A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 deixou sentimentos mistos. O empate em 1 a 1 com o Marrocos, realizado no sábado (13/6), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, evitou um início histórico negativo para o Brasil, mas também evidenciou problemas que precisam ser corrigidos.
Os marroquinos abriram o placar aos 21min do primeiro tempo, quando Ismael Saibari aproveitou desatenção defensiva brasileira para encobrir o goleiro Alisson.
A equipe africana foi superior durante boa parte da etapa inicial e chegou a acumular um volume de finalizações que colocou pressão sobre a defesa comandada por Marquinhos e Gabriel Magalhães.
A reação brasileira veio dos pés de Vinicius Júnior. Em sua 50ª partida pela Seleção, o atacante recebeu passe de Bruno Guimarães, invadiu a área e finalizou com força para empatar a partida ainda antes do intervalo.
O resultado garantiu ao Brasil seu primeiro ponto no Grupo C e manteve a equipe viva na disputa pelas vagas às oitavas de final. Porém, a atuação serviu como alerta para o técnico Carlo Ancelotti, que admitiu a necessidade de ajustes para os próximos compromissos.
Olhar para o Haiti
Sem muito tempo para lamentar o empate, a Seleção já concentra atenções no duelo da próxima sexta-feira (19/6), às 21h30, contra o Haiti. A partida ganha importância ainda maior porque uma vitória pode encaminhar a classificação brasileira para a fase eliminatória.
O confronto também marca o reencontro entre as seleções 10 anos após a goleada brasileira por 7 a 1 na fase de grupos da Copa América, em 2016. Daquele elenco, apenas Alisson, Marquinhos e Casemiro permanecem com a camiseta da Seleção.
Mas o Haiti que chega à Copa de 2026 é muito diferente daquele enfrentado há uma década. A seleção caribenha garantiu presença no Mundial pela segunda vez na história.
A única participação anterior havia ocorrido em 1974, na Alemanha Ocidental. O retorno acontece em meio a um dos períodos mais difíceis da história recente do país, que enfrenta uma grave crise.
Impedido de mandar partidas em seu território devido à instabilidade interna, o Haiti precisou construir sua campanha longe de casa. O técnico francês Sébastien Migné montou uma equipe competitiva, com atletas de ascendência haitiana que atuam em ligas europeias.
Na estreia, os haitianos foram derrotados por 1 a 0 pela Escócia, mas deixaram boa impressão pela organização e capacidade de competir.
Principal arma
A característica do Haiti é a transição rápida. A equipe costuma explorar contra-ataques em velocidade e aposta na força física para incomodar adversários tecnicamente superiores.
Entre os destaques estão o atacante Wilson Isidor, do Sunderland, o experiente goleiro Johny Placide e o meio-campista Jean-Ricner Bellegarde, do Wolverhampton, considerado uma das referências técnicas do grupo.
Por outro lado, o setor defensivo ainda é visto como o principal ponto vulnerável da equipe. Contra a Escócia, os haitianos tiveram dificuldades quando precisaram controlar a posse de bola e sofreram com a pressão exercida em seu campo.
Diante do Brasil, a tendência é que Migné adote uma postura mais cautelosa, com linhas mais baixas e apostas nos espaços deixados pela equipe brasileira.
Se o Haiti chega embalado pelo sonho de escrever um dos capítulos mais marcantes de sua história, o Brasil entra em campo pressionado a apresentar uma atuação mais convincente.
Depois dos sustos diante do Marrocos, a Seleção sabe que os três pontos são fundamentais para ganhar tranquilidade e fortalecer a confiança na caminhada rumo ao hexacampeonato.

