Mais de dois anos após as enchentes de 2024, o Rio Grande do Sul segue diante do desafio de reconstruir áreas atingidas e preparar os municípios para novos eventos climáticos extremos. No Vale do Taquari, um levantamento busca identificar projetos prioritários, apontar dificuldades para sua execução e aproximar as administrações municipais de instituições e possíveis parceiros. O resultado do Mapeamento de Projetos Estruturantes para a Reconstrução e Resiliência Climática do Vale do Taquari será apresentado nesta quarta-feira (21/10), às 10h, no auditório do prédio 11 da Universidade do Vale do Taquari (Univates), em Lajeado.
As chuvas extremas de 2024 provocaram inundações que atingiram 478 municípios gaúchos, segundo a Defesa Civil, com a região central do Estado entre as mais afetadas. Desde então, a reconstrução permanece em andamento, enquanto cresce a necessidade de desenvolver ações para prevenir e reduzir os impactos de futuras ocorrências.
O mapeamento reúne projetos cadastrados pelos próprios municípios e oferece uma visão integrada das iniciativas em execução ou em diferentes etapas de desenvolvimento. Além de identificar as propostas, o trabalho busca compreender os obstáculos enfrentados pelas administrações locais e o suporte necessário para transformar os planos em ações concretas.
A iniciativa é promovida pela CoalizãoRS, articulação multissetorial voltada à resiliência climática no Estado, em parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a Univates, a Associação dos Municípios do Alto Taquari (AMAT), a Associação dos Municípios do Vale do Taquari (AMVAT) e o Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Taquari (CONSISA).
Levantamento identifica necessidades dos municípios
Para participar, os municípios preencheram um formulário desenvolvido pela CoalizãoRS, cadastrando projetos que estão em execução ou nas fases de planejamento, estruturação e captação de recursos. As iniciativas foram organizadas em diferentes áreas, como recuperação de infraestrutura danificada, adaptação às mudanças climáticas, prevenção e preparação para desastres e retomada econômica e social.
O levantamento também considera o tipo de intervenção prevista, que pode incluir obras de infraestrutura, elaboração de estudos e diagnósticos, desenvolvimento de planos e projetos técnicos ou aquisição de equipamentos. São analisados ainda o estágio de cada proposta, sua abrangência territorial e os principais entraves à execução.
Segundo Hipárcio Stoffel, head de projetos da CoalizãoRS, a intenção é compreender não apenas quais iniciativas estão previstas, mas também o que cada município precisa para avançar. “Por isso, classificamos os tipos de intervenção propostos, como obras e infraestrutura, estudos, diagnósticos, planos e projetos técnicos ou aquisição de equipamentos. Isso ajuda a perceber em que ponto cada projeto está e que tipo de apoio ele precisa para avançar”, explica.
A análise da abrangência territorial também permite identificar iniciativas que ultrapassam os limites de um município e beneficiam diferentes localidades. É o caso de projetos relacionados a pontes e estradas, cuja execução pode ter impacto regional.
Articulação busca viabilizar projetos
A partir das demandas identificadas, a proposta é estruturar estratégias de apoio em cinco frentes: apoio institucional, capacitação de lideranças e gestores municipais, documentação técnica e processos de aquisição, elaboração de estudos e projetos e busca por financiamento.
A intenção é aproximar as necessidades dos municípios das capacidades disponíveis em instituições públicas, universidades, organizações da sociedade civil, empresas e potenciais financiadores. Dessa forma, o mapeamento pretende contribuir para uma atuação regional coordenada, facilitando o encaminhamento de projetos considerados estratégicos para a reconstrução e a preparação diante de novos eventos extremos.
A apresentação desta quarta-feira permitirá compartilhar as prioridades identificadas e discutir os próximos passos para fortalecer a articulação entre os municípios e as instituições envolvidas. “O encontro do dia 21 de outubro marcará a apresentação do mapa, construído a partir das necessidades apontadas pelos próprios municípios. O momento permitirá uma leitura conjunta das prioridades identificadas e deverá orientar os próximos passos de articulação em torno dos projetos considerados estratégicos para a reconstrução e a resiliência climática da região”, conclui Stoffel.

