O sábado (28/3) foi de emoção durante a celebração dos 85 anos da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Gomes Freire de Andrade. O evento ocorreu no salão da Comunidade Católica de Languiru. Autoridades, alunos, ex-alunos e a comunidade enalteceram a trajetória da instituição, que se tornou um pilar comunitário para Teutônia.
Fundado em 1941 como uma Escola Isolada e apenas 11 alunos, o educandário evoluiu de estruturas de madeira (as antigas “brizoletas”) para uma infraestrutura moderna, e hoje se destaca na região e estado, tanto no quesito estrutura quanto na qualidade de ensino.
Conforme a coordenadora da 3ª Coordenadoria Estadual de Educação (CRE), Greicy Weschenfelder, a Gomes é reconhecida pelo fazer pedagógico com intencionalidade e autonomia. “É uma história renomada, feita a muitas mãos. A atual equipe gestora é muito dedicada. Com seu grupo de professores e funcionários, faz um trabalho de muita qualidade”, enaltece ela. Um reflexo dessa excelência, segundo Greicy, é a constante disputa por vagas, o que demonstra o prestígio da instituição no Vale do Taquari.
Com quase 20 anos de atuação na Gomes, a diretora Aline Stacke Eckardt enfatiza que o evento foi planejado para homenagear todos que fizeram e fazem parte da caminhada de 85 anos do educandário em busca do melhor para a educação.
“Se coisas boas acontecem na Gomes é porque essa parceria família-escola existe. Enquanto conseguirmos manter isso, as coisas funcionarão bem. O sucesso e a felicidade dos alunos dependem diretamente do vínculo entre família e escola. Educar só funciona quando se tem família, alunos só aprendem e são felizes se têm vínculo, e isso nós temos”, conclui. Também enaltece a parceria entre as três escolas estaduais do município, responsáveis por uma educação de excelência na cidade.
As demais autoridades presentes reforçaram a importância da escola. O vice-prefeito e secretário de Educação, Evandro Biondo, destacou que a instituição cuida do que há de mais importante, os filhos da comunidade. O ex-aluno, com filhas e esposa envolvidas no educandário, agradeceu às equipes diretivas pelo trabalho realizado.
Filha de Teutônia e reitora da Univates, Evania Schneider conectou a existência do ensino superior à base sólida oferecida por escolas como a Gomes Freire e ao incentivo dos pais. “A Univates só existe porque há pais que incentivam os filhos a se formarem e a constituírem os nossos municípios”, citou.
Homenagem aos ex-diretores
O evento reuniu cinco ex-diretores do educandário: Enilton Teixeira Goethel, Karen Drehmer, Ilaine Fensterseifer, Alessandra Hollmann Sulzbach, Gelci Marlene Böhm Christ – além da atual, Aline. Eles receberam uma homenagem dos educadores.
Eis que, no momento de fotografá-los, surge uma das professoras da escola e diz: “Quero uma foto com eles, pois sou a única servidora a ter trabalhado com todos os diretores”.
Vanusa Wink Sulzbach completa 30 anos de Gomes Freire no dia 13 de maio. Há três décadas, ela deixou a Escola Estadual de Ensino Fundamental Tancredo de Almeida Neves para atuar na Gomes junto às Séries Iniciais. “Saí contrariada, pois estava encantada com a disciplina de Artes. Mas, até certo ponto, fiquei feliz, pois adorava trabalhar com os pequenos”, aponta.
A professora atuou 4 anos com a 1ª série. A partir de 2000, a direção da escola novamente lhe desafiou. Deu a ela a tarefa de ensinar Religião para todas as turmas. Em 2002, nova oportunidade, na qual ela está até hoje: lecionar a disciplina de Arte – na qual se formou e adora trabalhar.
“Tive a oportunidade de ter o diretor Enilton na época de estudante e de professora. Como estudante, sempre tive muito medo, pois ele era sério e mantinha ordem no ambiente escolar. Como profissional, atuei com ele por 1 ano. Lembro que, durante as reuniões de professores, todos prestavam atenção”, cita Vanusa.
Segundo ela, a diretora Karen sempre lhe ajudava quando encontrava dificuldade. “Até porquê, quando cheguei na escola, assumi a turma dela”, lembra. Já a diretora Ilaine foi quem lhe desafiou a assumir a disciplina de Ensino Religioso do 6º ano do Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio. Dois anos depois, lhe convidou a lecionar Arte.
“Foi uma profissional que vivia para a escola, trabalhava com rigidez”, aponta. Sob sua direção, Vanusa teve a oportunidade de realizar oficina de Culinária e Pintura. A atividade era oferecida no turno inverso às aulas normais. “Os alunos ficavam ansiosos, principalmente quanto às atividades envolvendo culinária. Foi uma troca de receitas e de muita aprendizagem”, lembra.
Na época da diretora Alessandra, Vanusa lembra muito dos momentos envolvendo a gincana. “Era uma pessoa que sempre apresentava tarefas novas. Foi uma profissional que me acolheu muito, ouvia muito as dores e os desafios diários dos alunos e profissionais”, enaltece a professora.
Já a diretora Gelci era uma pessoa preocupada com o bem e a aprendizagem dos alunos. “Teve que enfrentar vários desafios, em especial, o período da pandemia. Muitas dúvidas, reclamações, mas tentava resolver da melhor forma possível”, aponta Vanusa.
Mais adiante, a diretora Aline assumiu. “Uma profissional comprometida com a escola, que enfrenta diariamente muitos desafios, assim como nós, profissionais, em função das mudanças no sistema educacional. Apesar disso, tenta ajudar da melhor forma a todos na escola”, completa a professora.
Por fim, Vanusa agradece a oportunidade de atuar na Gomes, de quem também foi aluna por 4 anos. “Cada profissional teve e tem o seu jeito da administrar da melhor forma possível. Tenho orgulho de fazer parte desta instituição de ensino. Sei que os tempos mudaram, mas continuo a acreditar na educação. Tive e tenho alunos e colegas fantásticos”, finaliza Vanusa.
Assim como o carinho demonstrado pela professora, o baile de 85 anos da Gomes Freire de Andrade registrou não só a presença de dezenas de pessoas, mas um salão preenchido com afeto, boas lembranças e orgulho pela instituição que cresce cada vez mais, sustentada por pilares forjados no desejo, no trabalho comunitário e em uma educação de excelência.

