A trajetória empresarial de André Damiani é marcada pelo princípio de manter o cliente como ponto central dos negócios. Formado em Administração de Empresas pela PUCRS em 1992, ele construiu uma carreira de mais de 30 anos no segmento moveleiro, período em que esteve à frente de operações da Florense.
Desde 2007, Damiani também atua na construção civil como sócio da construtora DNW. Ao lado de Marcos Nesello e Leandro Wendt, a DNW tem mais de 40 mil metros quadrados de obras entregues e novos empreendimentos em execução. Em 2026, assumiu a presidência da Construmóbil, com o desafio de contribuir para a evolução da feira e, ao mesmo tempo, ampliar os aprendizados que leva para a gestão dos próprios negócios.
Grupo Popular – Como começa a tua trajetória no empreendedorismo?
André Damiani – Sou bacharel em Administração de Empresas, formado pela PUC em 1992. Trabalhei por mais de 30 anos no ramo moveleiro. Minha trajetória passa pela Bom Tempo, empresa de São Marcos que abriu uma loja em Porto Alegre em 1992. Antes disso, eu já era vendedor da loja. No final de 1994, início de 1995, surgiu a oportunidade de ser franqueado da Florense. Eu poderia escolher entre Lajeado, Santa Cruz do Sul ou Santa Maria. Santa Cruz foi a primeira empresa que abrimos.
GP – Quando você se mudou para o Vale do Taquari?
Damiani – Em 1998, eu já morava em Lajeado por opção e abrimos a filial na cidade. Fiquei na Florense até 31 de agosto de 2023 e ainda concluí alguns trabalhos até 2024 ou 2025. Foram praticamente 30 anos de história na empresa. Nesse meio tempo, em 2007, abri, junto com o Marcos Nesello e o Leandro Wendt, a DNW, que é uma construtora. Hoje são 19 anos e, desde 2023, passei a me dedicar mais à DNW.
GP – Qual o tamanho da DNW hoje?
Damiani – Já temos mais de 40 mil metros quadrados de obras entregues. Entregamos recentemente um prédio de 12,5 mil metros quadrados, o Altos da 15, no Bairro Florestal, em Lajeado. Estamos com dois empreendimentos em execução. O Titânio, prédio de 13 pavimentos que fica na Rua Matias Rockenbach e o Área, que é praticamente o primeiro empreendimento focado em locação de curta temporada, ao lado do Imec do Centro. São 14,5 mil metros quadrados, 22 pavimentos e 195 unidades.
GP – Você ainda mantém outros negócios?
Damiani – Eu ainda tenho uma marcenaria, a Ana Vigrio, da qual sou parceiro, e tenho meus sócios que tocam lá. Também tenho uma empresa de investimento imobiliário com o Daniel Brunetto. Para se manter em qualquer segmento, precisamos de algumas premissas básicas de administração. Sou bacharel em Administração, sou empresário, não atuo como administrador, mas faço administração. Você precisa saber o que, quando, como e por quê.
GP – Quais são os pilares fundamentais da gestão das suas empresas?
Damiani – Uma das coisas é que você nunca pode gastar mais do que ganha. O dinheiro da empresa não é da empresa, é do cliente que comprou. Às vezes somos meio restritos em falar de dinheiro, mas o dinheiro que entrou serve primeiro para atender o cliente. Depois, se sobrar alguma coisa, vai para quem trabalha lá ou para o dono. Se você não atender bem o cliente, nada funciona. O segredo é atendimento, comprometimento e prazo. E tudo isso chamamos de qualidade. Na construção é a mesma coisa. Como vendo na planta, tenho que cuidar do prazo, da qualidade e superar a expectativa. Na minha trajetória, quem me mantém vivo é o cliente.
GP – Quais são as principais diferenças entre o setor moveleiro e a construção civil?
Damiani – Os setores são diferentes principalmente pelo timing. Dificilmente vou fazer uma casa com você morando dentro dela. Na construção, existe a execução de um produto que pode ser definido por uma construtora, e eu corro o risco de vender ou não. Na marcenaria de móveis projetados, primeiro preciso atender o cliente pelo projeto e depois executar. É uma venda certa, mas o cliente é o autor do projeto. Muda muito a questão da autoria e do pertencimento. Na DNW, tentamos trazer o cliente para dentro da empresa para ele olhar aquilo que comprou. O mobiliário é mais imediatista e ansioso, enquanto o imóvel permite mais tempo para amadurecer.
GP – Como a tecnologia tem transformado esses setores?
Damiani – Todos os segmentos têm tendências. No mobiliário, por exemplo, a tendência passou a ser pelos curvos. Até o fim dos anos 1990 não tínhamos MDF, e a evolução do maquinário permitiu móveis curvos, pintados, com laca e novas ferragens. Na construção acontece algo parecido. A tecnologia permite executar projetos antes impossíveis. A arquiteta Zaha Hadid tinha projetos de gaveta porque não havia tecnologia para executar determinados vidros e formas curvas. Hoje, com a evolução tecnológica, muitos desses prédios são construídos. A tecnologia permite que o design avance e projetos mais sofisticados sejam executados.
GP – Como foi assumir a presidência da Construmóbil?
Damiani – Fui convidado em dezembro pelo Joni Zagonel, pelo Eduardo Gravina e pela Adriana Nunes Machado. Antes de confirmar, consultei o Marcos, o Daniel, todos os meus sócios e minha família. A função demanda tempo e energia, mas também é um grande aprendizado. A equipe da Acil e a Adriana são gigantes, e esses aprendizados consigo levar para minha vida e meus negócios. Representar essa terra que me acolheu tão bem, o Vale do Taquari, é um orgulho e um reconhecimento. Temos a responsabilidade de melhorar a feira na medida do possível, honrando quem esteve antes de nós e deu o máximo para construí-la.
GP – Como você projeta o futuro dos negócios?
Damiani – É difícil para quem é inquieto pensar em segurar. Eu escolhi ser empresário e pretendo me manter atuante enquanto puder, talvez em um ritmo menor, fazendo sucessão. Mas enquanto puder estar próximo dos clientes, estarei, porque é o que faço melhor. Sobre o futuro do setor, trabalhamos com pessoas e atendimento personalizado. Com tanta tecnologia, queremos pessoas por perto. A pandemia mostrou que as pessoas querem conforto, viver bem e estar perto de quem amam. A tecnologia nos dá mais tempo para aproveitar essa convivência.

