Natural de Linha Wink, Fabiano Feine se tornou pioneiro no mercado de aplicativos em Teutônia. Após anos de atuação na venda de carros, o empresário decidiu investir em tecnologia e trouxe o Delivery Much para o município, em 2019. A partir da operação de delivery, ampliou os negócios para a entrega de produtos e o transporte de passageiros.
Franqueado do Delivery Much e sócio dos aplicativos Andaê, Ubra e Connection, Feine trabalha na integração de diferentes serviços em Teutônia e na região. Em entrevista ao Inteligência Empresarial, ele aborda a evolução dos negócios, os desafios operacionais e os planos de reunir delivery, mobilidade urbana e compras em uma única plataforma.
Grupo Popular – Como começou a tua trajetória profissional até o empreendedorismo?
Fabiano Feine – Sou natural de Linha Wink, em Teutônia, e comecei a trabalhar por volta dos 13 ou 14 anos, entregando jornais para o Grupo Popular. Depois, trabalhei na gráfica, na dobra dos jornais, fui para a área comercial e passei vários anos vendendo carros e motos. Em determinado momento, busquei um negócio que oferecesse mais estabilidade e recorrência. Sempre gostei de tecnologia e, em 2019, conheci a franquia do Delivery Much.
GP – Como foi trazer o aplicativo para Teutônia?
Feine – Fomos pioneiros no município, tanto no delivery quanto na mobilidade urbana. A franquia exigia pelo menos 14 estabelecimentos para autorizar o lançamento em uma cidade do porte de Teutônia. Bati de porta em porta e recebi muitos nãos, porque os empresários não entendiam por que deveriam pagar comissão sobre as vendas. Comprei a franquia em outubro de 2019, com a intenção de lançar em novembro, mas precisei adiar. Começamos com apenas sete restaurantes.
GP – Como a operação evoluiu desde então?
Feine – Passamos de sete para 72 restaurantes parceiros e ampliamos a atuação para farmácias, pet shops e supermercados. A pandemia também foi importante nesse processo. Quando os salões fecharam, o aplicativo se tornou uma alternativa para diversos estabelecimentos. Restaurantes que nunca tinham trabalhado com delivery passaram a fazer entregas e muitos mantiveram o serviço depois. Hoje, movimentamos entre 7 mil e 8 mil pedidos por mês.
GP – Por que a decisão de investir no transporte de passageiros por aplicativo?
Feine – Os restaurantes parceiros reclamavam da falta de motoboys e do custo fixo para manter esses profissionais. Ao pesquisar alternativas, conheci o modelo do Garupa e me tornei sócio-operador, permanecendo por quase três anos. Depois, a operação enfrentou problemas contratuais e de gestão centralizada. Como havia motoristas e famílias que dependiam daquela renda, não podíamos simplesmente encerrar o serviço. Nos reunimos em cinco sócios-operadores e criamos a Ubra para manter as atividades nas nossas cidades.
GP – Como surge o Andaê?
Feine – A Ubra tinha limitações tecnológicas e custos elevados para a expansão entre municípios. Precisávamos de uma plataforma regional que conectasse Teutônia, Lajeado e cidades vizinhas. Há cerca de um ano e meio, lançamos o Andaê com esse objetivo. Trabalhamos no modelo white label, em que utilizamos a tecnologia de uma empresa especializada e aplicamos a nossa marca. Assim, temos autonomia para definir tarifas e regras operacionais sem precisar manter uma equipe própria de desenvolvimento.
GP – Você chegou a atuar como motorista?
Feine – Nos primeiros dois anos e meio, tive dificuldade para equilibrar a oferta de motoristas e a demanda de passageiros. Decidi fechar minha revenda de veículos para me dedicar integralmente à mobilidade e fui para a rua trabalhar como motorista. Isso foi fundamental para entender os problemas do dia a dia, desde a utilização do aplicativo até os cancelamentos de última hora. Vivenciar a operação ajuda a identificar o que precisa ser melhorado.
GP – Qual é a estrutura atual da operação em Teutônia?
Feine – Temos 45 motoristas cadastrados e liberados, que atuam de forma integrada nos aplicativos Ubra e Andaê. Cerca de 25 trabalham em tempo integral. Também mantemos uma fila de espera com mais de 50 interessados. Não podemos liberar cadastros de forma ilimitada, porque precisamos garantir que os profissionais ativos tenham demanda suficiente para trabalhar.
GP – O que é a Connection?
Feine – Lançamos a Connection há pouco mais de dois anos, em sociedade com Gilmar Godoy. O modelo permite que farmácias, restaurantes, lojas de vestuário e outros estabelecimentos solicitem entregas conforme a necessidade, sem manter um motoboy contratado com custo fixo. O serviço funciona das 7h às 23h, e a loja paga pelas entregas realizadas. Hoje, atendemos mais estabelecimentos na Connection do que no próprio Delivery Much. O desafio é equilibrar a disponibilidade de entregadores nos períodos de maior demanda.
GP – Qual é o impacto desses serviços na economia local?
Feine – Movimentamos cerca de 7,5 mil pedidos de delivery e entre 8 mil e 9 mil corridas de mobilidade por mês em Teutônia. Além disso, há os estabelecimentos parceiros, os motoristas e os entregadores que dependem dessa atividade. Se interrompêssemos as operações, o impacto seria muito grande para a cidade, porque estamos conectados a uma cadeia de negócios e de geração de renda.
GP – Quais são os próximos passos para os negócios?
Feine – Estamos acompanhando as possibilidades da inteligência artificial, inclusive para permitir pedidos por comando de voz. Também planejamos criar um Super App até o próximo ano, integrando as funcionalidades do Andaê e do Delivery Much em uma única plataforma. A ideia é que o usuário possa solicitar transporte, pedir refeições, fazer compras de supermercado e acessar um clube de benefícios sem precisar manter vários aplicativos no celular.

