Polícia Civil desarticula grupo que aplicava golpe do “falso médico” em famílias de pacientes internados

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta terça-feira (2/12), a Operação Cura Ficta, ação que mira uma organização criminosa interestadual especializada no golpe conhecido como “falso médico”, praticado contra familiares de pacientes internados em UTIs. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC) e contou com apoio das Polícias Civis do Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás.

Foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 13 ordens de busca e apreensão, resultando em sete prisões e na apreensão de celulares e equipamentos usados na execução dos golpes.

Como o golpe funcionava

A investigação revelou um esquema altamente estruturado, que utilizava informações privilegiadas sobre pacientes hospitalizados. Os criminosos telefonavam para familiares se passando por médicos, coordenadores clínicos ou diretores de hospitais, usando nomes fictícios e fotos de profissionais reais retiradas da internet.

Comovendo as vítimas em momentos de fragilidade, os golpistas alegavam um súbito agravamento no estado de saúde do paciente — como infecções graves ou necessidade urgente de exames — e exigiam pagamentos imediatos via PIX, supostamente não cobertos pelo plano de saúde.

O líder do esquema, um homem de 35 anos, já estava preso na Penitenciária de Rondonópolis (MT). Mesmo encarcerado, organizava ligações e distribuía tarefas às demais pessoas envolvidas. Cadernos encontrados na cela detalhavam roteiros de abordagem, contas utilizadas para receber os valores e dados das vítimas.

Uma mulher de Rondonópolis, companheira de um dos investigados, atuava como operadora financeira do grupo, administrando contas bancárias e movimentações mesmo usando tornozeleira eletrônica.

Lavagem de dinheiro e expansão interestadual

A polícia identificou ainda um braço da organização no Rio de Janeiro, onde dois operadores davam suporte na abertura e movimentação de contas bancárias usadas para receber o dinheiro do golpe. Um dos investigados possuía 121 chaves PIX registradas em seu nome, evidenciando o uso massivo de contas laranja.

Os criminosos também utilizavam emuladores de Android, que permitiam simular vários celulares em um único computador, possibilitando o controle simultâneo de diversas contas bancárias e perfis de WhatsApp — o que dificultava o rastreamento policial.

Parte do dinheiro arrecadado era destinada ao financiamento de uma facção criminosa com atuação no Mato Grosso.

Início das investigações

A operação começou após o registro de ocorrências em Porto Alegre e Canoas. Em poucos dias, as vítimas relataram prejuízos que somam dezenas de milhares de reais. A partir disso, a polícia rastreou números telefônicos e transferências, conseguindo vincular os aparelhos utilizados nos golpes aos investigados localizados em Goiás, Rio de Janeiro e Mato Grosso.

Com a operação, a Polícia Civil busca desarticular completamente o grupo, atingir sua estrutura financeira e colher material que permita identificar novas vítimas.

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