Grupo Amigos do Sapato de Pau resgatam origem familiar em 18 árvores genealógicas em Westfália

Levantamento reúne sobrenomes, histórias e tradições ligadas à imigração alemã em Westfália

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O organizador, Lucildo Ahlert, junto ao trabalho que identificou mais de 100 sobrenomes que compõem a comunidade do município / Crédito: Thiago Maurique

O resgate das origens das famílias foi o ponto de partida de um novo trabalho desenvolvido pelo Grupo Amigos do Sapato de Pau, em Westfália. A iniciativa resultou na construção de 18 árvores genealógicas que reúnem informações sobre os antepassados dos integrantes do grupo, conectando gerações atuais aos imigrantes que chegaram à localidade, vindos da Alemanha.

O material começou a ser apresentado ao público em forma de exposição durante a Westfália em Festa, com proposta de circulação também em escolas do município.

De acordo com o organizador do material, Lucildo Ahlert, o grupo possui 20 participantes, mas duas das famílias estão interligadas, o que resultou na consolidação de 18 árvores. “Conseguimos chegar aos imigrantes que vieram da Alemanha e fazem parte das famílias do nosso grupo. Ainda não somamos todos os dados, mas são mais de 100 sobrenomes representados”, explica.

Segundo Ahlert, o conteúdo oferece um retrato significativo da formação da comunidade local e da chamada imigração Westfaliana. O levantamento também incorporou as novas gerações, incluindo crianças e netos das famílias. A proposta, conforme Ahlert, é mostrar a continuidade histórica e fortalecer o vínculo das atuais gerações com suas origens.

Além da genealogia, o grupo amplia o trabalho de preservação cultural com ações voltadas aos costumes herdados dos antepassados, incluindo a culinária. O grupo identificou e organizou 13 receitas tradicionais, que abrangem desde entradas até pratos principais e sobremesas, com variações que totalizam 14 preparações.

As receitas foram testadas em encontros realizados no início do ano para garantir a fidelidade aos modos de preparo tradicionais. “Tudo o que está apresentado foi feito e aprovado pelo grupo”, destaca Ahlert. Segundo ele, a iniciativa já começa a despertar interesse no setor gastronômico local, com possibilidade de inclusão dos pratos em cardápios de restaurantes.

A proposta do grupo é que, no futuro, eventos e estabelecimentos de Westfália possam oferecer a culinária típica, valorizando a identidade cultural do município. A sugestão inclui a identificação dos pratos, tanto em Alemão Wesfaliano quanto em Português, de forma a reforçar o vínculo histórico e ampliar o potencial turístico da iniciativa.

Dialeto preserva identidade cultural

O trabalho do Grupo Amigos do Sapato de Pau ganhou notoriedade devido à preservação do dialeto Plattdüütsch, ainda presente no cotidiano de parte da comunidade. O uso da língua herdada dos imigrantes é visto como um dos principais elementos de identidade cultural do município, mantido especialmente entre gerações mais antigas e em contextos familiares.

A iniciativa do grupo busca não apenas incentivar a fala, mas também o registro escrito do dialeto, contribuindo para evitar sua perda ao longo do tempo. A proposta inclui a valorização da língua em materiais expositivos e culturais, como ocorre na identificação de pratos típicos e conteúdos históricos. A ideia é aproximar as novas gerações desse patrimônio imaterial, reforçando o vínculo com as origens e ampliando o entendimento sobre a formação cultural de Westfália.

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