Para a advogada Marilu Schwarz, o Direito vai muito além de códigos e petições: é a ferramenta diária para realizar os sonhos de quem mais precisa. A paixão pelo que faz e a empatia pelas histórias humanas sempre foram a bússola de sua trajetória. Se no início da carreira ela encontrou no Direito Penal a intensidade do tribunal do júri e o desafio dos bastidores do sistema carcerário, foi no Direito Previdenciário que descobriu sua verdadeira missão, lutar pela dignidade do trabalhador, concretizar direitos e devolver a esperança a muitas pessoas.
A advocacia nunca foi uma carreira morna para Marilu. Durante a graduação, testou seus limites em estágios na polícia, no Ministério Público, na Defensoria Pública e na Justiça Federal. A vivência prática a conduziu ao Direito Penal, área pela qual se apaixonou logo cedo. Durante 2 anos, atuou no tribunal do júri e na defesa criminal em Lajeado, criando tamanha proximidade com o presídio local que ganhou até um filhote de cachorro de presente dos agentes. Para ela, a atuação no crime exigia empatia profunda para lidar com as falhas do sistema.
A virada de chave aconteceu quando a maternidade de Pietro exigiu escolhas. Como mãe quase solo e responsável pelo sustento do lar, Marilu compreendeu que a rotina dos plantões criminais e das diligências noturnas era incompatível com o desejo de estar presente na infância do filho. A transição para a área previdenciária não significou apenas um ajuste de agenda, mas a oportunidade de colocar seu amor pela advocacia a serviço da transformação direta da vida das pessoas.
“A Previdência não está falida”
A advogada afirma que “A previdência social não está falida”, alegando que muitas pessoas propagam isso com intenção de vender outros serviços. Ela explica que o INSS ainda tem o papel de transformar a realidade das pessoas, embora o sistema seja muitas vezes cruel e distante da realidade dos trabalhadores. Ajudar quem trabalhou duro a conquistar a aposentadoria tornou-se sua verdadeira paixão. “A emoção e a gratidão profunda dos clientes ao receberem a notícia reforçam diariamente que o esforço técnico traz frutos imensuráveis”, afirma Marilu.
Atuar no Direito Previdenciário representa fazer o que gosta e ainda colocar sua vocação a serviço do outro. Marilu lembra que seu primeiro cliente tentava se aposentar há nove anos sem sucesso. Ao estudar os documentos e resolver entraves no Sindicato em Bom Retiro, Marilu conseguiu a concessão do benefício em apenas duas semanas e acabou conquistando novos clientes por intermédio desta entidade.
A caneta é mais leve que a pá
A trajetória na advocacia também trouxe reflexões sobre o poder e a assimetria da Justiça. A máxima de que “a caneta é mais leve que a pá” evidencia a força do trabalho intelectual e das decisões políticas frente ao esforço físico do trabalhador. Porém, quem detém a caneta, juízes, promotores e ministros, frequentemente decide alheio à realidade vivida no campo por agricultores ou nas salas de aula por professores.
Para Marilu, a legislação teria que mudar para corrigir tais distorções estruturais. E para isso, a advogada entende que as pessoas precisam acompanhar mais a política e as decisões dos deputados que elegem e apoiam. A população costuma focar no Presidente da República e esquece do Poder Legislativo. “A transformação real depende da conscientização de que deputados e senadores são os verdadeiros responsáveis por elaborar e alterar as leis que regem a sociedade”, explica.
Mudanças na “Vida Louca”
O nascimento de Pietro transformou a identidade de Marilu em todos os aspectos. Do vestuário à linguagem, o salto alto e os brincos compridos deram lugar à praticidade de cuidar de um bebê. A jovem de estilo festeiro e viagens impulsivas deu espaço a uma mulher madura e focada.
Aos 13 anos, Pietro mudou-se para Caxias do Sul para seguir carreira no futebol, antecipando a síndrome do ninho vazio. A casa pareceu grande demais, mas Marilu reestruturou sua rotina mais uma vez: transferiu o autocuidado para a noite e passou a focar o trabalho de manhã, sem abrir mão das suas demandas.
Autocuidado e combate à culpa materna
Para manter o equilíbrio na jornada intensa do escritório, Marilu não abre mão de cuidar de si. Sua rotina inclui academia, pilates e natação. Ela defende energicamente que as mulheres devem ter momentos próprios de lazer, seja tomar uma cerveja, vinho ou chimarrão com amigas, sem carregar a culpa imposta pela sociedade.
Marilu, que já atuou na aplicação da Lei Maria da Penha, e já foi vítima de violência combate a machismo estrutural no âmbito das suas relações. Defende o compartilhamento real das tarefas parentais e a independência feminina, reafirmando que cuidar da saúde física e mental é fundamental para continuar fazendo a diferença na advocacia.

