Relacionamento humano ganha força no varejo

Na CIC Teutônia, Thiago Baisch abordou estratégias para a Black Friday e o Natal a partir de tendências observadas em eventos internacionais

A CIC Teutônia recebeu, nesta quinta-feira (29/10), o especialista em varejo Thiago Baisch para almoço empresarial sobre estratégias de vendas para a Black Friday e o Natal. Com inspiração em eventos como a NRF, em Nova Iorque, e a Latam Retail Show, o palestrante destacou a necessidade de o varejo equilibrar o uso da tecnologia com o relacionamento humano para fortalecer as vendas e fidelizar clientes nas principais datas comerciais do fim de ano.

Segundo Baisch, a digitalização ganhou espaço nas estratégias comerciais nos últimos anos, com investimentos em comércio eletrônico, redes sociais e atendimento por WhatsApp. “A tecnologia veio para melhorar processos e otimizar atividades administrativas, mas a gente usou a tecnologia para nos afastar do consumidor”, afirmou. Para o palestrante, as empresas precisam recuperar a participação de gestores e vendedores qualificados, utilizando ferramentas digitais e inteligência artificial como apoio, sem abrir mão do contato direto com o público. “A presença digital continua importante para alcançar consumidores e estimular vendas, mas não é suficiente para construir vínculos duradouros”, relata.

Ele citou situações em que estabelecimentos transferem tarefas aos próprios clientes por meio de QR Codes e sistemas de autoatendimento, mesmo quando há funcionários disponíveis para prestar assistência. Na avaliação do especialista, a automação precisa estar alinhada à necessidade do negócio. “O atendimento pessoal permite identificar demandas, oferecer produtos complementares e apresentar soluções que nem sempre seriam percebidas pelo consumidor sozinho”, ressalta.

A recomendação é incorporar a tecnologia às rotinas comerciais de forma transparente e utilizar os dados para aprimorar o atendimento. Na avaliação do palestrante, a combinação entre processos eficientes, equipes preparadas e relacionamento com os consumidores será importante para aproveitar as oportunidades.

Black Friday e Natal

De acordo com o palestrante, as duas principais datas comerciais do fim de ano precisam ser estruturadas de forma complementar. Segundo Baisch, embora ocorram em sequência, Black Friday e Natal apresentam motivações de compra distintas e, por isso, exigem ações específicas.

Conforme o especialista, na Black Friday, o consumidor tende a acompanhar preços e esperar condições promocionais para adquirir itens de interesse próprio, como eletrônicos e celulares. “Nesse cenário, as empresas precisam trabalhar ofertas competitivas e comunicar claramente as vantagens da compra”, sugere.

No Natal, a procura está mais associada a presentes, produtos para a família e necessidades da casa. “O consumidor também demonstra maior disposição para resolver diferentes demandas em uma mesma loja ou centro comercial, o que abre espaço para ampliar o mix de produtos e serviços e facilitar a jornada de compra”, destaca. .

Baisch recomendou que os estabelecimentos aproveitem o movimento da Black Friday para estimular novas compras em dezembro. Uma das possibilidades é conceder créditos ou benefícios aos clientes que comprarem durante a campanha, com validade para o período natalino. A estratégia busca incentivar a recompra e fortalecer a fidelização, em vez de concentrar os esforços apenas no desconto imediato.

O palestrante também sugeriu antecipar o acesso às ofertas para clientes habituais, oferecer condições diferenciadas ao público já cadastrado e investir em facilidades como frete e logística. “A experiência de compra deve considerar as necessidades de diferentes perfis de consumidores, incluindo famílias com crianças e pessoas que frequentam estabelecimentos acompanhadas de animais de estimação”, explica.

Perfil dos consumidores

A palestra também destacou oportunidades relacionadas às mudanças demográficas e aos hábitos de consumo. Entre elas está a chamada economia prateada, formada pelo público com mais de 60 anos. “Consumidores mais velhos estão ativos, praticam atividades físicas frequentam eventos e demonstram interesse por inovação, além de terem maior poder de compra”, relata.

Em outra frente, as novas gerações apresentam uma relação distinta com a posse de bens. “Consumidores mais jovens demonstram maior interesse por modelos de compartilhamento, revenda e reaproveitamento, além de valorizar processos e serviços que ofereçam flexibilidade”, destaca.

Mais Notícias

Tópicos Relacionados:

Publicações do Autor

Extremismo político provoca consequências jurídicas e psicológicas

A radicalização política ultrapassa o campo das divergências ideológicas e produz consequências na saúde mental, nas relações interpessoais e na esfera jurídica. Listas de...

Diálogo fortalece a governança nas empresas

O papel da comunicação interpessoal e da capacidade de lidar com divergências foram tema da reunião-almoço realizada nesta terça-feira (27/10) na Associação Comercial e...

Brincasa aposta em gestão, relacionamento e expansão

Rede varejista com 19 anos de atuação nos Vales do Taquari e Rio Pardo, a Brincasa se destaca pela diversificação de produtos, expansão planejada...

Languiru compartilha experiência de liquidação com a Cotribá

A experiência da Cooperativa Languiru no processo de liquidação extrajudicial serve de referência para a Cotribá. A cooperativa de Ibirubá enfrenta uma grave crise...