Agroindústria vitivinícola é inaugurada em Poço das Antas 

Empresa Sítio Rosa do Vale comercializará vinhos e espumantes.

A tarde de sexta-feira (15/12) foi de celebração para o casal Miriam Santiago e Irani Krindges, da comunidade de Boa Vista, em Poço das Antas. Na ocasião, os produtores receberam de representantes da Emater/RS-Ascar o certificado que legaliza a agroindústria vitivinícola Sítio Rosa do Vale para a comercialização de vinhos e espumantes. Com o documento, o empreendimento está oficialmente incluso no Programa Estadual de Agricultura Familiar (Peaf) da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) do Governo do Estado, estando apto para operações nas esferas sanitária, tributária e ambiental. 

De forma concomitante, o estabelecimento também está registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) do Governo Federal. Com o projeto iniciado em meados de 2022, o sítio tinha o objetivo de oferecer aos visitantes uma experiência diferente, para além da compra de produtos. Nesse sentido, a família disponibiliza ações de imersão, que incluem passeios de trator em pontos turísticos da comunidade, degustação de café colonial, piquenique na parreira e momentos de apreciação da natureza. “Para nós é uma realização e estamos muito gratos por todos que nos apoiaram até aqui”, comentou Miriam. 

Crédito: Tiago Bald / Emater/RS-Ascar

Advogada de formação e natural do Estado de São Paulo, Miriam explica que o apoio da Emater/RS-Ascar e do extensionista Ricardo Cord foi fundamental na consolidação do projeto. “A gente já elaborava os vinhos e os sucos artesanais já que temos parreirais de uvas, então esse foi um caminho meio natural especialmente a partir da ampliação do fomento ao turismo no município”, salienta. Com a formalização do empreendimento, a agricultora celebra a oportunidade de comercializar seus produtos para além dos limites geográficos do município, em feiras e outros. “Acho que se nós crescemos, o município como um todo se fortalece”, avalia. 

Como mulher preta, é praticamente impossível para Miriam não comentar sobre os desafios de implantar um empreendimento em um pequeno município tipicamente alemão, ainda mais com eventos de pisa da uva em meio a rodas de samba, conexões com a ancestralidade, resgate da história dos povos pretos e ideais de afroturismo. Ainda assim, a agricultora comenta o apoio que tem recebido não apenas da comunidade, mas também de lideranças. “Depois do nascimento da minha filha foi que tomei a decisão de investir na atividade rural ao lado do meu marido e posso dizer que estou feliz demais com isso”, comenta. 

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