para Apoio à Reconstrução do RS, mas já foi Secretário de Comunicação Institucional da Presidência da República, duas vezes prefeito de Taquari e presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).
Com 34.352 votos nas eleições de 2022, Maneco ficou como terceiro suplente do PT na Assembleia Legislativa do RS. Agora, discute nova candidatura a deputado estadual.
Grupo Popular: Você se é pré-candidato a deputado estadual. Em que momento essa decisão foi tomada e qual o principal motivo?
Maneco Hassen: Na verdade, desde a eleição passada, quando faltaram apenas 1.500 votos para me eleger, continuamos o trabalho pensando na próxima oportunidade. Minha experiência em Brasília com o ministro Paulo Pimenta e o presidente Lula me trouxe muita maturidade. Agora, após atuar na linha de frente da Secretaria da Reconstrução, sinto que é o momento de colocar meu nome à disposição. O Vale do Taquari carece de representação política e a tragédia de 2024 deixou isso escancarado, com uma ausência de lideranças defendendo os interesses da região em momentos agudos.
GP: Quais são suas principais bandeiras como pré-candidato?
Maneco: Além da representação regional, quero focar na valorização da saúde regional, fortalecendo nossos hospitais para reduzir as filas e a necessidade de deslocamento para Porto Alegre. Também pretendo defender o turismo regional, que está em expansão, e a agricultura familiar, que é uma marca do nosso cooperativismo no Vale do Taquari. Estou preparado e motivado para buscar os recursos que a nossa região precisa.
GP: Como o senhor avalia a divisão entre candidatos de espectros políticos diferentes na região? Isso pode dificultar a eleição?
Maneco: Quanto mais pessoas participarem da política, melhor. Não vejo problema na divisão, me preocupa apenas quem aparece apenas na hora da eleição com discurso antipolítica. Para mim, os problemas da nossa região não têm lado: fazer creche, escola e infraestrutura não é uma questão de esquerda ou direita. O que importa é quem conhece a região e tem condições de representá-la.
GP: Falando sobre a tragédia de 2024, como evitar que o estado volte a enfrentar esse cenário e como aliar o desenvolvimento com os interesses sociais?
Maneco: É absolutamente possível com maturidade e bom senso. O governo federal tem dado o exemplo, investindo milhões em municípios da região independentemente de partido. Nunca se viu tanto investimento no Vale como nos últimos 2 anos. Precisamos de diálogo e responsabilidade para reconstruir o que foi perdido.
GP: Em relação à educação estadual, que enfrenta problemas de infraestrutura pós-enchente, qual o seu plano?
Maneco: O governo atual está fechando 8 anos sem um projeto consistente para a educação. Não houve um programa de recuperação das escolas nem de valorização dos servidores. O Rio Grande do Sul perdeu o posto de modelo para o Brasil. Minha meta é trabalhar para que tenhamos um projeto de desenvolvimento que a sociedade entenda, focado em recuperar a qualidade do ensino e a saúde, áreas onde o atual governo deixou a desejar ao focar excessivamente em privatizações.


