O Condomínio Novo Tempo I, no bairro Santo Antônio, em Lajeado, passou a sediar um projeto inédito de Economia Circular voltado ao reaproveitamento integral de alimentos. A iniciativa “Acelera ESG”, propõe transformar excedentes que seriam descartados por supermercados, fruteiras e indústrias em refeições e adubo orgânico.
O programa já apresentou resultados na Bahia, Espírito Santo e Mato Grosso e agora inicia operação no Rio Grande do Sul. A execução é da organização Acelera ESG, com apoio do Instituto BRF e parceria ambiental da empresa Recic.
Um dos marcos iniciais foi a implantação de uma unidade de compostagem dentro do condomínio, com participação direta dos moradores. “O projeto pode contribuir e muito para diversas famílias daqui. Traz conhecimento, organiza a gente e pode ajudar a todos. Torço muito e vou trabalhar para que dê certo”, afirma a moradora Ângela Maria Dias, de 59 anos.
A proposta combina logística estruturada, triagem, higienização e encaminhamento seguro dos alimentos a organizações sociais. Uma plataforma tecnológica conecta empresas doadoras a ONGs e voluntários, assegurando o aproveitamento total dos produtos. A iniciativa também prevê capacitações para moradores em boas práticas de manipulação e beneficiamento.
“A iniciativa nasceu quando percebemos que grandes volumes de frutas, verduras e legumes, que eram descartados de forma abundante por supermercados e centros de abastecimento, poderiam ser transformados em alimento seguro para famílias que enfrentam dificuldades de acesso regular à alimentação. Desde então, o projeto passou a organizar coletas, estruturar triagens comunitárias e a promover formações em boas práticas e reaproveitamento”, explica Roseana Moreira, uma das fundadoras da Acelera ESG.
“A proposta é não desperdiçar nada. O que antes iria para o lixo comum agora será selecionado e terá destinação adequada, seja na produção de novos alimentos, seja como adubo de hortas comunitárias, completando o ciclo da Economia Circular. Pode ainda, com o avançar do projeto e das oficinas, virar alternativa de renda a partir da elaboração de marmitas, doces, polpas e outros. O que antes era o fim passa a ser apenas um recomeço”, pontua ela.
Desde 2022, o Acelera ESG já recuperou mais de 182 toneladas de alimentos em outros estados, evitando a emissão de cerca de 500 toneladas de gases de efeito estufa e viabilizando mais de 350 mil refeições. Em Lajeado, a estimativa é impactar até 800 pessoas, com possibilidade de expansão para outros bairros e municípios.



