Operação Máscara: Polícia Civil desarticula organização criminosa especializada no golpe do “falso familiar”

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, deflagrou na manhã desta quarta-feira (10/12) a Operação Máscara, uma ofensiva de grande porte que mira uma organização criminosa interestadual especializada no golpe do “Falso Familiar” ou “Golpe do Novo Número”. A ação contou com suporte técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab/CGCIBER/Diopi/Senasp), do Ministério da Justiça; e apoio operacional das Polícias Civis de Goiás e Mato Grosso. Ao todo, cerca de 80 policiais foram mobilizados nos três estados.

Até o momento, três pessoas foram presas, e diversas provas foram recolhidas para avançar na investigação.

Golpe sofisticado e estrutura profissionalizada

A investigação — que se estendeu por um ano — revelou uma associação criminosa altamente estruturada, com divisão de tarefas e profundo domínio das brechas do sistema financeiro digital. O grupo se passava por familiares das vítimas, geralmente filhos ou sobrinhos, apresentando situações emergenciais para induzir transferências imediatas.

O inquérito foi impulsionado pelo caso de um morador gaúcho que perdeu R$ 10.135,00 acreditando socorrer o filho.

A polícia identificou quatro funções principais dentro do esquema:

  • Captadores: responsáveis pelo primeiro contato com a vítima;
  • Conteiros: primeiros recebedores das transferências;
  • Distribuidores: encarregados de pulverizar rapidamente o dinheiro;
  • Operadores financeiros: titulares de contas digitais que davam aparência de legalidade às transações.

Uso de boletos e contas digitais dificultava o rastreamento

Um dos principais desafios do rastreamento do dinheiro foi o uso de boletos bancários de plataformas digitais e a circulação de valores entre diversas carteiras digitais. Cada transação passava por ao menos sete contas, o que impedia a recuperação imediata do valor e dificultava a identificação dos responsáveis.

Medidas judiciais cumpridas

A operação foi deflagrada prioritariamente em Goiás, base logística da organização, para cumprir simultaneamente:

  • 09 prisões temporárias;
  • 20 mandados de busca e apreensão de provas físicas e digitais;
  • bloqueio de 09 contas bancárias, usadas para movimentar valores ilícitos.

A Delegada Luciane Bertoletti, responsável pelo inquérito, destacou a importância da integração entre as forças policiais e a estrutura de inteligência do Ministério da Justiça para atingir tanto os executores quanto o núcleo financeiro da organização.

O Delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª DPRM, reforçou que a operação representa um passo importante na repressão qualificada aos golpes digitais. “Com inteligência e integração, conseguimos compreender a engrenagem desses grupos e proteger mais cidadãos desse tipo de fraude”.

A Polícia Civil reforça à população que comunicações oficiais são sempre enviadas por e-mails funcionais e alerta empresas e cidadãos a verificarem a autenticidade de documentos antes de fornecer informações.

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