
O governo federal anunciou nesta semana a eliminação das alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do óleo diesel, em uma tentativa de conter a pressão recente sobre os preços do combustível no país.
As medidas devem vigorar até 31 de dezembro deste ano. Um dia após a desoneração, nessa sexta-feira (13/3) a Petrobras informou que reajustará o preço do diesel vendido às refinarias em R$ 0,38, medida que passa a valer a partir de hoje (14/3).
A estimativa é que a redução dos tributos diminua o preço do diesel em cerca de R$ 0,32 por litro nas refinarias. A subvenção criada para o setor produtivo pode representar um impacto adicional semelhante, o que elevaria o potencial de redução para aproximadamente R$ 0,64 por litro ao longo da cadeia de abastecimento. Com aumento previsto de R$ 0,38, a redução deve ficar em R$ 0,26.
Proprietário do Posto Brune, em Teutônia, Seno Brune afirma que a situação é confusa para quem é empreendedor do setor, que fica sem saber como agir diante dos anúncios. Segundo ele, nem mesmo as distribuidoras têm certeza de qual será o preço praticado nos próximos dias, mas que não houve aumento ao longo da semana. “Nosso preço continua o mesmo da distribuidora e só vou mudar quando o fornecedor subir”, afirma.
Na tarde dessa sexta-feira, o posto de Brune recebeu uma nova carga de Diesel S-10, ainda com o mesmo preço. “Esta carga que está chegando agora eu paguei ontem. O que eu vou receber segunda-feira, pagarei hoje (sexta-feira)”, explica. Segundo ele, para os próximos dias a tendência é que não falte combustível, mas que o preço aumente, uma vez que as refinarias e distribuidoras já compram combustível mais caro.

Proprietário do Posto Brune, em Teutônia, Seno Brune relata incerteza quanto ao preço dos combustíveis a partir da próxima semana / Crédito: Thiago Maurique
Conforme o empresário, os postos que mais sofrem com esta situação são os que não têm bandeira, portanto, não mantêm contratos fixos com distribuidoras. “Muitas vezes eles conseguem praticar um preço bem mais baixo porque compram mais barato, mas existe o risco de não ter fornecimento”, ressalta.
Entidade que representa os postos de combustíveis no Rio Grande do Sul, a Sulpetro afirma que ainda é cedo para estimar quando a redução poderá chegar às bombas. De acordo com o presidente da organização, João Carlos Dal’Aqua, o repasse depende de uma série de etapas dentro da cadeia de distribuição.
Entre os pontos citados pelo dirigente estão a regulamentação da subvenção financeira, o cálculo das contribuições já recolhidas pelas distribuidoras sobre os estoques existentes nas bases e os valores que cada companhia repassará às revendas após a queda dos impostos. “O mercado de combustíveis opera em regime de livre concorrência. Assim, cada posto define seus preços conforme a própria planilha de custos, negociações com distribuidoras e estratégias comerciais”, aponta.
O pacote de desonerações e o aumento nos preços por parte da Petrobras foram anunciados em meio à volatilidade do mercado internacional de petróleo, intensificada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O preço do barril do óleo bruto no mercado internacional subiu de US$ 65 para US$ 100 desde o início das tensões no Oriente Médio.
Corrida aos postos após boatos
Informações compartilhadas em grupos de WhatsApp provocaram correria a postos de combustíveis do Vale do Taquari na tarde de terça-feira (10/3). Filas se formaram em diferentes estabelecimentos da região e parte dos postos chegou a limitar o abastecimento a R$ 100 por cliente, enquanto outros tiveram seus estoques esvaziados ao longo da tarde.
As mensagens compartilhadas nas redes sociais falavam sobre o suposto risco de desabastecimento, associado à guerra no Golfo Pérsico. Mas, apesar da alta procura, não foram registrados relatos de falta de combustíveis nas distribuidoras que atuam no Rio Grande do Sul.
Seno Brune classificou o ocorrido como um exagero. “Aqui no posto, naquela terça-feira, nós tínhamos combustível para 2 dias, mas por volta das 15h já tinha terminado, porque muita gente veio abastecer”, relata.
Segundo ele, consumidores que costumavam abastecer entre R$ 50 e R$ 100 resolveram completar o tanque. “Muita gente que ainda tinha combustível veio abastecer também. As pessoas acabaram se exaltando, mas não precisava disso. No outro dia já estava tudo tranquilo novamente”, lembra.
