O acidente envolvendo um ônibus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ocorrido no dia 4 de abril de 2025, em Imigrante, completa 1 ano neste sábado.
A tragédia que resultou na morte de sete pessoas e deixou outros 26 feridos ocorreu na estrada que liga Imigrante à RSC-453 (Rota do Sol) por volta das 11h15. O ônibus da UFSM perdeu o controle e saiu da pista no Acesso 9130, que interliga o Centro da cidade à rodovia, caiu em um barranco com cerca de 52 metros de altura e provocou uma das maiores tragédias rodoviárias da região.
O veículo levava professores e alunos a uma visita técnica ao Cactário Horst, a menos de 1 quilômetro de onde o acidente ocorreu. As vítimas foram Dilvani Hoch (55), Elizeth Fauth Vargas (71), Fátima E. R. Copatti (69), Flavia Marcuzzo Dotto (44), Janaina Finkler (21) Marisete Maurer (54) e Paulo Victor Estefanói Antunes (27).
Dois meses após o fato, o resultado da investigação foi apresentado em Teutônia. Três pessoas foram indiciadas por homicídio e lesão corporal culposos (quando não há intenção de matar): o motorista do ônibus, o servidor responsável pelo núcleo de transporte da universidade e a representante da empresa terceirizada que contratava os condutores.
De acordo com o então delegado, José Romaci Reis, responsável pelo caso, a apuração revelou falhas graves de segurança e manutenção, que contribuíram diretamente para o acidente. Segundo ele, houve negligência por parte de todos os indiciados.
Entre os principais erros identificados está a falha do motorista em não acionar o freio motor logo no início da descida, medida que poderia ter evitado a perda de controle do veículo. A perícia apontou ainda que, apesar de o ônibus possuir cintos de segurança, muitos estavam inacessíveis, presos sob os assentos, e os passageiros não foram devidamente orientados a utilizá-los.
O inquérito também evidenciou problemas na manutenção do veículo. Embora uma manutenção preventiva tenha sido realizada em setembro de 2024, a última revisão completa ocorreu em 2023. O exame pericial detectou desgaste significativo nas lonas dos freios traseiros, comprometendo a capacidade de frenagem do ônibus.
Além disso, a empresa responsável pela contratação dos motoristas não exigiu que os profissionais tivessem o curso específico para transporte de passageiros, como determina a legislação. Um dos condutores chegou a afirmar que desconhecia a existência do freio motor no veículo, o que, segundo a polícia, comprova a falta de qualificação dos contratados.
O inquérito reuniu 1.078 páginas e incluiu o depoimento de 40 pessoas.
Conforme informações do Diário de Santa Maria, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) recebeu o inquérito, mas o caso ainda não chegou à Justiça. Segundo o MP, um pedido à Polícia Civil e ao Instituto Geral de Perícias (IGP) foi feito para perícias complementares para, só então, tomar uma decisão. À UFSM, foi pedido o conteúdo da sindicância interna, que já foi entregue ao Ministério Público.
Obra na rodovia de acesso
Em maio de 2025, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) anunciou a elaboração de projeto completo para reestruturar os 4,5 quilômetros da rodovia.
O plano prevê recuperação do pavimento, melhorias em encostas com risco de deslizamento, instalação de defensas metálicas e, pela primeira vez no Rio Grande do Sul, a inclusão de uma caixa de brita – área de escape para veículos com falhas mecânicas.
Porém, apenas em janeiro deste ano a empresa Plano Norte Engenharia Ltda. iniciou os trabalhos de roçada e limpeza na rodovia de acesso, no trecho entre os municípios de Westfália e Imigrante. As ações marcaram o início efetivo das obras emergenciais na via.
A obra é de responsabilidade do governo do Estado, por meio do Daer, e conta com um investimento total de R$ 14.474.396,15.
No local, foram instaladas placas e orientações de trânsito, tanto na descida quanto na subida da rodovia. Há três semanas começou a instalação de tubos para melhoria do escoamento de água na rodovia de acesso, na altura da gruta de Nossa Senhora de Fátima.
A previsão inicial para a conclusão dos serviços era de aproximadamente 6 meses, podendo sofrer alterações conforme o andamento da execução do projeto e as condições climáticas.

