O papel da comunicação interpessoal e da capacidade de lidar com divergências foram tema da reunião-almoço realizada nesta terça-feira (27/10) na Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil). Especialistas em gestão de conflitos, Daniel e Valéria Santoro abordaram a governança corporativa e a importância do diálogo entre lideranças e equipes em um cenário de mudanças aceleradas, incertezas e transformações nas relações de trabalho.
Santoro explica que a governança estabelece estruturas, princípios, regras e processos para orientar as organizações, mas sua efetividade depende também das pessoas envolvidas. “Quando a gente fala de pessoas, precisa colocar a comunicação conjuntamente”, afirmou.
Para ele, a velocidade das transformações exige novos modelos para a resolução de problemas, dilemas e conflitos, o que torna a comunicação uma competência estratégica para as empresas. Conforme Valéria, a qualidade das decisões depende da capacidade de ouvir diferentes perspectivas e aproveitar as contribuições dos profissionais.
Ela acredita que a chamada escuta qualificada permite lidar com divergências e reunir conhecimentos para encontrar soluções mais consistentes. “A riqueza da governança está nas interações com as pessoas unidas pelo bem das organizações”, destacou.
Mediação na polarização
A necessidade de preservar o diálogo também se estende a momentos de polarização política. Para Daniel, as empresas precisam reconhecer as emoções dos colaboradores sem perder de vista os objetivos do negócio. “Independentemente de eleições ou disputas esportivas, as atividades empresariais seguem e exigem cooperação entre as equipes”, alerta.
Valéria acrescentou que compreender o ponto de vista de outra pessoa não significa concordar com ela. Na perspectiva da mediação de conflitos, a disposição para ouvir permite conhecer diferentes argumentos e identificar pontos em comum. “Escutar o outro significa ter um interesse simplesmente por aprender um pouco com a perspectiva de uma outra pessoa”, afirmou.
Gestão entre gerações
Os palestrantes também destacaram o desafios da governança na convivência entre diferentes gerações dentro das empresas. Conforme Daniel, é comum encontrar organizações com três ou quatro gerações trabalhando simultaneamente, o que exige equilíbrio entre a preservação dos princípios construídos ao longo da história e a adaptação às novas demandas.
Para ele, fundadores, profissionais mais experientes e novas gerações precisam ter suas contribuições reconhecidas. “Ao mesmo tempo, mudanças tecnológicas e questões geopolíticas alteram o contexto em que os negócios operam e exigem novas competências. O diálogo ajuda a identificar quais fundamentos devem ser preservados e quais práticas podem ser modernizadas”, afirma.
Valéria reforçou que a liderança não precisa concentrar todas as respostas. Ao abrir espaço para a participação dos colaboradores, os gestores podem aproveitar conhecimentos e experiências que contribuem para decisões mais qualificadas. “A responsabilidade final continua sendo da liderança, mas a escuta amplia as possibilidades de análise”, alega.
Para os especialistas, o ideal é combinar clareza de propósito, abertura para diferentes opiniões e capacidade de adaptação. “A comunicação deixa de ser apenas uma ferramenta de relacionamento e passa a integrar a estrutura de governança, com impacto na maneira como as organizações enfrentam conflitos, tomam decisões e constroem objetivos comuns”, finaliza Valéria.

