Antes de pensar em pódios, rankings e competições, Lucas Luersen era apenas um menino que queria acompanhar o pai nos pedais. Aos 14 anos, o jovem de Teutônia começa a colher resultados de uma caminhada construída com paciência e muito treinamento ao lado da Associação Teutônia Ciclismo (ATC).
A bicicleta entrou na rotina ainda na infância. O pai, Marcelo Luersen, costumava sair para pedalar, e se tornou a principal referência do filho. No começo, os treinos eram curtos, quase como passeios em família.
Aos 10 anos, Lucas fazia entre até 3 horas semanais sobre a bicicleta. O volume aumentou e acompanhou a evolução nas competições e a mudança de categoria.
“Sempre via o pai e ficava com muita vontade de ser igual, me perguntava quando eu ia poder ir junto com ele, pois queria seguir esse caminho”, lembra.
Em pouco tempo, a brincadeira ganhou contornos competitivos. Lucas passou pelas primeiras provas com uma bicicleta semelhante às de BMX e começou a disputar competições ainda criança.
Mais tarde, direcionou a preparação para as provas de estrada, resistência e contrarrelógio, modalidades nas quais passou a obter resultados.
Disciplina
O crescimento esportivo não significou deixar a escola em segundo plano. Pelo contrário. Lucas está no 8º ano e mantém rotina que exige planejamento para conciliar provas, treinos e competições.
Hoje, são cerca de 10 a 11 horas semanais entre bicicleta e academia, além dos cuidados com alimentação, recuperação e acompanhamento profissional.
Lucas também tem orientação nutricional, principalmente para os treinos mais longos, que podem chegar a 4 horas e superar os 100 quilômetros.
Para ele, aumentar a carga de forma desordenada não é o caminho. A evolução precisa acontecer em etapas. “Será sempre uma escadinha. Talvez, no futuro eu faça 20 horas de treino por semana. Hoje, se tentar algo assim, estarei acabado na outra semana”, explica.
A preocupação com o equilíbrio também aparece fora da bicicleta. O atleta entende que a preparação exige disciplina, mas não abre mão dos momentos com os amigos. Videogames, sair e se divertir fazem parte da rotina quando o calendário permite. “Levo tudo em uma balança. Tem que conseguir equilibrar os dois, descontrair e ficar dentro da dieta quando necessário”, acrescenta Luersen.
Resultados e futuro
A estratégia tem dado resultado. Na categoria Infanto Juvenil B, destinada a atletas de 12 a 14 anos, ele disputa o Campeonato Gaúcho, formado por oito etapas que somam pontos para o ranking. Nas provas individuais, o ciclista também acumulam boas marcas.
Em edição recente do Brasileiro terminou como vice-campeão no contrarrelógio e alcançou a 5ª colocação na prova de resistência disputada em Londrina.
A trajetória inclui participação nos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs). Em 2026, Lucas disputou as provas de sprint e resistência, quando conquistou duas medalhas. Na de sprint, terminou em 3º. Já na de resistência, alcançou a 2ª colocação. No ciclismo virtual, Luersen levou a medalha de ouro.
Embora já tenha resultados importantes, o ciclista sabe que ainda está no início de um processo e que mudanças físicas e esportivas acontecerão nos próximos anos. Por isso, prefere olhar para o desenvolvimento gradual.
O sonho é continuar no esporte e, no futuro, buscar uma carreira profissional. Ao mesmo tempo, mantém alternativas ligadas à área da saúde, como nutrição e educação física. A ideia de conciliar diferentes caminhos foi ensinada em casa e faz parte da formação do atleta. “Meu pai falava que o estudo era a coisa mais importante que eu ia ter na minha vida e que isso ninguém tiraria de mim”, diz.
Ponto de partida
Lucas começa a olhar para além das provas gaúchas. Como o calendário estadual ainda oferece poucos eventos para sua categoria, a busca por competições em Santa Catarina, no Paraná e no Uruguai passa a ser importante para manter ritmo e enfrentar adversários de diferentes níveis.
Nesse cenário, a ATC aparece como uma das bases para o crescimento. O garoto reconhece a importância da estrutura da equipe e também defende uma maior divulgação da modalidade entre os jovens. Para ele, o ciclismo pode oferecer uma alternativa esportiva para quem procura uma atividade diferente dos esportes coletivos.
A trajetória ainda está longe de terminar, mas Lucas já conhece a pressão da largada, a concentração exigida durante uma prova e a frustração de uma queda. Também, descobriu a satisfação de cruzar a linha de chegada entre os primeiros.

