Governo do Rio Grande do Sul anuncia redução no ICMS da gasolina

Conforme anuncio do Governo do RS, a medida acarretará diminuição de receita, resultando em R$ 2,8 bilhões a menos de arrecadação no segundo semestre

Na manhã de sexta-feira (1º/7), o governador do Estado, Ranolfo Vieira Júnior, anunciou em coletiva de imprensa, que o governo do Estado se ajustará à Lei Complementar 194, proposta pelo Governo Federal, que determina em 17% a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo.

A adesão à nova medida terá uma redução de R$ 0,71 no ICMS da gasolina. Ao mesmo tempo, a arrecadação por parte do Estado terá uma queda de R$ 2,8 bilhões no segundo semestre. Em relação aos demais itens da lei – energia elétrica, comunicações e transporte coletivo –, a medida não produzirá efeito, pois o Estado já está em conformidade com a norma proposta da União.

Ranolfo ressalta que lei está em debate e discussão jurídica no Supremo Tribunal Federal. “Como não tivemos liminar em relação a ela, passamos a aplicá-la. Já praticamos uma das menores alíquotas do país. Somos favoráveis à redução de impostos, inclusive baixamos recentemente o ICMS da gasolina de 30% para 25%. Entretanto, sabemos que essa medida terá um custo elevado para a arrecadação do Estado. Nossa preocupação é em relação ao futuro, com a possibilidade de precarização dos serviços públicos, devido à falta de verbas”, explica.

O governador salientou, ainda, que a curto prazo a nova medida não terá efeito negativo para o Estado. “Não corremos o risco de atrasar salário do funcionalismo este ano, nem de não honrar compromissos. Não cogitamos aumentar impostos para cobrir essa medida do ICMS. Vamos nos readequar a essa nova realidade, verificando onde cortaremos gastos para não afetar serviços essenciais”, disse Ranolfo.

O secretário da Fazenda, Marco Aurelio Cardoso, apresentou os números e seus respectivos impactos nas contas públicas. Cardoso afirmou que, no cenário de 2022, existe expectativa de compensação financeira por parte da União. A preocupação, segundo ele, são os efeitos a longo prazo. “Futuramente, não sabemos os impactos que essa lei pode ocasionar. Cabe a nós, promover os ajustes imediatos por dentro da estrutura do Estado”, explicou.

Também participaram do anúncio a secretária de Comunicação, Tânia Moreira, o chefe da Casa Civil, Artur Lemos, e o procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa.

Contexto da nova lei
A exemplo do que já foi anunciado para o diesel, deixam de vigorar os preços de referência para o cálculo do ICMS (preço de pauta) que estavam congelados desde novembro de 2021 para a gasolina e passa a vigorar a média dos últimos cinco anos até maio. De acordo com o convênio Confaz firmado pelos Estados, essa média é móvel e será recalculada a cada mês, salvo em caso de decisão superveniente do Supremo Tribunal Federal (STF). O mesmo convênio estabelece regras de cálculo idênticas para a gasolina premium e GLP.

No caso do Rio Grande do Sul, o preço de referência para cálculo do ICMS na gasolina comum, que está em R$ 6,1796, cairá para R$ 4,9105 – cerca de 30% abaixo dos preços atuais ao consumidor, atualmente próximos a R$ 7,10.

Adicionalmente, sem prejuízo do andamento das ações judiciais, o governador Ranolfo Vieira Junior assinou o Decreto 56.573 (de 30 de junho de 2022) adequando o Regulamento do ICMS à limitação advinda da Lei Complementar 194 sobre as alíquotas estaduais dos combustíveis (no caso, gasolina e álcool), energia e comunicações, com vigência desde 23 de junho.

As mudanças no preço base – por convênio Confaz em cumprimento à decisão liminar judicial – e de alíquota (pela LC 194), o ICMS cobrado por litro da gasolina comum deve cair dos atuais R$ 1,5449 para R$ 0,8348 no RS. Isso significa que, ao invés dos 25% nominais previstos na legislação estadual, a alíquota efetiva no Estado estará próxima a 15% de ICMS sobre os atuais preços de gasolina ao consumidor.

A redução de R$ 0,71 no ICMS por litro representa uma queda de 46% sobre a carga existente até então (que era de R$ 1,5449 com base numa carga de 25% sobre os preços congelados de novembro de 2021). A redução representa uma queda de cerca de R$ 200 milhões por mês na arrecadação do ICMS.

Essa redução se soma à de R$ 0,11 no ICMS para o diesel, já anunciada para este 1º de julho, que implica em uma queda de arrecadação próxima a R$ 30 milhões mensais.

Mais Notícias

Tópicos Relacionados:

Publicações do Autor

Homem é esfaqueado durante briga em bar de Teutônia

Um homem de 38 anos ficou ferido após ser atingido por um golpe de faca durante uma briga em um bar no bairro Alesgut,...

Motociclista fica ferido em acidente na ERS-130, em Arroio do Meio

Um motociclista ficou ferido em um acidente de trânsito registrado na noite de sexta-feira (19/6) na ERS-130, em Arroio do Meio. A colisão ocorreu no...

Folha Popular – 20-6-2026

Na edição da Folha Popular deste sábado (20/6), você confere: Nova ponte sobre o Boa Vista busca desviar tráfego pesado em Teutônia. Cultivo de noz-pecã é...

Festival de Etnias leva debates sobre diversidade cultural às escolas de Estrela

O Festival de Etnias – Tecendo Culturas realizou uma série de palestras voltadas a estudantes do Ensino Médio de Estrela. As atividades ocorreram nos...