Poucos nomes construíram trajetória tão ligada ao esporte regional quanto Vianei Batista Hammes. Atual presidente da Associação de Ligas do Vale do Taquari (Aslivata), percorreu diferentes caminhos até chegar à função.
Foi jogador, dirigente, árbitro, presidente de clube, comandou projetos de futsal e acompanhou diferentes momentos das competições.
A relação com o futebol começou na infância, em Arroio do Meio, na localidade de São Luís – hoje pertencente a Capitão. O primeiro contato com a bola foi dentro de casa. O campo ficava no potreiro do pai e Vianei participava do time.
“Nasci com o futebol. Éramos chamados de ‘gandulas’ e até tenho uma foto uniformizado junto com o time principal, com 5 ou 6 anos”, lembra Hammes.
A família se mudou para Venâncio Aires, onde Vianei passou a atuar pelo Ipiranga de Linha 17 de Junho. O envolvimento cresceu a ponto de assumir a presidência do clube.
Em 1980, trabalhava em um supermercado, mas deixou o emprego para retornar à cidade e continuar ligado ao esporte. “A paixão falou mais alto. Troquei tudo para voltar e ser presidente”, conta.
Depois de passagem como jogador, Vianei encontrou outro caminho para seguir conectado ao futebol: a arbitragem. Entre o fim dos anos 70 e a década de 80, foi árbitro e bandeira.
Ele chegou ao futebol federado, em jogos realizados com árbitros vinculados à Federação Gaúcha. Um dos pontos altos da trajetória foi em 1985, quando Vianei participou como bandeirinha do primeiro Regional organizado pela Aslivata.
A arbitragem foi importante para a formação como dirigente. Naquele período percebeu a necessidade de tornar os processos mais organizados e transparentes.
No fim dos anos 80, depois de uma eleição apertada na Assoeva, assumiu a presidência e iniciou uma reformulação na estrutura da entidade.
“Juntamos uma turma nova e iniciamos uma evolução. Fizemos cursos de arbitragem com os principais árbitros da federação e melhoramos”, explica.
Aslivata
Em 2001, Vianei conta que foi a uma reunião que definiu os rumos da entidade. Sem planejamento, ouviu de um dos presentes que teria de assumir a presidência.
“Cheguei à reunião e me disseram: ‘Tu vais ter que ser o presidente’. Pedi 10 minutos para pensar e a chapa estava feita”, recorda. A partir daí, voltou a ocupar um espaço central na organização do futebol. Ficou na presidência até 2012, quando se afastou das atividades. Anos mais tarde, retornou e reassumiu a liderança.
A experiência ajudou a moldar o estilo como dirigente. Ele define a serenidade, transparência e capacidade de diálogo como algumas das características fundamentais para administrar competições e lidar com interesses diferentes.
Na presidência da Aslivata, precisa lidar com dirigentes, arbitragem, atletas, transferências de jogos, regulamentos e situações disciplinares. “Posso discordar, mas tenho que saber dar uma resposta adequada. A organização é para benefício dos clubes, para que eles se fortaleçam”, aponta.
No comando da Aslivata, ele defende a modernização das competições. Ao longo dos anos, a entidade passou a incorporar novos mecanismos de organização, como registros eletrônicos, novas rotinas para arbitragem e reuniões técnicas voltadas à padronização.
Outro ponto é o crescimento da participação feminina. Para ele, as mulheres precisam ocupar diferentes espaços, desde a administração dos clubes até arbitragem, organização, imprensa e serviços das praças.
Futsal
A trajetória de Hammes não ficou só no campo. No início dos anos 2000, assumiu papel importante no projeto da Associação Esportiva de Venâncio Aires (Assoeva), que iniciou caminhada no futsal e alcançou projeção nacional.
A evolução foi rápida. Depois de competições estaduais, a Assoeva alcançou novo patamar e chegou à Liga Nacional de Futsal. Em 2017, foi vice-campeã em campanha que ficou na história esportiva de Venâncio Aires. “Para Venâncio, diria que foi o maior marketing em termos de divulgação. A Assoeva fez trajetória que deixa saudades”, afirma Vianei.
Durante o período, a cobrança também fazia parte de sua rotina. A organização das viagens, dos jogos e a preparação dos atletas exigiam disciplina. Hammes detalha que cobrava dos jogadores comportamento, concentração e compromisso. “Não tinha mais celular quando saiamos do hotel. Era foco total, íamos para trabalhar e jogar. Não passear”, enfatiza.
Família no esporte
O envolvimento com o futebol seguiu com a família Hammes. Vianei ressalta os filhos acompanharam suas atividades e que a filha chegou a ocupar a presidência da Assoeva. O genro também atua no futebol, como observador de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol.
O filho Abel, por sua vez, participa dos bastidores da Aslivata e ajuda a transformar algumas das ideias apresentadas pelo presidente.
Mesmo depois de tantos anos, a relação permanece baseada na mesma motivação do início: a paixão. Vianei entende que o clube é a peça central de todo o sistema, porque é a partir dele que se movimentam atletas, árbitros, dirigentes e competições.
“Sem clube não tem campeonato, o árbitro fica sem trabalho, o atleta não tem onde jogar e a liga não precisa organizar. O clube é o ponto fundamental”, afirma
É nessa combinação de memórias, experiências e disposição para seguir que se encontra a trajetória de Vianei Batista Hammes, um dirigente que começou como menino de campo, passou pela arbitragem, chegou ao comando de clubes, viveu a ascensão do futsal e voltou à Aslivata para escrever a história do esporte e região.
“Sem clube não existe campeonato,
o árbitro fica sem trabalho,
o atleta não tem onde jogar
e a liga não precisa organizar.
O clube é o ponto fundamental.”
Vianei Batista Hammes
Presidente da Aslivata

