Uma das mais tradicionais representantes do cooperativismo gaúcho, a Cooperativa Vinícola Aurora foi tema da reunião almoço da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (ACIL), realizada nesta quarta-feira (23/9). Diretor de Marketing e Vendas, Rodrigo Arpini Valério apresentou a trajetória da empresa, que completou 95 anos com a projeção de chegao ao centenário com um faturamento na casa de R$ 1 bilhão.
A empresa que chegou em 2025, com receita de R$ 874,8 milhões e 93,3 milhões de quilos de uva recebidos foi fundada em 1931 por 16 produtores de Bento Gonçalves. Atualmente, a cooperativa reúne cerca de 1,1 mil associados e mais de 500 colaboradores, em operação que envolve produtores de outros 11 municípios da Serra Gaúcha. Ao abordar a trajetória da empresa, Valério destacou três momentos de forte impacto para a organização nas últimas décadas.
O primeiro ocorreu em 1995, quando uma crise financeira levou a cooperativa a passar por um processo de reestruturação. O segundo foi em 2023, quando a Aurora enfrentou uma crise de reputação devido a acusação de exploração de trabalho escravo, provocada a partir da contratação de uma empresa terceirizada. Já em 2024, os impactos climáticos atingiram diretamente a produção, com deslizamentos de terra destruíram 70 hectares de parreiras, com perda superior a 1 milhão de quilos de. uva.
A capacidade de superar períodos de dificuldade e adaptar a gestão aos novos cenários foi apresentada como uma característica construída ao longo da história da cooperativa. Para Valério, a dimensão atual da Aurora exige conciliar os resultados da operação com a relação mantida com os produtores. “Gerir uma organização complexa, envolvendo uma vasta comunidade, exige um equilíbrio constante entre sustentabilidade, rentabilidade e o compromisso real com nossos associados e funcionários”, afirmou.
Investimentos
A cooperativa mantém uma agenda de investimentos visando cumprir os objetivos para o centenário. Em 2025, foram destinados R$ 42 milhões para a indústria, dentro do processo de modernização da estrutura e ampliação da capacidade operacional. A estratégia de crescimento também passa pela busca de novos mercados. A Aurora mantém presença internacional em países como o Japão, onde atua há mais de 30 anos. Segundo Valério, a exigência desses mercados contribui para elevar os padrões de qualidade da produção. “Ao exportar para países exigentes, elevamos nosso padrão de qualidade e confiança. Nosso objetivo é aplicar essa técnica e excelência no mercado brasileiro”, destacou.
A meta de alcançar R$ 1 bilhão em faturamento está inserida nesse processo de crescimento, enquanto a cooperativa busca preservar o modelo que está na origem da organização. Conforme Valério, a cooperativa chega ao aniversário de 95 anos mantendo a estrutura associativa original, mas em uma escala muito diferente daquela de sua fundação. “Hoje, a Aurora mantém sua essência cooperativista, mas opera sob uma ótica moderna, priorizando a governança corporativa e as melhores práticas de gestão do mercado”, concluiu.

