Estrela foi palco neste sábado (15/8) de um desafio gastronômico de grandes proporções. A fumaça do fogo e das brasas tomaram conta do Parque Princesa do Vale, o Parcão, durante o Festival Brasa e Prosa. O chef Edi Dagrê e sua equipe formada por 25 pessoas produziram uma tonelada de Linguiça, sendo 300 kg assados e 700 kg cozidos, meia tonelada de chucrute e 3 foccacias gigantes. A cozinha ao ar livre reuniu
gastronomia, tradição e participação do público. Ao todo, foram servidas cerca de 10 mil porções gratuitamente aos presentes.
Para Edi, estar em Estrela teve um significado especial. A cidade, que comemora 150 anos e tem uma forte ligação com a gastronomia germânica e com o chucrute, recebeu o chef para aquele que ele considera mais um grande desafio da carreira.“É muito bacana, muito trabalhoso também, isso nos envolveu o mês todo. Eu uso duas carretas e trago a equipe toda. Eu gosto de ficar dentro do evento”, menciona.

A preparação começou um mês antes do festival. O chucrute passou por uma semana de fermentação e recebeu uma receita especial desenvolvida para Estrela. A proposta foi fugir da preparação tradicional e criar uma versão mais suave. A receita leva maçã, mel, bacon e bastante manteiga. A ideia, conforme o chef, é “quebrar toda aquela fermentação forte” e deixar o chucrute mais suculento e com uma característica agridoce.
A linguiça também ganhou uma receita exclusiva. Edi desenvolveu a preparação especialmente para Estrela, com endro, canela e alho em pó. A Linguiça Estrela foi criada especialmente para o município e entregue pelo chef como um presente para Estrela. O produto foi registrado no Ministério da Agricultura (MAPA) como Linguiça Estrela. A carne utilizada na produção foi fornecida pelo frigorífico Hammes, do interior do município.
A sócia-proprietária da empresa, Adriana Hammes, destacou a satisfação em participar do projeto.“Foi uma honra, né, ter esse reconhecimento, ter essa chance de poder fazer a linguiça, e a gente está muito contente”, afirmou.

O frigorífico atua há mais de 20 anos e trabalha com carnes suínas e linguiças, abastecendo municípios do Vale do Taquari. Adriana também experimentou a Linguiça Estrela e aprovou o resultado. “Ficou muito boa, maravilhosa”, disse.
A receita desenvolvida por Edi foi apresentada inicialmente a empresários durante um jantar realizado na quinta-feira. O prato reuniu a Linguiça Estrela, o chucrute bávaro e um purê de batatas especial. Segundo o chef, a receptividade foi positiva. “O pessoal gostou muito, a linguiça superou as expectativas”, afirmou. Ele explicou ainda que a receita foi criada por ele e entregue como um presente para Estrela, ficando registrada no mapa do Ministério da Agricultura como Linguiça Estrela.
A chef Marlene, mãe de Edi, também esteve envolvida diretamente na preparação. Com cerca de 50 anos de experiência na cozinha, ela acompanha o filho nos desafios e representa, segundo os dois, uma cozinha mais tradicional. Ela explica que o filho cresceu acompanhando o trabalho dos pais na cozinha. “Ele sempre gostou, mas de uns cinco anos para cá que ele começou a bater recorde, porque na verdade isso não é a profissão dele, isso aqui é um hobby”, afirmou.

Para Marlene, a parceria entre os dois funciona justamente pela diferença entre os estilos. “Ele faz o sofisticado e eu faço raiz e dá tudo certo”, resumiu. No festival, ela ficou responsável pela preparação da focaccia, enquanto também acompanhou o trabalho do filho na produção dos demais alimentos.
A focaccia foi inspirada em uma receita tradicional da Puglia, na Itália, preparada com farinha tipo 00 e fermentação prolongada. A massa começou com uma biga, utilizada para desenvolver sabor, e recebeu alta hidratação.

A participação de sua mãe torna os recordes ainda mais especiais. “Ela acompanha todos os meus recordes, está comigo sempre. É muito bacana poder ter a minha mãe, a família junto”, afirmou.
O chef prioriza em seus recordes a mobilização de fornecedores e profissionais da própria região. A proposta é utilizar os produtos locais para fomentar a economia da região e apreciar a qualidade dos produtos desenvolvidos no Vale do Taquari.
“Vocês têm produtos fantásticos aí”, disse.
Edi também destacou a participação do público. Para ele, cozinhar em grande escala só faz sentido quando o alimento é compartilhado. “Para mim é o maior prazer que eu tenho poder estar dividindo, compartilhando o que a gente tem de mais sagrado, que é o alimento”, afirmou.
A relação de Edi com os grandes desafios gastronômicos começou há cerca de cinco anos. Desde então, ele estabeleceu como meta chegar a 100 recordes mundiais e distribuir um milhão de refeições gratuitamente. Segundo o próprio chef, já são quase 300 mil refeições distribuídas ao longo da sua trajetória.
Uma curiosidade é o nome Edi Dagrê. O chef contou que a brincadeira começou entre amigos, a partir da expressão “vamos lá no Edi da Grê”, “ da Gre” remete à “Greice”, nome da sua esposa. A brincadeira acabou dando origem ao nome pelo qual ele ficou conhecido.
“E agora pegou é chef “Dagrê”.
Além da produção dos recordes, o Festival Brasa e Prosa contou com feira de produtos da agricultura familiar, apresentações de grupos de dança de Estrela e homenagem a estudantes.
A programação do Festival Brasa e Prosa continua neste domingo (16/8) com a etapa brasileira de chefs e assadores. Ao todo, 14 equipes de diferentes estados, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, participam da competição. Serão quatro categorias: costelão de oito ossos, panceta suína, frango inteiro e sobremesa. Os participantes também terão de preparar um acompanhamento e um molho, a partir de uma caixa-surpresa entregue pelo chef Edi Dagrê durante a competição.
Estrela é palco de recordes gastronômicos com linguiça, chucrute e focaccia gigantes

