A Justiça de Teutônia decretou a prisão preventiva do motorista apontado como responsável pelo acidente que resultou na morte de dois jovens na madrugada de 1º de janeiro de 2026. A decisão atende a pedido do Ministério Público e foi assinada pelo juiz Luís Gustavo Negri Garcia da tarde desta quarta-feira (29/4). Cerca de 1h após o mandado, ele foi preso pelos policiais militares.
O mandado de prisão foi expedido às 15h26 e autoriza a prisão de João Francisco Tavares da Silva (65), com recolhimento a uma unidade prisional. Na decisão, o magistrado destaca que “a magnitude do fato e a periculosidade demonstrada pelo agente exigem uma resposta estatal mais enérgica para resguardar a ordem pública” .
O pedido partiu do promotor de Justiça, André Prediger, que encaminhou denúncia nesta quarta-feira (29/4). O material de nove páginas foi prontamente acolhido pelo juiz. “Medidas cautelares diversas da prisão mostram-se inadequadas e insuficientes frente à extrema gravidade concreta do fato e ao resultado letal duplo, não sendo capazes de neutralizar o abalo à ordem pública e social”, concluiu Prediger. Ele embasou o pedido em diferentes artigos legais.
O promotor citou que o denunciado teve ação conscientemente agressiva ao volante e assumiu o risco de causar a morte ao conduzir o veículo sob efeito de álcool, em alta velocidade, avançando via preferencial e deliberando as normas de trânsito. “O crime é grave. As suas consequências mais ainda. A vida de dois jovens foi abruptamente ceifada. As famílias encontram-se indignadas. Não somente com a ação destruidora do denunciado, que já leva sua vida normalmente, apresentando-se novamente nas festas e nos “bailinhos” da comunidade como se nada houvesse praticado“, ressalta.
O MP também arrolou testemunhas para serem ouvidas. Ele cita os manifestos realizados como passeatas, cartazes e camisetas estampando imagens das vítimas e a palavra Justiça. “Os familiares das vítimas e a sociedade de Teutônia anseiam por uma resposta mais enérgica das autoridades públicas“, destaca Prediger.
O juiz considerou presentes os requisitos legais para a prisão preventiva, como prova da materialidade e indícios de autoria. A decisão também aponta que a conduta revela “total desprezo pela vida humana e pelas normas mais elementares de convivência social e de trânsito”, evidenciando risco à ordem pública.
Além disso, o magistrado entendeu que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da gravidade concreta do caso. O processo tramita como ação penal do Tribunal do Júri, com imputação de duplo homicídio qualificado.
Com o recebimento da denúncia, o acusado deverá ser citado para apresentar defesa no prazo legal. Após essa etapa, o processo seguirá para análise e possível designação de audiência de instrução e julgamento.
Relembre o acidente
O acidente ocorreu logo após a virada do ano, na madrugada do dia 1º de janeiro de 2026, no cruzamento das ruas Ewaldo Hilgemann e Major Bandeira, no Bairro Languiru, esquina das empresas Estilo Casa e Magras.
O acusado trafegava com o VW Gol na Rua Ewaldo Hilgemann, invadiu a preferencial (Major Bandeira) em alta velocidade e atingiu a motocicleta com os jovens. Ele fez o teste do etilômetros, que acusou 0,13 mg/L.
Conforme a denúncia, o acusado conduzia o veículo sob influência de álcool, em alta velocidade, quando realizou uma ultrapassagem indevida próxima ao cruzamento, invadiu a via preferencial e colidiu com a motocicleta das vítimas.
“Realizou manobra extremamente perigosa, ultrapassagem indevida a poucos metros de cruzamento, avançou via preferencial sem reduzir velocidade e sem qualquer manobra de frenagem”, diz trecho do relato do promotor.
O condutor da moto, Paulo Victor da Silva Costa (19) morreu à 1h10 no Hospital Ouro Branco, em Teutônia. A caroneira, Evelyn Marrote da Rosa, recebeu atendimento inicial, foi transferida para o hospital de Canoas, onde faleceu às 18h16min do dia 1º de janeiro.

