Rodrigo Sivinski: “O Cruzeiro não começa e não termina neste ano, ele tem que seguir nos próximos”

Auxiliar técnico destaca que clube aposta na força do grupo e no futebol como parte da reconstrução após as enchentes.

O Cruzeiro voltou a disputar o Campeonato Regional Certel Sicredi da Associação de Ligas do Vale do Taquari (Aslivata) em um momento especial para o município de Cruzeiro do Sul. Depois de um período marcado pela pandemia e pelas enchentes que atingiram o município, o clube retomou a participação na principal competição amadora do Rio Grande do Sul.

Dentro de campo, entretanto, o começo está complicado. O Cruzeiro perdeu os três primeiros jogos da Série A: 1 a 0 para o Brasil, 1 a 0 para o Juventude, em Westfália, e 2 a 0 para o Juventude de Guaporé. Ainda sem pontuar, a equipe precisa reagir nas próximas rodadas para buscar a classificação entre os 16 melhores.

Para o auxiliar técnico Rodrigo Sivinski, apesar dos resultados, o time apresentou competitividade e não há motivo para colocar todo o trabalho em dúvida. “Não é porque perdeu que está tudo errado, que tem que reformar. Tem coisas muito boas no nosso grupo e jeito de jogar, que precisam ser mantidas, e coisas pontuais que serão corrigidas”, avalia.

Na avaliação da comissão técnica, o Cruzeiro precisa aproveitar melhor os momentos decisivos das partidas e transformar o detalhe da derrota em triunfos. “Perdemos os dois primeiros jogos no detalhe, mas fizemos boas partidas e competimos. Não adianta, o futebol é assim, precisa fazer os pontos”, destaca.

O próximo compromisso será diante do Gaúcho, em Progresso, no dia 30 de agosto. Depois, o Cruzeiro recebe o Canabarrense e encerra a primeira fase contra o Minuano, em Canudos do Vale.

Para Sivinski, a experiência das equipes que disputam o Regional há vários anos também pesa. O Cruzeiro está em fase de reconstrução de seu grupo e, por isso, pode enfrentar dificuldades naturais de uma retomada. “Talvez o Cruzeiro vá pagar esse preço para formar a equipe. A ideia do projeto é ano que vem ter de novo, seguir de um ano para o outro”, explica Rodrigo.

Futebol reconstrói

Cruzeiro do Sul foi duramente atingido pelas enchentes, que também afetaram campos e estruturas esportivas. O próprio Cruzeiro teve dificuldades para utilizar seu campo e precisou buscar outros locais para mandar suas partidas.

Sivinski lembra que, em comunidades atingidas pelas cheias, o retorno do futebol teve um significado especial. “Me emocionou muito quando recebemos uma rodada no Bom Fim. Até o pessoal que trabalhou na cozinha estava emocionado porque achava que nunca mais íamos fazer futebol”, conta.

Foi por esse movimento provocado pelo Regional em outras comunidades que surgiu a vontade de recolocar Cruzeiro do Sul na competição. “Acompanhávamos o Regional e víamos a festa que era feita em várias comunidades, aquela coisa de receber o jogo grande e as torcidas. Com isso pensamos: por que não proporcionar isso em Cruzeiro do Sul?”, relata.

A equipe foi formada após o Campeonato Municipal, conquistado pelo Cruzeiro. O técnico Cleber Pereira teve papel importante na montagem do elenco, especialmente pelos contatos construídos ao longo dos anos no futebol.

A proposta é que o Cruzeiro represente o município como um todo. Jogadores ligados a clubes como Tamoio, Bom Fim e 15 de Novembro também foram incorporados ao projeto. “É a camiseta e o escudo do Cruzeiro, mas representamos um município que tem muita gente que gosta de futebol”, afirma.

A estreia, mesmo fora do próprio campo, mostrou a força desse vínculo. Cerca de 100 torcedores ligados ao Cruzeiro acompanharam a partida no Estádio do São Rafael, além de pessoas de outras comunidades.

Agora, a equipe precisa fazer os resultados aparecerem. Sivinski entende que a classificação ainda é possível, mas reconhece a necessidade de reação. “Não tem facilidade para ninguém. Encaramos o desafio e precisamos trabalhar, é momento de mobilizar para dar a resposta em campo”, resume.

Retomar e seguir

Para o auxiliar, o Regional de 2026 deve ser encarado como o primeiro passo de um projeto maior. A intenção é criar identificação, continuidade, fortalecer o clube e manter o futebol ativo em Cruzeiro do Sul.

“O Cruzeiro não começa e não termina nesse campeonato. Ele tem que seguir ano que vem e nas próximas temporadas. Precisa ser uma construção constante e que cresça a cada jogo”, ressalta.

Dentro de campo, são três derrotas e nenhum ponto. Fora dele, porém, o clube representa uma comunidade que voltou a se reunir em torno do futebol depois de momentos difíceis.

A missão agora é transformar essa retomada em reação. O Cruzeiro terá três jogos pela frente para buscar os pontos necessários e manter vivo o objetivo de avançar no Regional.

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