Obras são estratégias reivindicadas para evitar colapso viário no estado

Prefeitos, vereadores, autoridades e líderes regionais lançaram a campanha Ponte dos Vales, que tem estudo técnico concluído. Anel viário regional é outra obra prioritária para o fluxo de cargas

A mobilização em torno das obras estruturantes no Vale do Taquari ganha força. Lideranças empresariais, prefeitos, vereadores, entidades de classe e a comunidade se uniram para reivindicar a construção da Ponte dos Vales. As obras serão entre as rodovias ERS-129 (Estrela) e ERS-130 (Cruzeiro do Sul), além de um anel viário regional. As estruturas deverão aliviar o tráfego na BR-386, a rota de maior escoação de produtos do Rio Grande do Sul. Mobilidade, logística robusta e resiliência após os desastres de 2023 e 2024 foram fatores levantados em reunião que lançou a campanha estadual.

Os vales do Taquari e Rio Pardo carregam histórias de trabalho, reconstrução e superação. Agora, somadas ao crescimento econômico regional, cresce o consenso de que a infraestrutura rodoviária precisa acompanhar esse desenvolvimento.
Conforme o empresário Nilto Scapin, a obra vai possibilitar passagens em caso de fechamento do trânsito devido às cheias ou acidentes na ponte da BR-386, principal sobre o Rio Taquari. “Também se der problema nos arroios Estrela e Boa Vista, lá no Mariante, para quem vem do Vale do Rio Pardo”, afirma.

Segundo Scapin, este é um momento crucial. “Ele é único e definitivo para que o governo aprove esta obra de valor. Não só para os vales, mas para o Rio Grande do Sul inteiro, que não pode parar. Nós precisamos ter caminhos construídos. Já temos o estudo de viabilidade técnica e ambiental, dando condições para que essa obra aconteça. Ela reflete a resiliência da região, basta o governador Eduardo Leite dar o canetaço e aprovar esta obra”, aponta.

A ponte como elo entre os vales e a capital

A Ponte dos Vales funciona como eixo estratégico entre a BR-386 e a RS-287, criando uma rota de desvio essencial em situações extremas, como vias bloqueadas por chuvas torrenciais. Isso garante acesso seguro ao Hospital Bruno Born (HBB), fundamental para a saúde regional em emergências. Também é ligação direta para Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e transporte de cargas, independentemente da situação das vias convencionais.

Além disso, a descentralização logística beneficia os vales do Taquari e do Rio Pardo, a Serra, o Planalto e as Missões, com redução de custos e tempo de entrega, favorecendo a competitividade empresarial.

Ainda, o traçado escolhido evita grandes indenizações e impactos, preservando tanto o patrimônio público quanto o meio ambiente. É uma ponte com a melhor relação custo-benefício e impacto positivo contínuo.

Movimento iniciou há meio século

O movimento lembra que, em 1973, o então secretário de Planejamento de Estrela, Hélio Musskopf, idealizou a abertura da Trans Santa Rita para desafogar o tráfego pesado do centro urbano de Estrela, uma iniciativa pioneira, que abriu caminho para pensar em soluções consolidadas e integradas.

Passados mais de 50 anos e duas catástrofes que interromperam a escoação de grande parte dos produtos gaúchos, o desafio é unir forças com planejamento estratégico e articulação política, colocando em prática um projeto que já mostra superar a bandeira regional, assumindo uma necessidade estadual.

De acordo com Musskopf, o projeto de infraestrutura é crucial, desde sua origem, com a ideia da ‘Trans Santa Rita’, uma rodovia para aliviar o tráfego pesado no centro das cidades. Sublinha a importância histórica e a visão de longo prazo, especialmente a necessidade de uma segunda ponte entre Estrela e Lajeado / Cruzeiro do Sul, especialmente após as cheias históricas e destruidoras.



Estudos prontos, decisão atrasada


Ex-prefeito e ex-deputado estadual, Hélio Musskopf foi um dos idealizadores da proposta / Crédito: Anderson Lopes

O projeto da Ponte dos Vales já avançou em todas as etapas técnicas essenciais, como o projeto básico completo, sondagens geológicas e ambientais realizadas. O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) está concluído. O que falta agora é decisão política.

O movimento argumenta que a aprovação depende apenas do “canetaço” das autoridades estaduais, diretamente do governador, Eduardo Leite, do vice, Gabriel Souza, e dos secretários da Reconstrução, Pedro Capeluppi, da Casa Civil, Artur Lemos, e de Planejamento, Governança e Gestão, Daniele Calazans. Com o respaldo técnico e o apoio da sociedade, o que se espera é prioridade na agenda governamental.

Concessão viária

O Estado enfrenta limitações orçamentárias graves. O próprio governo reconhece que está sem fôlego para custear nem mesmo a manutenção da malha atual adequadamente. Como alternativa, o setor privado propõe modelo de concessão rodoviária, com tarifas justas e retorno garantido, mas com regulação pública clara. “Essa é a solução para viabilizar as obras. Sem concessão, não saímos do lugar”, afirma um líder empresarial. O modelo ainda carece de definição detalhada, mas o consenso em torno da necessidade de ativá-lo é unânime entre os empresários.

O anel viário como solução estruturante

Hoje, o Vale do Taquari se delineia como uma rede interligada de cidades que são caminhos para regiões distintas e estratégicas para o estado. É o caso de Teutônia, que liga à Serra gaúcha, Cruzeiro do Sul e Venâncio Aires, levando à região central do estado e Lajeado e Estrela, fundamentais na interligação dessas regiões pela BR-386, levando à capital Porto Alegre. Essa dinâmica exige estradas seguras e eficientes, que a atual malha rodoviária não oferece.

Além da Ponte dos Vales, a proposta do anel viário regional promove uma rota alternativa para desafogar o trânsito urbano, reduzir o tempo de deslocamento, diminuir emergências e ampliar a integração. A proposta vai além da ponte: ela inclui contornos, ramais e recomposição de tráfego, com conectividade e segurança.

Em Estrela, a prefeita Carine Schwingel reforça a necessidade de planejamento urbano integrado. Ela destaca obras em curso, como o Trevo do Alemão, onde planeja implementar uma nova elevada entre bairros, estudando uma conexão entre a ponte baixa e o porto local, tudo visando garantir fluidez urbana e econômica.

“Temos entre 7 e 8 mil pessoas morando ali na Boa União, sem falar no Nova Morada e outros bairros. Todo o fluxo depende de uma via saturada. Precisamos de saídas alternativas e a ponte é parte dessa estratégia”, explica Carine. Uma audiência pública para discutir a elevada está marcada para outubro de 2025 e a expectativa é que, com o apoio da comunidade, a obra comece ainda em 2026.

Mobilização e visibilidade

A campanha de comunicação regional, iniciada em setembro de 2025, mobiliza mais de 30 municípios, patrocinada por entidades como Fiergs, Fecomércio, Federasul e Farsul, além de associações locais. O objetivo é mostrar que a população está mobilizada e exige ação. A mensagem foi reforçada por líderes comunitários. É um clamor coletivo consolidado no Vale e no Estado.

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