A trajetória da Rotainox, de Westfália, é marcada pela identificação de demandas do mercado, pelo desenvolvimento de soluções próprias e pela proximidade com os clientes. Fundada em 2010, a empresa surgiu a partir da experiência de duas famílias na área industrial.
Após um início modesto a partir da fabricação de trocadores de calor a placas para pequenos laticínios, a empresa ampliou o portfólio, incorporou tecnologias e expandiu a atuação para diferentes segmentos da indústria de alimentos e bebidas. Representantes da segunda geração das famílias, Cainã Iohan e Eduardo Reichenbach falaram sobre a trajetória de crescimento da Rotainox em entrevista para o Inteligência Empresarial.
Grupo Popular – Quando surgiu a Rotainox?
Cainã Iohan – Nossas famílias vieram de Bento Gonçalves para Teutônia há cerca de 20 anos, em busca de uma vida mais tranquila. O pai do Eduardo fazia tubulações industriais em inox, e o meu pai foi torneiro mecânico por muito tempo. Por volta de 2005 ou 2006, meu pai veio procurar emprego na região e surgiu a oportunidade de sociedade na Rota Tornearia. Com o valor da rescisão, ele fundou a Rotainox Equipamentos Industriais. Ao identificar demandas do mercado local por equipamentos que não existiam na região, começamos a fabricar trocadores de calor a placas para pequenos laticínios.
GP – Como foi esse início?
Iohan – Foi muito difícil, porque começamos praticamente sem capital e sem conhecimento, apenas na coragem. Meu pai pegava o carro dele, um Escort na época, e ia de porta em porta nas indústrias para entender as necessidades dos clientes. Ele vendia o produto antes mesmo de tê-lo pronto e, depois, desenvolvíamos a solução. Os fundadores, Vittor e Rafael, também iam diretamente ao chão de fábrica para identificar problemas, como vazamentos nos processos de fabricação de queijo, e apresentar soluções.
GP – Por que escolheram Westfália para instalar a empresa?
Iohan – Começamos em um pavilhão alugado e logo percebemos a necessidade de mais espaço. Também precisávamos de uma localização com acesso facilitado às rotas logísticas. Westfália ofereceu um incentivo com a preparação do terreno e um plano de faturamento com o município. Além disso, a localização favorece a conexão com a Serra Gaúcha, Porto Alegre e outras regiões.
GP – De que forma a empresa evoluiu no desenvolvimento tecnológico?
Eduardo Reichenbach – Fomos arriscando e contando com fornecedores estratégicos desde o início, como a Schneider Electric. Apostamos em equipamentos tecnológicos que agregam valor ao processo, em vez de trabalhar com commodities.
Iohan – Evoluímos de equipamentos puramente mecânicos, com soldagem e montagem simples, para sistemas com alta tecnologia embarcada. Estabelecemos parcerias com multinacionais da Suíça e da Alemanha, como Endress+Hauser e Schneider Electric. Também tivemos o cuidado de colocar as pessoas certas na liderança de cada setor.
GP – Qual é o papel do pós-venda no crescimento da Rota Inox?
Iohan – Nossas máquinas são customizadas de acordo com as necessidades e o consumo de cada cliente. Estruturamos um setor de pós-venda com técnicos de automação, elétrica e atendimento em campo. Esse serviço garante a satisfação do cliente, evita erros e contribui para novas vendas.
Reichenbach – Nosso diferencial sempre foi atender o cliente em qualquer horário, assumir compromissos e até arcar com prejuízos quando necessário para resolver problemas diretamente na empresa do cliente.
GP – De que forma ocorreu a expansão para outros estados e mercados?
Iohan – Expandimos fortemente para o Paraná e Santa Catarina, e a confiança na marca se espalhou pelo boca a boca entre as indústrias do país. No Norte e no Nordeste, vendemos bastante para indústrias de açaí, sucos e água de coco, adaptando os equipamentos ao clima e às matérias-primas regionais. No mercado internacional, avançamos por meio de parcerias com fabricantes brasileiros de envasadoras e da busca por certificações, como a ISO. Hoje, temos equipamentos em países como Argentina, Uruguai, Colômbia e Bolívia.
Reichenbach – Nossa presença constante, há mais de dez anos, na feira Fispal Tecnologia trouxe visibilidade e abriu conexões com clientes e parceiros de diferentes países.
GP – Como vocês enfrentam a falta de mão de obra?
Iohan – Mantemos uma cultura de disseminação e multiplicação do conhecimento dentro da empresa. Mais de 50% dos colaboradores começaram em funções simples na fábrica e evoluíram para cargos de alta complexidade técnica.
Reichenbach – Além de preencher vagas operacionais, como as de soldadores e montadores, estamos incorporando ferramentas de inteligência artificial ao setor administrativo para produzir mais com a mesma equipe.
GP – Quais são os planos para os próximos anos?
Iohan – Estamos ampliando o parque fabril com um novo pavilhão e diversificando o portfólio para os setores de sucos, colágeno e biotecnologia. Também planejamos desenvolver novos produtos nos próximos anos.
Reichenbach – Nosso objetivo é entregar soluções completas no modelo turnkey, desenvolvendo e fornecendo plantas industriais inteiras equipadas com soluções da Rota Inox.

