O crescimento da cidade considerada polo do Vale do Taquari tem enfrentado limites e desafios com o tráfego e expressivo aumento da frota. Hoje, Lajeado conta com mais de 140 mil veículos circulando diariamente, entre emplacados e visitantes. Na última década, conforme dados do Detran-RS, houve um aumento de 27,8%.
Os problemas surgem nos horários de pico, mas ampliam sobremaneira em dias atípicos como nas sazonais enchentes, que interrompem diversas ruas. Além disso, o número de moradores na cidade também cresceu. Lajeado ganhou quase 18 mil moradores em 10 anos, conforme o IBGE.
De acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), no ano 2000, o município contava com 27.268 veículos registrados. No ano de 2026, o número passou a 83.858 veículos. A população, contudo, era de 59.539 habitantes em 2000 e é estimada em 96.883, para o ano de 2026, de acordo com o IBGE.
Para o coordenador do Trânsito de Lajeado, Álvaro de Medeiros, o crescimento da frota foi significativamente maior do que o da população, principalmente se considerarmos que há uma frota circulante de veículos que se aproxima dos 140 mil veículos. “Obviamente a malha viária não acompanhou numericamente o crescimento da frota, mas é preciso lembrar que a qualidade da malha, notada por indicadores como percentual de pavimentação, semaforização, alargamento viário, sinalização, entre outros, mitiga o descompasso”, afirma.
A concentração nas áreas comerciais, de serviços públicos, ensino e saúde, de pontos de atração populacional nas áreas centrais ainda acarreta diversos gargalos na fluidez e na capacidade de estacionamento.
Conforme Medeiros, as vias mais afetadas são precisamente os eixos de acesso, as avenidas Benjamin Constant e Alberto Pasqualini, as ruas Bento Gonçalves, Júlio de Castilhos e Carlos Spohr Filho, e as rodovias que cruzam o perímetro urbano.
“A semaforização, nas vias principais, é sincronizada, proporcionando ao condutor, salvo intercorrências pontuais, percorrer a maior parte delas sem a parada em sinais vermelhos. Os horários de pico, algumas vezes, obrigam o condutor a aguardar mais de um ciclo no mesmo cruzamento para prosseguir”, ressalta.
De acordo com o coordenador, toda a área urbana é monitorada pelo sistema de câmaras de vigilância urbana, mas a sincronização dos semáforos não é ajustada em tempo real, devendo, as situações de redirecionamento de tempo ou de rotas ser realizada, quando necessário, por atuação de Fiscais de Trânsito. A respeito de ações futuras, com o prognóstico de aumento da frota, a Secretaria de Planejamento, no Setor de Mobilidade Urbana mantém estudos e implementa soluções de médio e longo prazo.
Enchentes interpõem desafio
As ações de interdição e redirecionamento de vias no município integra o Plano de Contingência para inundações e é acionado na medida da elevação do nível das águas. A organização do trânsito, portanto, é dinâmica e é executada segundo a expansão ou retração das áreas de inundação, seguindo passos e etapas previamente determinadas.
Segundo o coordenador de trânsito, as rotas que mais afetam durante as cheias são justamente as que levam às áreas centrais, com destaque para a Rua João Abbot (Parque dos Dick), que afeta o fluxo de transporte coletivo. Também a Avenida Décio Martins Costa (Canal do Engenho), que bloqueia o fluxo entre o centro e os bairros Hidráulica e Alto do Parque, e a Rua Bento Rosa, que atinge a ligação para os bairros Alto do Parque e Carneiros, e bairros adjacentes. “Esse problema é perfeitamente conhecido e o Plano de Contingência viária contempla as medidas necessárias. Os protocolos envolvem o redirecionamento para vias alternativas e é o mesmo para todo o período de interdição”, diz.
Em períodos de enchente, a orientação aos condutores e proprietários de veículos é realizada pela Comunicação do Município, que atualiza permanentemente os usuários sobre as interdições viárias e sobre as áreas atingidas ou em risco. Uma forma de proporcionar a retirada de veículos e bens em geral, pela Defesa Civil, através da emissão de boletins de alerta, e pelo Departamento de Trânsito, pela ação em tempo real dos Fiscais de Trânsito. “As áreas de estacionamento rotativo não atingidas pela inundação não sofrem mudança de regras”, conclui.

