Nathan Zamith: “Há um ano eu estava na Terceirona, hoje jogo a Série C”

Aos 20 anos, atacante que passou pelo futebol do Vale do Taquari vive nova etapa em Erechim.

O futebol profissional costuma ser medido pelos minutos em campo, gols e resultados. Para Nathan Zamith, porém, a fase atual da carreira também é resultado de uma caminhada construída com paciência, trabalho e oportunidades.

Aos 20 anos, o ele vive um novo capítulo no Ypiranga de Erechim, depois de ganhar destaque pelo São Luiz de Ijuí na Série D do Campeonato Brasileiro.

A mudança aconteceu após campanha de destaque com a equipe ijuiense. Zamith marcou três gols no mata-mata da Série D e chamou a atenção do Ypiranga. A proposta surgiu logo após a eliminação do São Luiz, e o jogador não hesitou diante da possibilidade de defender um clube tradicional.

“É uma sensação inexplicável. As coisas aconteceram por intermédio de muito trabalho. Pude chegar aqui no Ypiranga e fui bem recebido por todos”, relata.

A estreia ocorreu diante do Floresta, em vitória por 4 a 1. Nathan entrou no segundo tempo e permaneceu 22 minutos em campo.

Para o atacante, a principal diferença percebida entre os clubes está na intensidade. O nível de treinos, a velocidade das partidas e as condições dos gramados fazem com que as decisões precisem ser tomadas em um espaço de tempo ainda menor.

No Colosso da Lagoa, ele encontrou uma estrutura importante para a evolução. Ele lembra que, durante a passagem pelo São Luiz, as condições climáticas prejudicaram em alguns momentos a qualidade dos campos de treinamento e de jogos.

A adaptação também passa por um elenco com jovens e experientes. O grupo do Ypiranga é comandado por Gabardo Júnior, que tem trabalho muito com a diferença de gerações.

Virada de chave

Na classificatória, disputou apenas uma das primeiras partidas como titular. A partir da segunda fase, ganhou sequência e aproveitou a oportunidade.

O desempenho ajudou o São Luiz a avançar no torneio e enfrentar adversários de diferentes estados. A campanha terminou nas oitavas de final, mas o rendimento individual do atacante abriu uma nova porta.

“Assim que acabou lá, o Ypiranga formalizou a proposta. Como não vir para um clube tão grande assim?”, questiona.

A passagem por Ijuí também ganhou importância porque aconteceu depois de um período de poucas oportunidades no Itabirito, de Minas Gerais. Pelo clube, Nathan entrou em campo apenas no fim do Estadual, mas teve atuação que considera marcante diante do Atlético Mineiro.

A história de Nathan tem uma ligação importante com o futebol do Vale do Taquari. Antes do profissional, passou pelo Esperança de Languiru e por outras equipes da região. Também vestiu a camiseta do Lajeadense e, posteriormente, do Guarani de Venâncio Aires.

Foi no Lajeadense que começou a experimentar a transição entre o amador e o profissional. A passagem pelo clube, especialmente em 2025, ajudou a abrir portas para a sequência da carreira.

Depois, veio o Guarani de Venâncio Aires e o título invicto da Terceirona Gaúcha. A conquista teve peso importante na trajetória do jogador e ampliou sua visibilidade.

Pouco mais de 1 ano depois de disputar a competição, Nathan está inserido no cenário da Série C nacional.

“Há um ano, eu estava no Guarani de Venâncio em uma terceira divisão estadual e hoje me pego numa Série C de Campeonato Brasileiro”, resume.

Amador x profissional

A trajetória permite falar sobre uma questão recorrente no futebol: por que tantos jogadores talentosos permanecem no futebol amador mesmo com condições para tentar uma carreira profissional?

Para ele, a diferença técnica é apenas uma parte da resposta. O principal contraste está na intensidade. No profissional, o atleta é submetido a trabalhos físicos, táticos e técnicos em um nível muito mais elevado todos os dias.

No amador, existe a possibilidade de controlar o ritmo da partida. No profissional, a exigência é permanente.

O fator econômico também é um ponto. Como o calendário do futebol brasileiro apresenta períodos sem competições para muitos clubes, o jogador nem sempre consegue manter uma renda durante todo o ano. Para alguns, a remuneração do amador acaba como uma alternativa mais segura.

A escolha, portanto, não passa apenas pela vontade de ser profissional. Envolve risco, estabilidade financeira e a possibilidade de permanecer empregado.

Oportunidades

A experiência de Nathan também influencia sua visão sobre a formação de jogadores no Rio Grande do Sul. Natural de São Paulo, ele compara os dois cenários e entende que os clubes gaúchos poderiam oferecer mais oportunidades aos atletas formados na base.

Para ele, Rio Grande do Sul possui estrutura e centros de formação capazes de produzir jogadores de qualidade. O desafio estaria, muitas vezes, em transformar essa formação em oportunidades efetivas no time principal.

A relação pode ser positiva para os dois lados. O atleta ganha espaço para se desenvolver, enquanto o clube pode encontrar soluções esportivas e, eventualmente, formar jogadores capazes de gerar retorno financeiro.

A experiência pessoal é utilizada como exemplo. Ele reconhece que apostar em um jovem envolve riscos, mas entende que a oportunidade é indispensável para que novos talentos apareçam.

Três decisões

Na Série C, o Ypiranga entrou na reta decisiva da primeira fase. Com três partidas restantes, a equipe encara Guarani, Ferroviária e Amazonas em busca da classificação.

Nathan vê os jogos como finais. O planejamento envolve preparação nos treinos, análises dos adversários, vídeos e estudos de pontos fortes e vulnerabilidades para preparar o elenco.

A importância desse trabalho ficou evidente na vitória sobre o Floresta. Nathan explica que os gols nasceram de situações que haviam sido identificadas previamente pela comissão, especialmente em bolas paradas e transições após a recuperação da posse.

“É igual estudar na escola. Passamos o tempo com análises e observações sobre como podemos atacar os pontos mais fracos e defender as válvulas fortes do time adversário”, avalia.

A estrutura também chamou a atenção do jovem. Entre comissão técnica e profissionais responsáveis pelo suporte ao elenco, Nathan estima que cerca de dez pessoas atuem no trabalho diário, cada uma com funções específicas.

Estabilidade tranquiliza

Estar em um clube com calendário e planejamento proporciona estabilidade, algo que Zamith considera raro na carreira de um jogador de futebol.

Além da disputa da Série C, o Ypiranga possui o Campeonato Gaúcho no horizonte. Essa perspectiva permite ao atleta pensar em continuidade e não apenas na próxima competição.

Nathan deixa claro que pretende permanecer em Erechim caso tenha essa possibilidade. O clube, segundo ele, abriu as portas em um momento importante da carreira e proporcionou uma recepção positiva desde os primeiros dias.

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