Emoção marca homenagem às Irmãs franciscanas em Estrela

Governo Municipal realizou ato onde reconheceu o legado de duas décadas de serviços prestados à comunidade estrelense

Um ato realizado ao fim da tarde da quarta-feira (12/12), no Salão Nobre da prefeitura de Estrela, marcou a homenagem do Governo Municipal ao legado das irmãs franciscanas, que depois de 21 anos deixam a administração do Hospital Estrela. O reconhecimento oficial foi uma iniciativa da Secretaria de Saúde, que contou com a presença das representantes do grupo, irmã Teresia Steffen e a vice-presidente da mantenedora, irmã Marta Utzig, funcionários do hospital, representantes do corpo clínico, autoridades e lideranças da comunidade. Nos depoimentos de todos, muita emoção.

Os avanços do Hospital neste período de parceria, como a conquista da UTI Neonatal e a implantação da Gestão Plena, o que garante o repasse de recursos com maior prontidão à instituição, o crescimento do número de leitos, o atendimento 24h e outros fatores foram citados como exemplos de significativos progressos obtidos nos anos em que as irmãs estiveram à frente do hospital. “Havia uma época que, mesmo quando estrelense, se nascia em Cruzeiro do Sul, época que o hospital não atendia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, ao cruzarmos por pessoas e mais pessoas em nossas calçadas, não temos ideia dos cidadãos que aqui de fato nasceram ou estão vivas e bem, graças a instituição”, resumiu o secretário da Saúde, Elmar Schneider.

Em nome dos funcionários e do corpo clínico falaram a enfermeira Maria Bernardete Kranz e o médico Protogenes da Cunha Nunes. Emocionados relatos marcaram suas palavras. Da mesma forma, em uma mistura de depoimento pessoal e contextualização histórica, falou a vice-presidente da Câmara de Vereadores, Débora Martins. O padre da Paróquia Santo Antônio, Neimar Schuster, comentou. “É sempre difícil a gente se despedir da nossa família. Mas o espírito de oração e trabalho desta parte da nossa família vai seguir conosco.”

A irmã Teresia Steffen agradeceu as palavras de todos. “Para o franciscano não é comum ficar 21 anos no mesmo lugar. O franciscano é peregrino. Mas então, o que nos levou a ficar aqui?”, questionou ela. Em tom de desabafo, citou alguns dos motivos. “A vontade de manter o único hospital daqui em pé frente tantas dificuldades impostas. Por um SUS que não paga, só exige, um governo que não paga, mas cobra multa”, disse. “Mas a gente não pode ir embora sem dor”, finalizou ela, depois de explicar um pouco de como funcionará a gestão agora com as irmãs da Divina Providência no comando. O prefeito Mallmann foi o último a se manifestar. “Agradecemos a todo o empenho de vocês. É um justo reconhecimento pelos serviços que prestaram ao nosso município e à região ao longo destes anos, desde 2013 quando assumimos. Agradeço muito pelo espaço que sempre nos concederam para o diálogo e as negociações. Peço desculpas se em algum momento falhamos, mas tenham certeza que assim como vocês sempre buscamos fazer o melhor para o sucesso desta parceria.”

Pessoas da comunidade, presentes ao evento, destacaram o trabalho das irmãs. Integrante do Conselho Municipal de Saúde do município, Rosemari Bathke, resumiu a caminhada. “Foram sempre muito dedicadas. Eu sei o quanto o papel delas foi muito necessário e precioso para milhares de pessoas.” Roberto Barth, representante do Bairro Oriental, compareceu ao evento, mesmo com dificuldades de locomoção. “Se a gente aparecia antes em outros momentos para fazer pedidos, realizar cobranças, porque não vir hoje em um dia de justa homenagem?”, indagou ele.

O hospital

O Hospital Estrela foi fundado em 14 de abril de 1929 com o nome de Casa da Saúde Estrelense, iniciando com 25 leitos para atendimentos clínicos, cirúrgicos, obstétricos e pediátricos. Desde sua inauguração passou por muitas transformações, ampliando seu espaço físico e aperfeiçoando-se tecnologicamente. Em 1984, com as grandes mudanças no sistema de saúde e outras dificuldades que foram se somando às administrativas, a mantenedora optou por uma assessoria especializada em gestão hospitalar, que assumiu a instituição em comodato por dez anos.

O hospital foi reassumido pelas irmãs em 1º de julho de 1997 com 46 leitos, descredenciado do SUS e com diversas melhorias a serem implementadas. Pouco a pouco foi restabelecida parte da capacidade instalada e criou-se ambiente para o atendimento integral e universal. Com o retorno das irmãs foram retomados os investimentos, o atendimento pelo SUS e a sua filosofia de trabalho. Hoje são 12 mil metros quadrados de área construída, mais de 400 funcionários, 81 médicos no Corpo Clínico e 142 leitos para internações.

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