Languiru e Nutritec suspendem recebimento de milho úmido

Diante do volume elevado recebido nos últimos dias, empresas anunciaram a medida para esta quarta-feira (28/1).

Duas das principais cerealistas do Vale do Taquari anunciaram a suspensão do recebimento de milho úmido. A Cooperativa Languiru, de Teutônia, e a Nutritec, de Estrela, suspenderam o serviço diante do grande volume de milho recebido recentemente, o que esgotou a capacidade de secagem para posterior armazenamento dos grãos. 

Em nota, a Nutritec afirma que a suspensão ocorre devido a superlotação da capacidade estática, que representa o volume total de produtos que os silos e armazéns podem suportar. A Cooperativa Languiru também justifica a suspensão pelo alto volume de grãos recebidos, motivo que esgotou a capacidade de recebimento da fábrica de rações. 

O volume elevado da safra também preocupa outras empresas do setor. A Cooperagri, também de Teutônia, suspendeu o recebimento na sede, em Linha São Jacó. De acordo com o presidente da cooperativa, Édson Ricardo Dahmer, a Cooperagri tem lugar para receber 55 mil sacos de milho, já quase esgotado. “Ainda estamos recebendo na Certaja, por meio de parceria, e fechamos acordo para receber a partir de hoje na Cerealista Markus”, aponta. 

Gerente da Arla Cooperativa, Breno Ely explica que a principal dificuldade enfrentada está relacionada à capacidade diária de secagem do milho. “Os secadores têm uma capacidade estática diária de determinado volume, e o que está chegando agora é muito acima disso, tudo ao mesmo tempo. Esse também é o nosso desafio”, afirma.

Segundo ele, uma das dificuldades está na umidade elevada do milho transportado pelos produtores, que aceleraram a colheita para implantar a safrinha de soja. “O produtor não deixa de ter razão. Quanto antes ele conseguir semear, menor é o risco lá na frente, especialmente com geada e outros fatores climáticos”, conclui.

Aumento na área plantada

A safra de milho no RS foi aberta oficialmente na sexta-feira (23/1), em evento com participação do governador do Estado, Eduardo Leite, em São Borja, na região da fronteira. A produção total está estimada em 5,79 milhões de toneladas, crescimento de 9,45% em relação às 5,29 milhões de toneladas da safra anterior. O grão é cultivado em 487 dos 497 municípios gaúchos.

De acordo com a secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, a alta resulta do aumento da área plantada, que alcança 785.030 hectares, alta de 9,31% frente aos 718.190 hectares de 2024/2025. A produtividade média permanece estável, em torno de 7,3 toneladas por hectare.

Apesar da elevação na produção, o Rio Grande do Sul ainda precisa importar o cereal para suprir a demanda, uma vez que o estado consome cerca de 7 milhões de toneladas de milho por ano. Em 2024, a importação de milho de outros estados e países resultou em uma evasão estimada de R$ 3 bilhões da economia gaúcha.

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