Juliana Brizola, Gabriel Souza e Marcelo Maranata debatem no “Tá na Mesa”

Pré-candidatos ao governo do RS apresentaram suas propostas e responderam demandas da entidade empresarial

Nessa semana, a Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) deu continuidade às sabatinas com os pré-candidatos ao governo do Estado. Nessa quarta-feira (10/6), o programa “Tá na Mesa” reuniu Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Marcelo Maranata (PSDB) em debate. O deputado federal Luciano Zucco (PL) não compareceu, pois priorizou estar presente durante a votação do projeto de securitização do agro no Congresso.

Os candidatos falaram sobre temas definidos (segurança, saúde e educação), além da dívida com a União, obras de infraestrutura, enchentes, além de como superar a hostilidade ao investidor, reter jovens talentos e gerar renda.

Equilíbrio de contas

Juliana defendeu que o fôlego financeiro virá da articulação política e não apenas de termos técnicos. Vê o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) como uma boa alternativa por permitir que os juros da dívida permaneçam no estado para investimentos.
Souza propôs a adesão ao Propag, mas com a condição de incluir as dívidas garantidas pela União na renegociação, essencial para dar fôlego financeiro real a investimentos. Além disso, assumiu o compromisso de não aumentar a carga tributária.

Propõe manter o Estado enxuto e ágil, com Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões para desonerar o caixa público e atrair capital privado para infraestrutura e ativos públicos.

Maranata criticou o fato de o Estado e a União não cumprirem os mínimos constitucionais e sobrecarregarem os prefeitos. Propôs tratar o investidor com “tapete vermelho” para reduzir o tempo de abertura de empresas e emissão de alvarás. Prega a segurança jurídica e critica partidos que afugentam grandes investimentos privados, como o da CMPC.

Investimentos

Gabriel promete investir em ferrovias, na duplicação de rodovias federais como as BR-290 e BR-116, na concessão da BR-386, bem como extinguir a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR).

Planeja realizar o maior programa de irrigação e manejo de solo da história gaúcha, financiado pela prorrogação e ampliação do Funrigs, ao incluir dívidas garantidas pela União no acordo para liberar mais recursos para investimentos.

Afirma não ser contra concessões de estradas, mas exige tarifas justas e fiscalização rigorosa dos contratos para garantir que os investimentos prometidos sejam realizados.

Marcelo quer a redução de impostos, o alongamento das dívidas dos produtores rurais e mais carência para o agronegócio. Ainda, pretende a gestão mista dos pedágios e investimentos em hidrovias e ferrovias.

Segurança pública e feminicídios

Na segurança em geral, Juliana afirmou que, embora os crimes tenham se tornado digitais, a estrutura da polícia no RS permanece analógica. Criticou o fato de o Estado ter apenas uma delegacia especializada para combater crimes e golpes digitais e defendeu a modernização das forças de segurança.

O atual vice-governador apresentou o programa RS Seguro. Já Maranata aposta em cooperação intensa entre as inteligências estadual e federal para desmantelar organizações criminosas que operam golpes digitais e comandam o crime de fora dos presídios.

Quanto aos feminicídios, Juliana sugeriu a adoção de um modelo inspirado na Espanha, com monitoramento constante baseado no nível de risco de cada vítima. Para Maranata, o combate exige ir além da tornozeleira eletrônica, com foco na educação nas escolas e igrejas, além de criar grupos de convivência para tratar o comportamento do agressor.

Souza enfatizou a eficácia das tornozeleiras, que registrou zero casos entre os monitorados, bem como a criação de uma rede de proteção com municípios.

Educação

Souza apresentou um programa de ensino técnico, com uso de 1% dos juros da dívida com a União para garantir que jovens saiam do Ensino Médio com uma profissão.

Juliana criticou os atuais índices do Ideb e afirmou que o desenvolvimento econômico só virá se o Estado resolver o problema de crianças que chegam ao 6º ano sem saber interpretar textos ou fazer contas básicas.

Maranata quer criar escolas de empreendedorismo em bairros, CTGs e igrejas para ensinar jovens a resolver problemas e gerar renda. Alertou para o êxodo de 50 mil jovens talentos por ano e defendeu o ensino profissionalizante casado com a demanda das empresas.

Saúde

Juliana planeja criar o projeto “Pró-Hospitais” para que o empresário destine até 5% do seu ICMS para hospitais filantrópicos e Santas Casas, o que, segundo ela, injetaria R$ 800 milhões no sistema para reduzir as filas de cirurgias e consultas.

Maranata cobra que o Estado e a União assumam suas responsabilidades financeiras para aliviar o caixa das prefeituras e garantir um atendimento digno à população.

O plano de Souza para a saúde envolve enfrentar a dívida com a União e manter as contas em dia, o que permitiria garantir os serviços essenciais sem aumentar a carga tributária sobre o setor produtivo. Ainda, tem como meta atualizar a tabela do SUS.

Enchentes

Maranata prega agilidade nas obras de proteção às enchentes. Em casos de urgência, aposta na contratação direta das empresas que realizaram os projetos originais para acelerar as execuções e evitar atrasos burocráticos.

O atual vice-governador sustentou que o Estado usa recursos para os maiores projetos de engenharia de contenção de enchentes da história, mas que isso exige responsabilidade técnica e licitações transparentes. Recusou a dispensa de licitação para obras bilionárias.

Juliana disse que dialogará em Brasília para prorrogar o Funrigs por mais 2 anos e buscar um fundo constitucional para o RS. É favorável às concessões para recuperar as estradas afetadas pelas enchentes, desde que com tarifas justas e fiscalização rigorosa dos contratos. Criticou a continuidade do projeto político de Gabriel Souza, ao afirmar que, após 12 anos no poder (incluindo os governos Sartori e Eduardo Leite), problemas estruturais como a vulnerabilidade a desastres persistem no RS.

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