Leonardo De Ross Rosa construiu caminho profissional entre a quadra, universidade e gestão esportiva. Graduado em Educação Física, especialista em Gestão do Esporte, mestre em Filosofia da Educação e doutor em Ambiente e Desenvolvimento, foi técnico de basquete feminino por 19 anos e acumulou 26 títulos Estaduais em categorias de base, 3 Estaduais Adultos e 2 Campeonatos Brasileiros de Seleções.
A relação com o esporte começou na infância, com passagens pela escola de futebol do Juventude, clube do coração. Aos 12 anos, porém, cresceu e migrou para o basquete, modalidade que jogou até os 18 anos.
“Comecei no Juventude, lá pelos anos 80. Tempo depois, cresci muito e iniciei a prática do basquete. Abandonei o futebol e entrei de cabeça na modalidade”, diz.
Leonardo ressalta que encontrou clubes fortes esportivamente, mas com dificuldades para estruturar a captação de recursos. A especialização em Gestão do Esporte surgiu dessa necessidade.
Um dos primeiros resultados foi a aproximação com a Universidade de Caxias do Sul para um projeto de preparação de atletas.
“Precisei arrecadar recursos para os meus times jogarem. Na época, não tínhamos um marketing e uma administração esportiva estruturados. Nosso clube em Galópolis era dirigido por pessoas abnegadas, mas que não tinham conhecimento para buscar recursos para que aquilo tudo acontecesse”, explica.
A carreira acadêmica ganhou força após o mestrado, quando se mudou para Lajeado e começou a trabalhar na Univates. Em 2011, assumiu a coordenação do curso de Educação Física. Em 2019, passou pela direção do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde e, posteriormente, retornou à coordenação.
Ao completar 15 anos de gestão, Leonardo encerra essa etapa para seguir como professor da instituição. A nova fase, no entanto, não representa um afastamento da gestão.
“Continuo como professor, cumpro com minhas tarefas como professor, mas sempre com olhar de gestão para as coisas, como um organizador do esporte, um fomentador do esporte na busca de projetos”, destaca.
Além do esporte
Na sala de aula, a atuação acompanha a amplitude da própria Educação Física. Leonardo trabalha com temas ligados à saúde, desenvolvimento infantil e adolescência, estágios, basquete, handebol e gestão esportiva.
A experiência de quem esteve por anos na quadra se soma à formação acadêmica para discutir o papel do profissional em diferentes espaços.
Para ele, a separação entre licenciatura e bacharelado trouxe uma formação mais específica. A licenciatura está direcionada à educação básica, enquanto o bacharelado abrange áreas como saúde, gestão, treinamento físico e esportivo.
A consequência, segundo Leonardo, é a necessidade de compreender que são campos distintos e que exigem competências próprias. “Hoje, não tem como um estudante fazer licenciatura em Educação Física e pensar que vai trabalhar com prescrição do exercício. Não tem como um estudante que faz o bacharelado pensar que vai conseguir ter a parte pedagógica que é exigida na escola. São dois universos diferentes”, aponta.
A própria construção curricular da Univates, na avaliação de Leonardo, procurou responder às características do Vale do Taquari. Ele destaca a presença de disciplinas e estágios ligados à saúde pública e ao esporte, área que considera fundamental para uma região com forte tradição esportiva.
“Entendemos que a nossa região é pujante no esporte e precisa dele vivo. O esporte é importantíssimo não só para mantê-lo ativo, mas também porque é a via de aderência das pessoas à atividade física, que vai impactar na saúde”, comenta.
Identidade
A discussão sobre formação também passa, para Leonardo, pela identidade do futebol brasileiro. Ele questiona a redução de espaços espontâneos para a prática esportiva e observa que antigos campos e torneios amadores deram lugar a uma realidade mais estruturada, porém nem sempre acompanhada pela mesma capacidade de formação.
“O Brasil está no futebol, mas sofre com a falta de educação. Nossos atletas são pobres intelectualmente. Eles não constroem cognitivamente a ponto de compreender técnica, tática e desenvolvimento de uma filosofia de jogo”, enfatiza.
Nesse cenário, o professor entende que o esporte não pode ser separado da educação. O atleta precisa desenvolver habilidades físicas, técnicas e cognitivas, mas também precisa compreender o ambiente em que está inserido.
O pensamento ajuda a explicar a própria trajetória de Leonardo. O menino que começou no futebol do Juventude, trocou o campo pela quadra de basquete, virou treinador, buscou conhecimento em gestão, avançou para o mestrado e o doutorado e construiu uma carreira no ensino superior terminou com diferentes experiências e uma mesma convicção: o esporte, para alcançar resultados duradouros, precisa ser acompanhado por formação.

