Convenção CIC Teutônia: comunicação e relações humanas definem resultados empresariais

Com o tema “Conexões que movem resultados”, Convenção CIC Teutônia discutiu tecnologia, inteligência emocional, liderança e cultura organizacional

A capacidade de estabelecer relações, compreender diferentes perspectivas e adaptar comportamentos esteve no centro da 5ª Convenção CIC Teutônia. Realizado nesta quinta-feira (8/10), o evento reuniu uma programação dedicada ao desenvolvimento pessoal e organizacional, com reflexões sobre os desafios que influenciam o ambiente de trabalho, o relacionamento com clientes e a tomada de decisões.

A abertura da programação ficou a cargo de Artur Gubert, com a palestra “O poder do sim”. A abordagem tratou da busca por facilidades em um contexto no qual ferramentas digitais e soluções tecnológicas prometem simplificar tarefas e acelerar processos. Conforme o palestrante, escolha sistemática por “caminhos mais fáceis” pode reduzir as oportunidades de desenvolver habilidades. “Hoje, falamos 30% menos palavras do que 10 anos atrás e a geração Z é a primeira da história com QI menor do que a anterior”, alerta.

Gubert observou que a internet e os algoritmos das redes sociais tendem a apresentar conteúdos alinhados às preferências e às opiniões dos usuários. Esse mecanismo pode reforçar convicções existentes e reduzir o contato com perspectivas diferentes, situação que merece atenção especialmente entre profissionais responsáveis por decisões estratégicas.

Ao comentar os efeitos desse comportamento no mundo dos negócios, o palestrante defendeu a convivência com pessoas que apresentam opiniões divergentes. “A capacidade de ouvir argumentos diferentes amplia o repertório e ajuda a evitar que lideranças permaneçam restritas às próprias certezas”, aponta.

Diante desse cenário, Gubert reforçou necessidade de recuperar espaços de convivência fora das telas. Atividades sociais, esportivas, culturais e de formação podem favorecer encontros nos quais a interação presencial ocupa o lugar central. “A tecnologia continua fazendo parte da rotina, mas sem substituir experiências que contribuem para a construção de vínculos e para o contato com diferentes realidades”, concluiu.

Arthur Gubert alertou para os efeitos dos atalhos tecnológicos na dificuldade de resolver problemas e enfrentar momentos difíceis / Crédito: Thiago Maurique

Clareza na comunicação

Segunda palestrante do evento, Fran Rabuske abordou a comunicação como ferramenta central para os resultados corporativos. A palestrante chamou atenção para as dificuldades de transmitir mensagens em um ambiente marcado pela velocidade das informações, pelo receio de julgamentos e pela exposição constante. “Comunicar não significa apenas falar, mas organizar o pensamento, compreender o interlocutor e definir o que precisa ser transmitido”, relata.

Conforme Fran, uma mensagem eficiente deve apresentar três elementos: uma ideia principal, três argumentos que sustentem essa ideia e uma direção clara para quem recebe a informação. Segundo ela, essa estrutura contribui para reduzir ambiguidades e tornar as conversas mais objetivas. “Nas relações profissionais, em que orientações incompletas podem comprometer a execução de tarefas e o alinhamento entre equipes”, alerta.

Fran reforça a importância de explicitar expectativas, responsabilidades e encaminhamentos, em vez de presumir que todos interpretam uma situação da mesma forma. “O óbvio precisa ser dito com frases bem construídas, presença e escuta, entregando firmeza acompanhada de gentileza”, afirmou.


Para Fran Rabuske, os resultados corporativos estão ligados a uma comunicação clara e objetiva, que une firmeza e gentileza / Crédito: Thiago Maurique

Emoções no processo de venda

A relação entre comportamento, atenção e desempenho comercial foi o foco da palestra de Ronan Mairesse. O palestrante rompeu a lógica das técnicas de convencimento para a compreensão das emoções envolvidas na interação entre profissionais e consumidores.

“As experiências e decisões são influenciadas pelo ambiente e pelas respostas emocionais que ele provoca”, aponta. A partir dessa perspectiva, o autoconhecimento aparece como uma condição para reconhecer as reações pessoais e evitar que elas prejudiquem a leitura das necessidades do cliente.

Para Mairesse, não existe uma fórmula pronta que garanta resultados em qualquer contexto. “Métodos e metodologias podem orientar o trabalho, mas precisam ser aplicados de acordo com as características de cada profissional e a relação que ele estabelece com o público”, refletiu.

Gerações em conflito

Conduzida por Daniel Keller, a palestra de encerramento abordou o conflito resultante da forma como as diferentes gerações compreendem o papel do trabalho. De um lado estão pessoas mais velhas, que defendem o trabalho como posição central, enquanto negligenciam outros aspectos da vida. Do outro, uma nova geração que anseia uma atividade profissional que corresponda a todas as suas aspirações individuais.

Para o palestrante, o desafio está em evitar os extremos e construir uma relação mais equilibrada com o trabalho. “Isso exige reconhecer a importância do comprometimento e das responsabilidades profissionais, sem desconsiderar as expectativas e as diferenças individuais que caracterizam as equipes atuais”, defende.

Keller afirma que essas diferenças não precisam resultar necessariamente em conflitos, mas exigem disposição para o diálogo e clareza sobre o que a empresa espera de seus colaboradores. “Quando começamos a dialogar, percebemos que temos mais similaridades do que diferenças”, observa.

O palestrante também destacou a responsabilidade das empresas na definição de sua cultura organizacional. Mais do que um conjunto de valores apresentado institucionalmente, a cultura precisa expressar o modo como a organização pensa, age e conduz suas relações. “Essa definição serve de referência para orientar comportamentos e estabelecer expectativas compartilhadas entre lideranças e equipes”, aponta.

A definição dessa identidade também oferece parâmetros para lidar com mudanças e divergências internas. Conforme o palestrante, isso garante que a empresa conte com referências para conduzir a convivência entre diferentes perspectivas ao invés de direcionar as decisões exclusivamente às preferências de um único grupo.


Daniel Keller refletiu sobre a necessidade de encontrar equilíbrio entre a visão das diferentes gerações no ambiente de trabalho / Crédito: Thiago Maurique

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