Pix reduziu para 6% a circulação de dinheiro físico

Sistema de pagamentos automático fez aniversário como o mais utilizado no país

Cinco anos após o lançamento, o Pix consolidou uma mudança estrutural no comportamento financeiro dos brasileiros. O sistema de pagamentos eletrônico reduziu a circulação de dinheiro físico a apenas 6%, de acordo com pesquisa realizada pelo Google. Em 2019, o uso de cédulas e moedas representou 43% das transações e era o meio de pagamento mais utilizado naquele período. Hoje, essa posição pertence ao próprio Pix, que encerrou 2024 respondendo por 47% de todas as transações financeiras do país.

Diretora da Supermercados Zart, Bruna Zart testemunhou a transformação provocada pelo Pix no varejo. Segundo ela, a tecnologia trouxe uma grande praticidade para os clientes, por eliminar a necessidade de carregar dinheiro ou cartões, resultando até mesmo na redução das filas. “O Pix tem um impacto muito positivo, pois democratizou o pagamento eletrônico, reduziu muito os custos operacionais da empresa e facilitou a vida do consumidor”, relata.

Conforme Bruna, a adesão ao Pix aumentou de acordo com as atualizações e melhorias promovidas no sistema de pagamentos. Ela lembra que, entre 2023 e 2024, as instabilidades do sistema provocaram uma pequena queda no número de clientes que optaram pela modalidade. “Tivemos um crescimento de 70% da forma de pagamento digital via Pix em 2025. Agora, com as notícias de que o Pix também vai funcionar por aproximação, teremos uma alta ainda maior”, acredita Bruna.

Para a diretora do Zart, todas as mudanças provocadas pela tecnologia no varejo fazem com que as empresas precisem se adaptar. “A operação se movimenta e as coisas vão ficando melhores a cada dia”, destaca.

Criado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2020, o sistema de pagamentos instantâneos movimentou R$ 26,4 trilhões apenas no ano passado. O valor é equivalente a quase duas vezes o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2024. De janeiro a outubro deste ano, o volume transacionado já alcançou R$ 28 trilhões.

Impactos no cooperativismo

O impacto da ferramenta é evidenciado pelas cooperativas de crédito da região. Para a gerente de relacionamento do Sicoob São Miguel, Morgana Pletsch, os 5 anos do Pix representam avanços na velocidade, tecnologia e redução de custos.

Ela lembra que o Pix segue sendo uma ferramenta totalmente gratuita, enquanto a transferência bancária era cobrada. “Ele trouxe benefícios para lojistas e empresas, que recebem instantaneamente e com liquidez imediata, sem descontos”, afirma.

Segundo ela, a evolução da funcionalidade ampliou a adesão com mecanismos como o Pix Agendado, que facilita o pagamento de despesas mensais. “Hoje, muitos boletos já vêm com QR Code para pagamentos por Pix, o que facilita tanto para o emissor quanto para o lojista no momento de receber”, destaca.

Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Sicredi Ouro Branco RS/MG, Diego Schonhorst afirma que o Pix elimina intermediários e compensações bancárias, reduzindo tarifas e custos para a cooperativa e seus associados. “Com menor volume de transações em espécie, o papel das agências físicas se amplia como um espaço para atendimento consultivo, personalizado e de convívio para a comunidade”, afirma.

Na Cresol, o comportamento dos associados confirma a mudança estrutural no uso de serviços financeiros. Gerente da unidade de Teutônia, Simone Dessoy observa que o Pix redefiniu a rotina de operações, oferecendo mais segurança, agilidade e inclusão. “Antes, a TED gerava preocupação sobre confirmação, devolução e erros. Com o Pix, tudo acontece de forma instantânea”, ressalta.

Segurança e atualização

Se no início das operações do sistema ainda havia desconfiança quanto à confiabilidade da ferramenta, as melhorias constantes do Pix ajudaram a ampliar a segurança. Morgana lembra que nos primeiros meses de funcionamento, havia problemas quando a pessoa digitava um número ou letra incorreta e o valor acabava indo para um destinatário diferente do pretendido. “Hoje, existe a possibilidade de contestar o envio, e o Banco Central trabalha constantemente em melhorias para reforçar a segurança”, reforça.

O gerente do Sicredi afirma que os golpes e fraudes se caracterizam como um desafio de todo mercado financeiro. Por isso, é fundamental adotar práticas seguras. “O Sicredi desenvolve ações de conscientização e dissemina boas práticas digitais para mitigar riscos. Temos mecanismos de verificação e de bloqueio preventivo, entre outras ações”, destaca.

Entre as atualizações recentes, destaca o Pix Automático, que permite pagamentos recorrentes com uma única autorização. “Essa funcionalidade traz benefícios relevantes para associados pessoa jurídica, reduzindo tarefas operacionais e custos. Além disso, a integração do Pix com sistemas de gestão amplia as possibilidades de automação e permite que empresas conectem pagamentos e recebimentos”, aponta.

Conforme Simone Dessoy, as constantes atualizações da ferramenta prometem um futuro ainda mais promissor ao sistema. “A cooperativa segue preparada e sempre buscando evoluir junto com o sistema financeiro para oferecer as melhores experiências aos seus associados”, conclui.

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