Estudante teutoniense na Alemanha traz troca cultural ao Augustin

Experiências pedagógicas aproximam estudantes de Teutônia e da cidade alemã de Ulm, promovendo troca cultural entre a Escola Reynaldo Affonso Augustin a universidade da Alemanha

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Comunidade escolar troca experiências com a estudante alemã / Crédito: Gabriely Hartmann Mallmann

A iniciativa de Camila da Silva Nunes resultou na realização de um sonho em estudar na Europa e resultou na experiência de intercâmbio cultural também aos alunos da Escola Reynaldo Affonso Augustin, onde foi aluna. Ela mora há 5 anos na cidade de Ulm, situada na margem do Rio Danúbio, fronteira com a Baviera, no estado de Baden-Württemberg. A cidade universitária é conhecida pela sua catedral (Ulm Minster) e por ser o local de nascimento de Albert Einstein.

Camila estuda para ser professora na Katholische Fachschule für Sozialpädagogik IfSB, em um curso que dura 3 anos. Ela conseguiu emprego no exterior como babá e ficou 1 ano e meio com a mesma família. Depois, fez voluntariado em uma creche. Ela persegue o sonho de se formar em uma universidade alemã, pois o diploma é reconhecido no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Ainda, faz mentorias com orientações sobre como conseguir um diploma na Europa.

O cotidiano da brasileira serve para a prática do idioma alemão, que hoje flui mais fácil. Ela trabalha três vezes por semana e reconhece que é cansativo. Percebe a educação estrangeira como diferente: “Lá eles são mais rígidos, tem que sentar a estudar”.

Ao regressar ao Brasil para uma visita, articulou a vinda da estudante alemã Jule Beljak para realizar atividades pedagógicas em Teutônia, aproximando realidades educacionais e culturais diferentes.

Durante a visita, a estudante alemã também vivencia a cultura local. Em meio às conversas com alunos e professores, ela pratica o Português e descobre hábitos brasileiros. Entre as preferências gastronômicas, um item típico já conquistou o coração germânico: o pastel.

Além da experiência cultural, a troca também envolve reflexões sobre educação. Jule afirma que a mesma deve ser observada no sujeito do aluno, levando em consideração o universo particular de cada um, diferente de uma educação depositária, que não leva em conta o ambiente e a realidade vivenciada pelos alunos

Conforme Camila, no ensino infantil, o sistema educacional alemão valoriza a autonomia das crianças no processo de aprendizagem. “É praticamente o nosso método de ensino na Alemanha: deixar que as crianças busquem seus próprios caminhos e interferir o mínimo possível”, relata.

Conhecimento empírico

Para a orientadora educacional Ivete Cecília de Souza, o intercâmbio vai além da prática pedagógica, chegando à convivência direta com estudantes de outros países. Isto ajuda a formar uma visão mais aberta de mundo. “O estrangeiro não é inimigo. É mais uma pessoa com quem podemos criar amizade. Para as crianças, esse contato ajuda a quebrar barreiras e a compreender que existem culturas diferentes, construindo mais pontes do que muros”, explica.

Camila pretende seguir carreira na área educacional e permanecer na Europa. Com o visto de estudante, planeja buscar a cidadania alemã após concluir a formação universitária. Mesmo assim, garante que mantém os vínculos com o Brasil. “A família sente saudade, mas também, admira muito o fato de eu ter ido tão jovem para o exterior”, afirma.

Para a diretora da escola, Mariane Elise Ahlert Scherer, a presença da estudante estrangeira simboliza mais um capítulo da história de inovação da instituição. A escola se consolidou como uma das referências locais ao implantar o ensino em tempo integral e ampliar oportunidades educacionais.

“Ficamos muito orgulhosos quando soubemos que a Camila escolheu justamente a nossa escola para essa experiência. Ela poderia ter procurado qualquer outra, mas voltou para onde estudou”, destaca. Segundo a direção, a iniciativa também reforça a política da escola de receber estagiários e incentivar experiências formativas. Atualmente, vários estudantes em estágio participam da rotina pedagógica e ampliam o ambiente de aprendizagem.

A visita da estudante alemã desperta curiosidade entre os alunos, que fazem perguntas sobre o país europeu e demonstram interesse em aprender algumas palavras em alemão. Para os educadores, essa convivência cotidiana representa um aprendizado que vai além da sala de aula. “Em vez de construir muros, precisamos construir pontes. Ponte liga, aproxima pessoas e permite que caminhemos ao encontro do outro”, resume a direção.

Enquanto a experiência segue em Teutônia, a expectativa é que essa primeira conexão abra caminho para novas trocas entre estudantes brasileiros e europeus, fortalecendo o intercâmbio educacional e cultural entre os dois países.

O professor Vitor Krabbe auxiliou na tradução do Alemão para o Português, permitindo compreender melhor as impressões da visitante sobre o Brasil e a região. Jule relatou que, antes da viagem, conhecia pouco sobre o país, com referências principalmente às grandes cidades. “A imagem que tinha do Brasil era mais ligada a lugares como São Paulo e Rio de Janeiro. Futebol também não era algo tão presente para ela. Mas ficou impressionada positivamente com o Brasil, com Teutônia e com a região”, explicou o professor.

De acordo com Krabbe, a estudante destacou a diversidade cultural do país e a dimensão territorial brasileira. “Ela percebeu que o Brasil é muito grande e que cada região tem sua cultura própria. Aqui no Rio Grande do Sul existe uma cultura específica, e dentro do estado ainda há identidades locais, como a de Teutônia”, afirmou. A própria Jule confirma que a experiência tem sido marcante. Aos 21 anos, ela visita o Brasil pela primeira vez e se surpreendeu com a hospitalidade e o cotidiano da comunidade local.

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