O fim da escala 6×1 representa uma mudança importante para os trabalhadores do comércio, com a perspectiva de mais tempo para descanso, convivência familiar e organização da vida pessoal. A implementação da nova jornada ocorrerá de forma gradual, começando com a redução de duas horas semanais e avançando até atingir 40 horas por semana, conforme explica o presidente do Sindicomerciários, Vitor Espinoza.
A mudança prevê a adoção da escala 5×2, com dois dias de folga por semana. No entanto, os dias de descanso não precisam ser consecutivos, nem necessariamente aos sábados e domingos. A legislação sobre o funcionamento do comércio aos domingos e feriados permanece inalterada, de acordo com Espinoza.
Mais tempo para descansar e cuidar da família
Para os trabalhadores do comércio, que historicamente convivem com jornadas extensas e apenas um dia de folga semanal, a mudança representa a possibilidade de conciliar melhor o trabalho com as responsabilidades pessoais. “Ter só um dia para resolver todas as tuas coisas, arrumar a casa, dar conta dos filhos e organizar a semana é muito pouco”, destaca.
A questão ganha ainda mais relevância diante da participação feminina no setor. Segundo Espinoza, 72% dos trabalhadores do comércio são mulheres, que frequentemente precisam conciliar a jornada profissional com as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos.
Com dois dias de folga por semana, a expectativa é que esses profissionais tenham mais tempo para acompanhar a vida escolar dos filhos, organizar a rotina familiar e aproveitar momentos de lazer.
Saúde mental e intensificação do trabalho
Outro ponto destacado pelo presidente do Sindicomerciários é o impacto das condições de trabalho na saúde dos profissionais. Ele observa o crescimento dos afastamentos relacionados a problemas de saúde mental e defende que a redução da jornada pode contribuir para uma rotina mais equilibrada.
A intensificação do trabalho, impulsionada também pelo uso da tecnologia, é um dos fatores que preocupam a categoria. Atualmente, além de atender clientes presencialmente, muitos comerciários continuam trabalhando fora do expediente, respondendo mensagens, organizando grupos de WhatsApp e acompanhando vendas. “O trabalhador está vendendo 6 vezes mais do que vendia antigamente, trabalhando na mesma carga horária. Só que o cansaço que ele sofre é muito maior”, afirma Espinoza.
Para ele, a redução da jornada representa uma forma de reconhecer o aumento da produtividade dos trabalhadores e permitir que parte dos ganhos se traduza em mais qualidade de vida.
Mudança gradual e sem redução salarial
A implementação da nova jornada será feita por etapas. Conforme explicou Espinoza, a redução inicial será de duas horas semanais, passando de 44 para 42 horas. Depois de um ano, a jornada deverá chegar a 40 horas semanais, com a adequação dos horários de trabalho.
O presidente do sindicato também ressaltou que a redução da jornada não deve resultar em diminuição salarial. A manutenção dos salários é um dos pontos centrais para garantir que a mudança represente um benefício efetivo aos trabalhadores.
A transição gradual também busca permitir que as empresas reorganizem suas equipes e ajustem as escalas de trabalho. Segundo Espinoza, a adaptação exige esclarecimentos tanto para os trabalhadores quanto para os empregadores, especialmente diante das dúvidas sobre o funcionamento do comércio.
Impactos para empresas e pequenos comerciantes
Uma das preocupações levantadas pelo setor empresarial diz respeito ao aumento dos custos e à necessidade de contratar funcionários para cobrir as horas reduzidas. Espinoza, porém, avalia que o impacto tende a ser limitado diante dos benefícios sociais da mudança.
Segundo ele, estudos da Confederação Nacional do Comércio apontam um custo estimado de 1,8% para os setores lojista e supermercadista com a implementação da jornada de 40 horas semanais. A redução inicial de duas horas representaria aproximadamente metade desse impacto, conforme a estimativa apresentada pelo dirigente.
Para os pequenos estabelecimentos, a adaptação também dependerá da organização das jornadas. Espinoza observa que algumas lojas que funcionam de segunda a sábado já concedem períodos parciais de descanso durante a semana, o que pode facilitar a reorganização das escalas.
O dirigente também aponta que a redução da jornada não significa, necessariamente, o fechamento de lojas ou supermercados aos domingos. A decisão sobre abrir nesses dias continua submetida às regras já existentes.
Produtividade e qualidade de vida
Na avaliação de Espinoza, trabalhadores mais descansados podem contribuir para melhores resultados nas empresas. Ele citou como exemplo estabelecimentos que já adotam a escala 5×2 e relatam ganhos de produtividade associados à motivação e ao descanso das equipes.
Para o presidente do Sindicomerciários, o fim da escala 6×1 representa um avanço na legislação trabalhista e uma oportunidade de tornar as relações de trabalho mais compatíveis com as necessidades atuais dos profissionais.
Embora o debate ainda envolva dúvidas sobre custos, horários e organização das empresas, Espinoza defende que a informação seja fundamental para evitar a disseminação de notícias falsas sobre a mudança.
O sindicato, segundo ele, permanece à disposição dos trabalhadores para esclarecer dúvidas e orientar a categoria durante o processo de adaptação. A expectativa é que a redução da jornada permita não apenas mais descanso, mas também melhores condições para conciliar trabalho, saúde e vida familiar.
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