O Grupo Popular promoveu nesta sexta-feira (22/5) a quarta edição do Fórum Coopop. Integrado à programação da Festa de Maio 2026, o evento reuniu líderes cooperativistas, empresários, gestores e associados para discutir o papel da liderança e da intercooperação diante das transformações econômicas, sociais e climáticas que impactam a região.
A programação iniciou com um painel mediado pelo presidente da Fuvates, Carlos Cyrne, reunindo os presidentes da Certel, Erineo Hennemann, e da Certaja, Renato Martins. Os dirigentes abordaram a evolução do cooperativismo regional, os desafios de gestão e os exemplos de apoio mútuo entre cooperativas.
Conforme Hennemann, o cooperativismo ocupa posição estratégica no desenvolvimento econômico e social de Teutônia e do Vale do Taquari. Segundo ele, a presença das cooperativas na região fortalece um modelo de desenvolvimento baseado na participação coletiva e na proximidade com os associados.
O presidente da Certel também apresentou dados da cooperativa, fundada em 1956 com 176 associados. “Atualmente, a entidade possui quase 80 mil cooperados e atua em 48 municípios, organizados em seis microrregiões”, destacou
Conforme Hennemann, a cooperativa modificou nos últimos anos sua forma de relacionamento com os associados. Em vez de concentrar reuniões e assembleias na sede administrativa, a Certel passou a descentralizar os processos de governança. “A cooperativa vai ao encontro do associado, e não mais o associado até a cooperativa”, disse.
Segundo ele, o modelo fortalece o sentimento de pertencimento e amplia a participação dos cooperados nas decisões da entidade. Hennemann afirmou ainda que o cooperativismo precisa acompanhar as mudanças da sociedade, conciliando inovação, sustentabilidade, eficiência financeira e responsabilidade social. “O grande desafio para que tudo isso ocorra é a participação”, ressaltou.
O presidente da Certaja, Renato Martins também apresentou dados da cooperativa, que completa 57 anos em 2026. A organização atua em 20 municípios, possui cerca de 28 mil cooperados e mantém mais de 5,2 mil quilômetros de rede elétrica, principalmente em áreas rurais.
Conforme Martins, o crescimento da Certaja acompanhou a transformação do meio rural ao longo das últimas décadas. Segundo ele, a ampliação da rede elétrica permitiu o avanço da produção agrícola, a mecanização das propriedades e a melhoria da qualidade de vida das famílias do interior. “A cooperativa deixou de atender apenas demandas básicas de energia e passou a lidar com uma necessidade cada vez maior de capacidade e estabilidade no fornecimento, impulsionada pela modernização das atividades econômicas no campo”, ressaltou.
Auxílio na enchente
Para os dirigentes, as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024 exemplificam o funcionamento e a importância da intercooperação. Hennemann lembrou que a Certel foi uma das cooperativas mais atingidas pela tragédia e recebeu auxílio de cooperativas de diferentes regiões do Estado e de Santa Catarina. Conforme o presidente, a enchente destruiu mais de 1,2 mil postes, cerca de 150 transformadores e provocou danos em diversos trechos da rede elétrica. “Todos estiveram voluntariamente aqui para ajudar a Certel a religar a energia da população”, afirmou.
Martins relembrou que, quando ingressou na Certaja em 1973, buscou auxílio técnico junto à Certel para compreender a contabilidade aplicada ao cooperativismo. “Foi numa troca de experiência com a Certel que eu fundamentei as minhas bases para trabalhar na contabilidade das cooperativas”, afirmou.
Conforme o dirigente, as cooperativas chegaram a compartilhar profissionais da área de engenharia como forma de reduzir custos e ampliar a capacidade de atendimento. Outro exemplo citado foi o apoio dado ao Sicredi no início da operação de uma agência em Taquari. “A Certaja cedeu espaço físico e funcionários para auxiliar no início das atividades da instituição financeira cooperativa”, relatou.
Martins destacou ainda o funcionamento dos planos de contingência entre cooperativas de energia em situações de emergência climática, além das de maio de 2024. Segundo ele, equipes da Certel, Coprel, Coopernorte e cooperativas de outras regiões já atuaram em conjunto para acelerar reparos em sistemas elétricos atingidos por temporais. “Uma situação que talvez levaríamos 10 ou 12 dias para resolver acaba sendo solucionada em dois ou três dias com essa mobilização conjunta”, afirmou.
Formação de líderes
Após o painel, o fórum seguiu com palestra do especialista em liderança, Antônio Medeiros, conduziu a palestra “Liderança que cobra, fortalece! Liderança que pressiona, adoece… pessoas e negócios”. Durante a apresentação, Medeiros defendeu que a liderança está presente em todos os ambientes sociais e não apenas nas empresas e ressaltou a importância da formação de líderes para a perpetuação das cooperativas.
Segundo Medeiros, liderança não é uma característica inata, mas um comportamento que pode ser desenvolvido ao longo da vida. “A liderança não é um processo de conhecimento, é um processo de comportamento”, disse.

O palestrante também diferenciou liderança e chefia. Conforme ele, ocupar um cargo não significa necessariamente exercer influência positiva sobre as equipes. “O chefe ocupa um cargo, mas se ele faz o mal para a sua equipe, ele pode ser o chefe, mas não necessariamente é o líder”, afirmou.
Medeiros defendeu ainda que cooperativas e empresas invistam em programas estruturados de formação de líderes, unindo conhecimento técnico e desenvolvimento humano. “O verdadeiro líder deve se preocupar em preparar quem ocupará o seu lugar”, destacou.

