Dirlei Broenstrup: “Vivo para a luta e ela vive em mim, amo esse esporte e estou pronto para o dia 11”

Mão de Pedra encara preparação com Paulo Borrachinha e está há pouco menos de 1 mês de seu embate na Polônia.

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Dirlei tem se preparado para lutar na Polônia - Crédito: Arquivo Pessoal

O cenário das Mixed Martial Arts (Artes Marciais Mistas – MMA) é de alto rendimento, mas também de reinvenção. Em meio às palmeiras, academias de ponta e ao ritmo intenso de Newport Beach, o westfaliano e morador de Teutônia, Dirlei Broenstrup “Mão de Pedra”, vive dias agitados que o preparam para mais uma luta.

A poucos quilômetros de Los Angeles, ele integra o camp do brasileiro Paulo Costa “Borrachinha” em uma preparação simultânea para compromissos marcados no mesmo dia: 11 de abril.

De um lado, o desafio pessoal com a luta principal da Masurian Fighting Championship (MFC), diante do polonês Marek Bujło, ex-UFC e atleta da casa. Do outro, a missão de ser peça-chave na preparação de um dos principais nomes das artes marciais brasileiras na atualidade, Paulo Borrachinha.

“Foi um convite para o qual não pensei duas vezes. Meu jogo é muito parecido com o do adversário dele, então consigo ajudar bastante e, ao mesmo tempo, me preparar para a minha luta”, resume Broenstrup.

A rotina é exigente, quase em nível militar. O dia começa cedo, com um rápido café da manhã e o primeiro bloco de atividades voltado à parte física. Corridas, treinos de força, sessões de cardio e recuperação fazem parte da programação matinal. Conforme Mão de Pedra, não há espaço para o improviso.

À tarde, o foco muda completamente. Entram em cena os treinos técnicos, sparrings e, principalmente, o estudo. São sessões longas, que podem chegar a 3 horas e sempre direcionadas ao estilo dos adversários.

“Não é só treinar forte, é necessário trabalhar com inteligência. Aqui tudo é pensado, cada detalhe é corrigido e os movimentos têm um objetivo”, explica.

De acordo com Dirlei, a principal diferença em relação à rotina no Brasil está justamente nesse detalhamento das atividades. O treinamento deixa de ser apenas intensidade e passa a ser uma construção que molda os estilos táticos.

“Às vezes, treinamos mais no bruto e na luta em si. Aqui [EUA] é muito mais estratégico. Eles estudam o adversário e trabalham em cima dos erros. Isso muda completamente o decorrer da luta e, principalmente, o resultado”, indica.

Sparring de nível mundial

O convite para o camp veio justamente pela semelhança ao estilo do russo Azamat Murzakanov, adversário de Borrachinha. Dentro do octógono, isso se replica em treinos intensos, com simulações reais de momentos do combate.

“Ele me usa bastante no sparring. Quando o treino encaixa, o nível é muito alto. Trocamos ‘porradas’ fortes e sentimos os golpes, mas sempre com controle e estratégia”, relata Broenstrup.

A semelhança nos aspectos físicos de Dirlei e Azamat também contribui para o trabalho. Com isso, Broenstrup consegue reproduzir situações para ajudar Borrachinha a ajustar o jogo.

“A semelhança facilita muito. Ele consegue testar exatamente o que vai encontrar na luta. Para mim é excelente também, treino com um dos melhores do mundo”, afirma.

Se dentro do cage a intensidade é alta, fora dele a estrutura impressiona. Dirlei destaca a presença de uma equipe de especialistas, com profissionais dedicados a cada detalhe da preparação.

“Aqui tem treinador para correções técnicas, responsáveis pela recuperação física e estudo de vídeo. É um nível muito alto e isso faz muita diferença”, considera ele.

A experiência é tratada como um divisor de águas na carreira, principalmente quando ele pensa no futuro como treinador. No momento de voltar ao Brasil, a ideia é aplicar esse conhecimento no CT Mão de Pedra, em Teutônia.

“Trato tudo como uma pós-graduação. Coisas que parecem simples, mas mudam a forma de treinar e de pensar a luta. Isso vai voltar para os meus alunos, podemos elevar o nível do nosso trabalho no CT”, afirma.

Mesmo à distância, Broenstrup acompanha os resultados dos atletas da equipe, que vivem momento de crescimento em competições regionais e estaduais. “É muito gratificante ver a gurizada com destaque, as meninas no octógono e todos em evolução. Me sinto representado daqui”, comenta Dirlei.

Olho na Polônia

Enquanto contribui com o colega brasileiro, Dirlei mantém o foco em sua luta. O duelo contra Marek Bujło carrega um roteiro conhecido: lutar fora de casa, enfrentar um atleta experiente e com a torcida contra. A experiência recente na Sérvia, quando perdeu uma decisão contestada, serve como alerta.

“Quando se luta naquela região [Sérvia e Polônia], não pode deixar na mão dos juízes e eu aprendi isso. Dessa vez, vou buscar o nocaute ou a finalização. Tenho condições de nocautear ele no 1º round e é isso que quero fazer”, projeta.

A análise do adversário já está bem definida. Bujło é um lutador forte, alto e que aposta no controle físico, principalmente na grade.

“Ele faz um jogo de amarrar para provocar o desgaste. Não procura a finalização no chão, então trabalhamos a movimentação e golpes de encontro para não encaixar esse ritmo”, ressalta. Acrescenta que a estratégia é neutralizar o ponto forte do polonês e impor uma luta mais dinâmica.

Entre sacrifício e motivação

A rotina intensa deixa pouco espaço para descanso. O único dia de folga é o sábado. Ainda assim, os momentos de lazer são pontuais e divididos com o foco da preparação.

Outro desafio é o fuso horário, que dificulta o contato com a família no Brasil. “Isso pesa um pouco. Às vezes, quando posso falar, já é muito tarde, mas faz parte”, diz.

Por outro lado, atuar como peso-pesado traz benefícios. Sem o desgaste extremo do corte de peso, ele se sente mais forte e inteiro fisicamente. “Sempre sofri para bater o peso. Agora estou mais disposto”, reflete.

Aos 105 quilos e com 17 anos de carreira, ele vive um momento de maturidade dentro do esporte, com equilíbrio entre experiência e motivação.

Mesmo em uma possível reta de fim de caminhada no mundo das artes marciais, a vivência nos Estados Unidos reacende o sentimento que sempre guiou sua trajetória. “Vivo para a luta e a luta vive em mim. Eu amo esse esporte, gosto mesmo. Quando estou com treinos desse nível, dou tudo de mim e fico feliz por fazer o que gosto. Dá muita vontade de continuar por mais tempo”, confessa.

Faltam poucas semanas para o desafio na Polônia e a confiança é evidente, construída na rotina intensa, na qualidade dos treinos e na convivência com a elite do MMA mundial. “Estou pronto. Se fosse hoje, já lutava e, com certeza, daria um show”, brinca.

Entre treinos duros, estratégias e mescla de experiências, Dirlei Broenstrup transforma sua passagem pela Califórnia em uma preparação e o resumo de uma carreira construída no desafio – e que, mesmo após tantos anos, segue com evoluções a cada golpe a golpe.

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