Delegados detalham operação que investiga contratos em Lajeado

Ação da Polícia Federal apura suspeita de direcionamento e desvio de recursos federais repassados após enchentes de 2024.

Os delegados Gustavo Schneider e Marconi Silva, da Polícia Federal, detalharam na manhã de terça-feira (11/11) a operação que apura possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Lajeado após as enchentes de 2024. As declarações foram apresentadas em entrevista concedida à repórter Paula Apolinário, da Rádio Gazeta de Santa Cruz do Sul, horas depois da deflagração da ação, que envolveu cerca de 100 policiais e o cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão em nove municípios do Estado.

De acordo com o delegado Gustavo Schneider, chefe da Delegacia da Polícia Federal em Lajeado, a operação foi conduzida em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e teve bases operacionais montadas em Caxias do Sul, Porto Alegre e Santa Cruz do Sul. Desses pontos partiram equipes para o cumprimento dos mandados em Garibaldi, Carlos Barbosa, Guaporé, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Lajeado, Muçum e Encantado. “Um dos locais de cumprimento foi na própria Prefeitura de Lajeado”,  relatou Schneider. 

O delegado Marconi Silva, coordenador da operação, explicou que a investigação tem origem nos repasses de recursos federais ao município para ações emergenciais de assistência social. Segundo ele, o inquérito aponta indícios de direcionamento em um contrato firmado para prestação de serviços terceirizados de assistência à população atingida pelas cheias. “Há indicativos de que o contrato tenha sido realizado com direcionamento à empresa investigada”, afirmou Silva

Conforme o delegado, foram apreendidos nove veículos, além de aparelhos eletrônicos, celulares e documentos vinculados aos contratos sob suspeita. O Poder Judiciário também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 4,5 milhões em contas de investigados. “O material apreendido será analisado pela equipe de investigação. Ao final, os resultados serão comunicados à população”, destacou.

Silva explicou ainda que, até o momento, não há indiciados. A apuração está em fase inicial, com quebra de sigilos bancário e telemático já autorizada. “Após a análise do material coletado, poderão ocorrer indiciamentos, mas neste momento não é possível afirmar”, declarou.

Dinheiro vivo

Durante diligências realizadas na manhã de terça-feira (11/11), a PF apreendeu R$ 411 mil em escritório do ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo. A quantia foi encontrada no escritório de advocacia do qual o ex-prefeito é sócio. Segundo a PF, o dinheiro foi apreendido em espécie e faz parte da investigação que apura possível direcionamento de licitação para contratação de serviços na área da Assistência Social. 

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