Saúde mental entra em debate em Teutônia diante do aumento da demanda

Café com o HOB reuniu comunidade para discutir o tema

O Hospital Ouro Branco (HOB), de Teutônia, realizou a 5ª edição do Café com o HOB na terça-feira (29/9), no auditório 3 da CIC Teutônia, com a pauta saúde mental. “Nós procuramos desenvolver temas que sejam relevantes para a nossa comunidade. É um tema que vem tomando uma proporção muito grande. Nós chamamos líderes religiosos, municipais, estaduais, médicos e de comunidades para ficarem atualizados sobre o que está acontecendo”, afirma o diretor executivo, Gilson Silveira.

A demanda por atendimento em saúde mental já supera a capacidade do hospital. “Nós temos a limitação de área física. Hoje temos nove leitos para saúde mental e há fila de espera. Temos pacientes, jovens, adultos, de idade. Sempre há uns 15, 20 pacientes aguardando”, detalha.

A coordenadora de saúde mental da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), Ariane Jacques Arenhart; o subsecretário de Saúde de Teutônia, Natanael Anastácio; a psicóloga e coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Lídia Maria Erbes e o coordenador da Saúde Mental e psiquiatra do HOB, Nael Hamid participaram do painel.

O diretor médico técnico do HOB, Guilherme Vogt mediou a discussão. “Apesar de ser cardiologista, cerca de 30% das minhas consultas envolvem essa temática”, explica.

Lídia afirma que as enchentes agravaram a saúde mental na região. “Os dados mostram que as pessoas que já estavam adoecidas por alguma dessas comorbidades e tiveram uma piora em seus quadros, e quem ainda não estava acabou desenvolvendo sintomas”, explica.

As enchentes não deixaram apenas impactos materiais na região. Para Natanael, o deslocamento de moradores após as cheias também aumentou a demanda por serviços de saúde. “Nosso principal desafio é o aumento significativo da demanda. Desde maio até aqui, tivemos mais de 1.500 transferências do SUS para o nosso município. Com o crescimento populacional, há um crescimento de casos. O desafio é localizar essas pessoas e chegar até quem realmente precisa”, exemplifica.

Para o psiquiatra Nael, a percepção sobre os transtornos psiquiátricos precisa mudar para que os pacientes reconheçam a necessidade de cuidado. “A psiquiatria carrega um estigma histórico. As pessoas acham que ter um problema psiquiátrico é um rótulo definitivo, diferente da cardiologia. E o principal: o paciente precisa ter consciência do seu problema para que o tratamento funcione”, assegura.

Estrutura

O Vale do Taquari dispõe de rede formada por hospitais e serviços especializados. Segundo Ariane, nove hospitais oferecem mais de 80 leitos voltados ao atendimento na área. “Quando qualquer pessoa chega a uma porta de entrada da rede pública, deve ser bem acolhida. Embora o desafio seja imenso e o sistema não seja perfeito, hoje Teutônia e o Vale do Taquari contam com uma rede estruturada para oferecer suporte desde a prevenção até o atendimento especializado”, apresenta.

Economia

Apesar de a saúde mental ter ganhado espaço, ainda há fragilidades. “Desde a pandemia, se fala muito em saúde mental, mas eu vi pouca efetividade. Falamos bastante do sofrimento da nossa sociedade e da saúde mental como algo importante, mas em vários aspectos, e também no financiamento, a gente vê uma fragilidade”, diz Ariane.

Ela também defende a ampliação de recursos, porém acompanhada de uma mudança na compreensão sobre o cuidado. “Precisamos de recursos, mas precisamos entender que o cuidado não é simplesmente chegar no posto de saúde e agendar psicóloga. Precisamos mostrar que na porta de urgência e emergência se cuida do cardíaco e se cuida da saúde mental”, conclui.

Panorama

Desde o início do ano, o Hospital Ouro Branco registrou 96 internações, com uma média de 16 dias de permanência hospitalar. O Bairro Canabarro concentra a maior parcela de pacientes, com 32% das internações, seguido por pacientes da região do interior, que representam 10%.

Em relação aos diagnósticos, os principais registros correspondem à dependência de álcool e outras drogas (38%) e à depressão (32%).

A distribuição por faixa etária indica predominância de adultos entre 30 e 59 anos, que representam 65% dos pacientes. Quanto ao gênero, os homens correspondem a 68% das internações, enquanto as mulheres representam 32%.

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