Segundo pesquisa da Univates, 41% dos estudantes universitários são sedentários

Situação piora entre os acadêmicos que estão há mais de dois anos na Universidade

A rotina acadêmica costuma afastar os estudantes das atividades físicas. É o que mostra uma pesquisa realizada na Univates, pelo diplomado do curso de Educação Física (bacharelado) Luís Lansini. Segundo o estudo, atualmente o sedentarismo atinge cerca de 41% dos estudantes universitários. Os resultados são ainda piores entre as mulheres, que apresentam um índice de sedentarismo de 45,7%, enquanto entre os homens o índice chega a 35,2%.

Os dados vão ao encontro de pesquisas realizadas em outras regiões do país. Na Bahia 41% dos universitários foram considerados sedentários, enquanto no estado de São Paulo o percentual sobe para 43%. Já em âmbito brasileiro o número de sujeitos ativos é maior entre os homens (42,7%), ficando em 33,4% entre as mulheres. Em relação à idade, foi constatado que o número de praticantes é mais expressivo nas idades mais Situação piora entre os acadêmicos que estão há mais de dois anos na Universidade jovens (47% entre 17 e 39 anos), diminuindo com o avançar da idade (30% com mais de 40 anos).

Conforme explica o coordenador do curso de Educação Física (bacharelado) da Univates, Leonardo de Ross, pode ser considerada atividade física todo e qualquer movimento que resulte em gasto energético acima do repouso. “O ideal é que essa prática ocorra cinco vezes por semana em atividades moderadas, de 20 ou 30 minutos de exercício intenso”, garante Ross.

Para a pesquisa, levou-se em consideração o comportamento de 358 estudantes, sendo 199 mulheres e 159 homens, com idade entre 17 a 48 anos. A amostra estudada analisou universitários de 23 cursos da Universidade do Vale do Taquari – Univates regularmente matriculados no ano de 2015 e abrangeu aleatoriamente 10 turmas de disciplinas institucionais.

O nível de sedentarismo foi avaliado por meio do Questionário Internacional de Atividade Física (Ipaq), que considera apenas as atividades físicas moderadas e intensas, bem como caminhadas que tenham sido realizadas por no mínimo 10 minutos ininterruptos. Após os participantes foram classificados em três níveis de atividade física: baixo (considerados sedentários), moderado e alto, sendo os dois últimos classificados como ativos.

Dentre os entrevistados, 47,9% dos estudantes considerados acima do peso, segundo o Índice de Massa Corporal (IMC), apresentaram níveis de sedentarismo. Os resultados também mostram que o fator se agrava conforme o tempo que o acadêmico está na Universidade. Entre os alunos que ingressaram no Ensino Superior há menos de dois anos 36% não praticam atividades físicas, chegando a 48,8% quando analisados os estudantes que estão há mais de dois anos na graduação.

Em relação à rotina, o estudo constatou uma diferença de 4,1% (não significativa) em termos de sedentarismo entre os acadêmicos que trabalham (40,6%) e os que não trabalham (44,7%). Outro dado interessante do estudo indicou que não houve diferenças entre os estudantes alocados nos diferentes centros da Universidade, bem como não fez diferença o turno de estudo dos pesquisados.

Parte desses números Ross também acredita estar relacionada aos reflexos da sociedade moderna, na qual a tecnologia se faz presente em diversos momentos. “Sabe-se da importância do uso da tecnologia, bem como dos avanços que esta trouxe para o nosso cotidiano, porém isso causou uma comodidade excessiva nas pessoas. Ela transformou a atividade física em algo dispensável em muitos casos, diminuindo dessa forma o gasto energético e, como consequência, elevando o nível de sedentarismo”, explica o professor.

Já o professor especialista na área e orientador da pesquisa, Carlos Tiggemann, destaca a importância de alertar para essa situação no país. Segundo ele, poucos estudos são desenvolvidos na área e muitas doenças surgem a cada ano associadas ao sedentarismo. “Atividades físicas em doses insuficientes são um fator de risco para diversas doenças cardiovasculares, bem como para o câncer de cólon e de mama, e ainda para a obesidade, a hipertensão, a depressão e para doenças osteoarticulares”, garante ele. A pesquisa está disponível no site www.revistamundodasaude.com.br .

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