Floco Azul promove caminhada para ampliar conscientização em Teutônia

Evento ocorre neste domingo com saída na Rua Senhor dos Passos

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Enzo evolui com as terapias conquistadas pela ONG Floco Azul / Crédito: Arquivo pessoal

Por Camille Lenz da Silva e Gabriely Mallmann

A Associação Pró-Autismo Floco Azul promove neste domingo (12/4) a 3ª caminhada alusiva ao Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com o tema nacional de 2026, “Autonomia se constrói com apoio”, a iniciativa busca mobilizar a comunidade e reforçar a importância do suporte contínuo às pessoas autistas e suas famílias.

A programação inicia às 15h, com concentração em frente à Escola Estadual de Ensino Fundamental Tancredo de Almeida Neves, em Languiru. De lá, os participantes seguem em caminhada até a Prefeitura Municipal de Teutônia, onde ocorre a recepção oficial.

A caminhada busca dar visibilidade às necessidades destas famílias e, ao mesmo tempo, reforçar ao poder público municipal que é preciso ampliar o acesso a serviços essenciais aos autistas, como terapias especializadas, medicação, acolhimento e suporte contínuo.

Avanços decisivos

Sariana Mesquita da Cunha apresenta, na prática, os desafios enfrentados com seu filho e os avanços conquistados com o apoio da ONG Floco Azul. Ela é mãe solo de Emanuel da Cunha Reck (8), diagnosticado com nível 3 de suporte, que depende de acompanhamento constante e medicação para se manter estável, inclusive no ambiente escolar.

A renda da família é composta pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), além de pensão, o que assegura o básico para a manutenção da casa. Ainda assim, o auxílio da ONG é decisivo, seja por meio de doações, como cestas básicas, ou pelo acesso a terapias e orientações especializadas.

Segundo Sariana, o trabalho desenvolvido pela ONG foi determinante para a aprendizagem do filho. Antes com dificuldades significativas de comunicação, alimentação e adaptação a rotinas, Emanuel apresentou avanços expressivos após intervenções e acompanhamento. Hoje, ele se comunica, mantém contato visual, aceita mudanças na rotina, alimenta-se sem grandes restrições, realiza atividades cotidianas com mais autonomia e demonstra progresso na leitura e facilidade em Matemática.

A família Faber descobriu os transtornos dos filhos de forma precoce. Os gêmeos Elton e Elvis, de 12 anos de idade, apesar de compartilharem o mesmo diagnóstico dentro do Transtorno do Espectro Autista, apresentam necessidades bastante distintas.

A mãe, Fábia da Ponte Faber, conta que a diferença de comportamento dos filhos vem desde o nascimento. Elton não conseguia parar de forma firme; já Elvis mantia-se firme e tentava segurar a mamadeira.

Dessa forma, ao levar os bebês ao médico, descobriu o autismo. Enquanto Elvis tinha mais autonomia, tentando interagir com o ambiente, Elton demonstrava dificuldades, permanecendo imóvel e dependente para tarefas básicas. O diagnóstico confirmou o autismo em ambos, sendo Elton em grau mais severo e Elvis em nível mais leve.

Além de limitações financeiras e problemas de saúde enfrentados por Fábia e seu marido, Elvis Faber, a família ainda enfrentou tempos mais desafiadores após a perda total de bens durante as enchentes em Estrela. O casal e os filhos fazem parte de algumas das famílias que se mudaram para Teutônia após as catástrofes.

Segundo Fábia, a ajuda recebida pela Floco Azul foi decisiva desde os primeiros momentos após a tragédia. A entidade auxiliou com doações de móveis e itens essenciais, como cama, guarda-roupa, cômoda, sapateiras e ventilador, permitindo que a família estruturasse novamente o lar.

Agora, o suporte inclui auxílio contínuo com alimentos, amparo nos primeiros alguéis, compra de medicamentos em situações emergenciais e encaminhamentos para atendimentos especializados, como a entrada dos filhos na Apae e o acesso a profissionais como psicólogos e fonoaudiólogos.

O acolhimento e o vínculo construído com voluntários representam um suporte emocional importante diante das dificuldades diárias. “É um apoio que faz diferença em todos os sentidos”, diz Fábia.

Ações que fortalecem famílias e mudam vidas

A ONG Floco Azul iniciou suas atividades em 2021. Desde então, constrói um legado de solidariedade entre voluntários e famílias. Hoje, a ONG atende em torno de 80 famílias. O auxílio começa com o contato. Após, voluntários vão até a casa das famílias e analisam as necessidades para, então, auxiliar com cestas básicas, encaminhar terapias e carteirinhas, entre outros.

A entidade também entra em contato com o Serviço Municipal de Apoio Escolar e Ação Restaurativa (Semear) de Teutônia, que direciona essas famílias para o centro de referência, localizado em Bom Retiro do Sul.

Em entrevista ao Espaço Aberto, a presidente da Floco Azul, Cassiane Göttert, destaca que ações como a caminhada de conscientização cumprem um papel essencial ao promover a inclusão, dar visibilidade ao trabalho da ONG e reforçar a união da comunidade.

Além da caminhada neste domingo, hoje, sábado, a entidade estará presente no Paradouro Rosinha. Das 8h às 17h, haverá feira de livros, cucas e artesanato. Já no dia 25, também um sábado, ocorre o tradicional pedágio pelas ruas de Teutônia.

Neste ano, o foco principal da ONG é arrecadar recursos para a reforma da sede própria da entidade. O espaço, cedido pela Prefeitura, ainda necessita de uma reestruturação completa para oferecer condições adequadas de atendimento aos usuários. Para isso, são necessários cerca de R$ 100 mil.

A Floco Azul mantém parcerias com empresas, faz eventos, rifas e outras atividades. Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelo Instagram, no @flocoazul.ong.autismo, ou pelo (51) 9 9726-5469. Auxílios financeiros podem ser feitos através do Pix 42.901.294/0001-72 (CNPJ).

Em Estrela

A entidade do município vizinho, Cristal Azul, promove o “Estrela abraça o autismo”. A partir das 14h deste sábado, a Praça Menna Barreto será palco de uma programação preparada com muito carinho para reunir famílias, promover inclusão e celebrar a diversidade.

O evento terá a participação das crianças da Apae, apresentação da Banda Rosas e oficinas pensadas para todas as idades, como pintura facial, contação de histórias e pizzas artesanais. Também haverá venda de bebidas e alimentos no local.

A organização pede que os interessados vistam uma camiseta azul, levem seu kit de chimarrão (haverá erva e água quente no local), sua cadeira e aproveitem uma tarde diferente, além de ajudar a fortalecer a causa. A entrada é gratuita.

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