Mais de 50 municípios participaram do 2º Seminário Regional de Educação Fiscal, realizado nesta quarta-feira (30/9), em Teutônia. Promovido pelo Grupo de Educação Fiscal do município, o encontro reuniu mais de 200 participantes na sede da Sicredi Ouro Branco para discutir a função social dos tributos, a participação da comunidade no acompanhamento dos recursos públicos e os impactos da reforma tributária.
A programação combinou palestras, apresentação de experiências desenvolvidas em escolas e municípios, teatro e reflexões sobre comportamento e inteligência emocional. Prefeito de Teutônia, Renato Airton Altmann afirma que a educação fiscal está diretamente relacionada ao exercício da cidadania e não deve ser confundida com educação financeira. “A educação fiscal é um verdadeiro ato de cidadania”, classifica.
O pagamento de impostos representa o custo que todo o cidadão tem para viver em sociedade. “A educação fiscal é necessária para que tenhamos educação de qualidade, saúde e segurança, mas, acima de tudo, o acompanhamento da forma como esses recursos são aplicados”, afirmou Altmann.
A discussão ganhou um componente adicional diante das mudanças previstas pela reforma tributária. A alteração na lógica de distribuição da arrecadação, com maior peso para o local de consumo, preocupa municípios cuja economia está fortemente baseada na produção e na atividade industrial.
Altmann considera que o tema exige preparação por parte dos gestores municipais e acompanhamento da sociedade. “É uma pauta preocupante, mas cabe a nós, enquanto gestores, buscar soluções”, destacou.
Reforma muda lógica da arrecadação
A palestra de abertura foi conduzida por Vanderlei Salazar Fagundes da Rocha, da DPM Educação, que abordou os impactos da reforma tributária para os municípios. Segundo ele, as administrações ainda estão em um período de adaptação às novas regras, especialmente aquelas que possuem forte característica produtora. “Não haverá mais arrecadação na origem do produto, e sim no destino, onde ele é consumido”, aponta.
Rocha ressaltou que ainda existe expectativa de alterações na regulamentação para reduzir eventuais impactos sobre os municípios produtores. A implantação, porém, ocorrerá de forma gradual, o que mantém um período de transição para as administrações se prepararem. “É um momento de apreensão porque tudo vai depender da implantação efetiva da reforma tributária. A partir de 2029 é que o jogo começa de verdade”, afirmou.
Apesar das incertezas, o palestrante avaliou que a reforma pode produzir mudanças na estrutura tributária brasileira ao reduzir a complexidade do sistema e alterar mecanismos de cobrança. “Entendo que a reforma tributária, como ela está se desenhando, traz benefícios à população e aos contribuintes”, afirmou.
Educação fiscal começa na escola
Além da discussão sobre a estrutura tributária, o seminário apresentou iniciativas que procuram aproximar o tema do cotidiano da população. Uma delas foi a experiência da EMEF Leopoldo Klepker, apresentada pelo professor Clóvis Adilson Hauenstein e pelos estudantes que participaram do Desafio Intermunicipal de Educação Fiscal 2026.
A equipe de Teutônia conquistou o sexto lugar entre 30 participantes e compartilhou durante o evento o trabalho desenvolvido pelos alunos. Outra experiência apresentada foi a desenvolvida na EMEF Tancredo de Almeida Neves. Ariberto Magedanz relatou as ações relacionadas à Nota Fiscal Gaúcha e os impactos da iniciativa na comunidade escolar.
A programação também teve espaço para a produção artística dos estudantes do Teutônia Cultural. Eles apresentaram a peça “Fiscalização Teatral: quem gosta do imposto?”, preparada especialmente para o seminário. A atividade utilizou o teatro como forma de abordar a relação da sociedade com os tributos e a fiscalização.

Alunos do Teutônia Cultural apresentaram a peça “Fiscalização Teatral: quem gosta do imposto?” / Crédito: Thiago Maurique
Coordenador do Grupo Municipal de Educação Fiscal, Fernando Scholz apresentou a campanha A Sorte Mora Aqui, que incentiva o consumo em Teutônia e a emissão de documentos fiscais. O evento também foi palco do segundo sorteio da iniciativa, que contemplou 10 consumidores com prêmios em dinheiro de R$ 250 e R$ 500.
“O profissional precisa estar emocionalmente preparado”
Palestrante do Grupo Propósito, Júnior Kaufmann encerrou o 2º Seminário Regional de Educação Fiscal. Em sua palestra ele abordou a inteligência emocional e sua relação com a rotina dos profissionais que atuam no setor público.
Grupo Popular – Por que falar de inteligência emocional em um seminário sobre educação fiscal?
Júnior Kaufmann – O servidor público, assim como o setor privado, enfrenta um período de intensa pressão. São carreiras que demandam alta responsabilidade e, muitas vezes, carecem de reconhecimento, tornando essencial o cuidado com o aspecto emocional para a plena execução de suas funções. A inteligência emocional é a base de todas as nossas decisões, das mais simples às mais complexas.
Grupo Popular – Como isso se relaciona com as mudanças provocadas pela reforma tributária?
Kaufmann – Estamos diante de uma dupla pressão, a carga interna e a necessidade de lidar com o público, que também se encontra apreensivo. O profissional precisa estar emocionalmente preparado para essa mediação. A inteligência emocional baseia-se em cinco competências fundamentais. Entre elas estão a percepção da emoção alheia e a gestão de relacionamentos, que são especialmente importantes para quem trabalha diretamente com o público. As demais estão relacionadas ao desenvolvimento da própria consciência emocional e à forma como lidamos com aquilo que sentimos antes de transformar uma emoção em comportamento. O profissional precisa reconhecer o que está acontecendo internamente para, a partir disso, oferecer respostas mais assertivas e estabelecer relações mais equilibradas.
GP – Qual é o primeiro passo para o desenvolvimento da inteligência emocional?
Kaufmann – O passo fundamental é o exercício da autoconsciência. É preciso reconhecer o que sentimos e identificar os padrões de comportamento que repetimos. Precisamos abandonar a postura de vítima das circunstâncias e assumir a responsabilidade sobre nossas escolhas. Ninguém pode ser libertado de uma prisão se não estiver consciente de que nela se encontra. Tudo se inicia no momento em que decidimos olhar para dentro com honestidade e assumir o protagonismo do nosso desenvolvimento.

