O dia 1° de maio é um dia marcante para trabalhadores, sendo eles formais ou informais. A data celebra as conquistas das manifestações operárias realizadas nos Estados Unidos em 1886, qem busca de melhores condições e a redução da jornada para oito horas diárias. Os protestos em Chicago se tornaram símbolo da luta trabalhista mundial e levaram à criação da data como homenagem internacional em 1889. No Brasil, o feriado foi oficializado em 1924 e fortalecido posteriormente com a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) durante a Era Vargas.
A luta começa todas as manhãs quando se inicia mais uma jornada de trabalho. Juliana Nunes da Rocha está entre os trabalhadores que iniciam o dia ainda durante a madrugada. Moradora de Triunfo, ela acorda às 4h da manhã para pegar o ônibus e chegar ao trabalho às 6h15 em Teutônia. Antes do início do expediente, às 7h, aproveita o tempo para tomar café.
No total, ela passa cerca de duas horas por dia apenas no transporte. A calçadista relata as dificuldades enfrentadas por quem depende do transporte coletivo, especialmente para resolver compromissos pessoais, já que muitas vezes é necessário perder um dia inteiro de trabalho.
Juliana soube da vaga por meio de uma vizinha que já atuava na empresa e decidiu aceitar o desafio há alguns meses. Mesmo com a rotina cansativa, ela afirma gostar do trabalho.

No supermercado Passarela, Régis Gaicoa atua há quase dois anos como auxiliar de compras. Ele pega o ônibus às 6h20 para chegar ao trabalho às 7h. A jornada segue até o meio-dia, retornando às 13h30 e encerrando às 16h40.
Para ele, ter um emprego é fundamental na renda familiar, principalmente porque atualmente a esposa está desempregada. Gaicoa também destaca a importância da educação financeira e da inserção dos jovens no mercado de trabalho. “É importante saber administrar o dinheiro e entender a importância do trabalho”, afirma.
Muito além de um emprego, o trabalho faz parte de formação de identidade, caráter e sociabilidade.

Após cinco anos afastada do mercado profissional, Roseli da Silva voltou a trabalhar no comércio e atua como caixa em uma farmácia. Há oito meses na função, Rose, como conhecida pelos colegas, conta que o retorno trouxe novos aprendizados e oportunidades.
Moradora de Westfália, ela também utiliza o transporte coletivo diariamente para chegar ao trabalho. Aos 53 anos, ela considera a experiência de retornar ao mercado em um novo segmento positiva. “É muito bom trabalhar porque ocupa a cabeça e ficamos mais atualizados”, comenta.

As trajetórias de Juliana Nunes da Rocha, Régis Gaicoa e Roseli da Silva refletem diferentes realidades presentes no mercado de trabalho da região. Entre deslocamentos diários, adaptação a novas funções e a busca por estabilidade financeira, os relatos mostram a rotina de trabalhadores que movimentam o comércio local e conciliam jornadas extensas com as responsabilidades pessoais e familiares.

