A Tomasi Logística completa 36 anos de atuação em 2026, consolidando uma trajetória iniciada em Lajeado a partir de uma operação de pequeno porte. Fundada por Germano e Edi Tomasi, a empresa começou com um caminhão, com o próprio fundador à frente das operações de transporte.
O negócio evoluiu ao longo das décadas, acompanhado das transformações do setor logístico e da entrada da segunda geração na gestão, com os irmãos Diego e Rodrigo Tomasi. Com a ampliação da relevância da logística nas cadeias produtivas, a empresa estruturou seu crescimento e hoje conta com mais de 11 unidades no Brasil e no Mercosul, além de uma frota em expansão voltada a operações de maior escala.
Grupo Popular – Como foi o início da Tomasi Logística?
Diego Tomasi – Meu pai era motorista em uma indústria que tinha frota própria, mas a empresa decidiu terceirizar o transporte e vender os caminhões. Com isso, ele foi desligado. Lembro dele chegando em casa e dizendo para a minha mãe que havia sido demitido. Ela era professora da rede estadual e disse que o salário dela seguraria a casa até ele encontrar outra colocação. Mas ele decidiu empreender. Minha mãe perguntou o que ele sabia fazer, e ele respondeu: “Dirigir caminhão”. Como não tinham dinheiro para comprar um, decidiram comprar um restaurante na beira da estrada.
GP – Por que restaurante?
Tomasi – Ele conhecia bem o perfil dos caminhoneiros e sabia onde eles gostavam de parar. Compraram o restaurante em 1988, na BR-386, na localidade de Glória, em Estrela. Na época, ele chamou minha avó e tios para ajudar. O negócio deu certo, teve bom movimento, com comida voltada ao público caminhoneiro. Depois de cerca de 1 ano, ele comprou o primeiro caminhão, que ele mesmo dirigia. Depois vieram mais dois, três caminhões. Quando comprou o quarto, vendeu o restaurante e voltou a morar em Lajeado, já com uma pequena transportadora.
GP – Quando a tua história se mistura com a da empresa?
Tomasi – Eu tinha cerca de 8 anos quando a empresa começou, mas lembro bem. Sempre acompanhei meu pai, inclusive em viagens, nas férias. Quando ele comprou o quarto caminhão, eu tinha 12 anos. Comecei a trabalhar com 16, quando a transportadora tinha entre 12 e 13 caminhões. Comecei emitindo conhecimentos de frete, lidando com documentação. À noite fazia isso e, durante o dia, ajudava na carga e descarga. Foi aí que despertou um interesse maior. Eu via grandes transportadoras carregando várias carretas, enquanto a Tomasi tinha pouca carga. Aquilo me incomodava. Eu pensava em como fazer a nossa empresa chegar nesse nível. Conversei com meus pais e eles disseram que o caminho era estudar.
GP – Qual a importância da formação acadêmica?
Tomasi – Fiz Administração na Univates e, depois, uma pós-graduação em Logística pela Fundação Getúlio Vargas. Meu irmão também seguiu esse caminho. Fomos unindo prática e teoria. A operação é muito atrativa, porque dá resultado imediato, mas não é estratégica. Eu entendi que precisava de uma visão mais ampla. Busquei equilíbrio: estudava de manhã, ajudava na administração à tarde e trabalhava à noite. Sempre digo que dá para encaixar. A rotina é intensa, mas é preciso foco no que vai fazer diferença no futuro. Só estudar não é suficiente, só trabalhar, também não. Quando se consegue unir os dois, o resultado é muito melhor. Na nossa trajetória, isso foi decisivo.
GP – Quando a empresa teve o seu grande salto de crescimento?
Tomasi – A partir de 2015, começamos a trabalhar com metas de crescimento e faturamento. Isso mudou tudo. Antes, a empresa “jogava o campeonato”. Depois, passou a querer “ganhar o título”. A primeira meta foi dobrar o faturamento em 3 anos. Para isso, tivemos que profissionalizar a gestão, trazer gerentes, abrir unidades, investir em frota e alinhar o time. Criamos também a convenção nacional da empresa. Crescemos mais de 30% de 2015 a 2020. De 2020 a 2025, mais de 35%. Agora, seguimos com metas semelhantes até 2030.
GP – De que forma a Tomasi passou a atuar fora do Brasil?
Tomasi – Hoje atendemos Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. Tudo começou a partir das metas. Para atingir o crescimento projetado entre 2020 e 2025, entendemos que precisaríamos operar no Mercosul, onde o frete é mais rentável. A partir disso, nos estruturamos: estudamos legislação, trouxemos profissionais com experiência e organizamos toda a documentação e frota. Também me envolvi com a ABTI, em Uruguaiana, que auxilia transportadores nesse processo. Iniciamos a operação em maio de 2024, mesmo durante as enchentes no Rio Grande do Sul. Hoje, temos operação diária, tanto na importação quanto na exportação. Entre 10% e 15% do faturamento já vem do mercado internacional.
GP – O quanto a tecnologia mudou nesses 36 anos?
Tomasi – É uma transformação completa. Lá no início, o controle era feito por telefone público. O motorista ligava à noite para informar onde estava e meu pai anotava em um caderno. Às vezes, levava dias para atualizar um cliente. Hoje, pelo celular, sabemos em tempo real onde está o caminhão, velocidade, carga, previsão de chegada e até a carga de retorno. Além disso, temos tecnologias de segurança. As câmeras internas funcionam como um copiloto, que alerta sobre uso de celular, proximidade de outros veículos, sono, cinto de segurança. Isso reduziu praticamente a zero os acidentes na empresa. Também há sistemas de proteção de carga, com travas e monitoramento em tempo real. Além disso, usamos inteligência artificial em processos internos, automatizando etapas burocráticas e aumentando a produtividade.
GP – Como você projeta o futuro da empresa?
Tomasi – A maioria das empresas brasileiras é familiar, e muitas falham por falta de planejamento sucessório. Nós já passamos pela transição da primeira para a segunda geração com sucesso. Agora, estamos estruturando as próximas etapas. Temos protocolo familiar e acordo de acionistas. A empresa também já possui gestão profissional além da família. O objetivo é garantir continuidade. Queremos que a Tomasi chegue aos 100 anos de forma sólida. Além do transporte, estamos investindo em armazenagem. Já operamos com estoque de matéria-prima e produto acabado em Estrela, Canoas e Caxias do Sul. Também adquirimos uma área em Fazenda Vilanova para desenvolver um condomínio logístico. Seguimos crescendo, buscando novas soluções e consolidando a empresa para o longo prazo.

