A trajetória das Lojas Becker, iniciada em 1952, em Salvador das Missões, acompanha a transformação do varejo gaúcho e a diversificação dos negócios da família. Além das lojas, o grupo atua nos segmentos de logística, indústria, consórcio, serviços financeiros e seguros.
Em entrevista ao Inteligência Empresarial, da Rádio Popular, o diretor Eleonor Becker revisitou os principais momentos dessa história. Aos 13 anos, começou a trabalhar ao lado do pai e, aos 16, assumiu funções na área financeira. Aos 70 anos, participa de uma nova fase de expansão e modernização da empresa, que também avança na preparação da sucessão familiar.
Grupo Popular – Quando começa a história das Lojas Becker?
Eleonor Becker – O início foi uma pequena ferraria, em Salvador das Missões. Em 1952, meu pai construiu essa ferraria, onde fabricava enxadas, pás, trituradores de cereais, carroças e outros produtos. Em 1959, abrimos a primeira loja. Depois vieram o centro de distribuição, a transportadora, o consórcio, a financeira, a indústria e a corretora de seguros. Hoje temos 260 lojas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Crescemos sempre com estrutura própria e pensando muito na logística.
GP – Como foi a tua entrada nesse negócio da família?
Eleonor Becker – Eu comecei com 13 anos, trabalhando na fabriqueta com meu pai. Estudava de manhã e trabalhava à tarde, depois invertia. Aos 16 anos, tive a emancipação para trabalhar com os bancos e comecei a fazer empréstimos. Eu vinha do interior, 12 quilômetros, de ônibus ou de carona, para trabalhar com os bancos todos os dias.
GP – De onde veio o espírito de negociação que acabou impulsionando a expansão?
Eleonor Becker – Nós tínhamos uma loja em Salvador das Missões e uma filial em Cerro Largo. Comecei a comprar diretamente das fábricas aquilo que conseguia e o restante no atacado. Depois construímos lojas em cidades pequenas e fomos crescendo. Quando chegamos à loja número 14, em Santa Rosa, percebemos que havia espaço para avançar. A partir dali abrimos lojas em cidades maiores e a expansão ganhou força. Tivemos uma época em que abríamos 100 lojas. Era uma por mês, alternando lojas pequenas e maiores.
GP – Por que manter a estrutura administrativa em Cerro Largo?
Becker – Porque temos uma estrutura muito forte aqui e uma logística que funciona muito bem. Nosso centro de distribuição atende boa parte do Rio Grande do Sul, do Oeste de Santa Catarina e do Paraná. Os caminhões levam mercadorias e retornam trazendo produtos de fábricas. É um giro que reduz custos. Só a Becker tem no Brasil esse sistema de puxar da fábrica para os depósitos e depois distribuir diretamente para as lojas.
GP – Qual o mix de produtos oferecidos pela Becker?
Becker – Temos lojas de eletromóveis e outras que também trabalham com material de construção. O mix está sempre mudando, buscando produtos melhores e mais modernos. Também temos uma indústria de máquinas e implementos agrícolas e fabricamos produtos exclusivamente para as nossas lojas, como betoneiras, serras-fita para carne, churrasqueiras rotativas, portas e janelas.
GP – Como a Becker enfrenta o desafio da mão de obra no varejo e na indústria?
Becker – Temos vagas sempre abertas. Hoje não estamos abrindo tantas lojas justamente pela falta de pessoas. Para abrir uma loja, precisamos de gerente e de uma equipe, e está bem complicado formar essas equipes. Se tivéssemos pessoas disponíveis, poderíamos abrir mais lojas.
GP – Qual é a estratégia para unir o varejo físico e o digital?
Becker – A internet é hoje a maior concorrente das lojas físicas. Mas eu acredito que a loja física nunca vai acabar. Talvez tenhamos que reduzir o mix ou adaptar o número de funcionários conforme as vendas, mas as pessoas ainda querem entrar na loja, ver e pegar o produto. Algumas lojas podem ter mais dificuldade, mas acredito que as lojas físicas vão sobreviver. Estamos há 3 anos trabalhando na modernização das nossas lojas. Até o fim do ano, praticamente todas as lojas estarão remodeladas.
GP – A nova loja de Teutônia segue essa lógica?
Becker – Teutônia já merecia há mais tempo uma loja assim. A nossa loja anterior era uma das menores da rede. Agora temos um espaço duas vezes maior, com muito mais produtos expostos. O cliente gosta de pegar, ver e olhar. Então estamos oferecendo mais opções de refrigeradores, fogões, móveis e outros produtos. É uma forma de retribuir aos clientes que nos acompanham há 16 anos.
GP – Como a Becker prepara a sucessão familiar?
Becker – Eu comecei com 13 anos, meu filho também começou com 13 e hoje está com 38, trabalhando ao meu lado. Minha filha também trabalha na empresa. Agora vêm os netos, de 15 e 12 anos, que já começam a conhecer a empresa. É importante ensinar desde cedo e preparar as pessoas para dar continuidade. Eu acho que nossa empresa familiar deve ir bem longe.
GP – Que recado o senhor deixa para os clientes da Becker de Teutônia e de toda a região?
Becker – Queremos agradecer a todos por serem nossos clientes e por sempre terem confiado em nós. Se não tivéssemos essa confiança, não teríamos feito o investimento que fizemos em Teutônia. O negócio precisa ser bom para os dois lados: para o cliente e para quem vende. Queremos crescer juntos com toda essa região.

