Apenas dois dias após as Eleições 2026, circulam pelos aplicativos de mensagens, listas de estabelecimentos comerciais, empresas e serviços que teriam apoiado alguma bandeira política e por isso deveriam ser boicotadas. Tivemos acesso às listas das cidades de Teutônia, Lajeado, Taquari e Encantado. A origem dessas relações ainda é desconhecida.
Decisão individual é um direito do consumidor, contudo o boicote em massa, segregando a sociedade – entre nós e eles – é uma prática já conhecida na história sem resultados econômica e socialmente exitosos. Todavia, a criação e a divulgação em massa de listas para boicotar comerciantes com base em motivações políticas podem configurar crimes como difamação, injúria ou calúnia com penas de detenção e multas (Art. 139 do Código Penal).
CIC-VT e ACI-E
A reportagem ouviu representantes de entidades empresariais sobre a atitude que atinge do dono do mercadinho ao grande empresário. O presidente da CIC Vale do Taquari e membro do Conselho Deliberativo da Associação Comercial e Industrial de Encantado (ACI-E), Ângelo Fontana, manifestou preocupação com a circulação das listas – acompanhadas de manifestações de incentivo ao boicote por razões político-partidárias.
Entre os nomes divulgados estão empresas associadas à instituição. A ACI-E ressalta que cada cidadão tem o direito de expressar suas convicções políticas e escolher onde realizar suas compras, mas alerta para os riscos de transformar divergências em movimentos de hostilidade contra pessoas e empresas. A entidade defende o respeito, a liberdade e a convivência democrática, independentemente das posições políticas dos empreendedores.
“As eleições passam. As relações permanecem. E o desenvolvimento de Encantado depende da capacidade de continuarmos construindo juntos, mesmo pensando diferente”, diz Angelo Fontana.
A entidade considera que decisões de boicote podem prejudicar a economia local ao reduzir as compras no comércio e a circulação de recursos no município. Para ele, é necessário respeitar as escolhas individuais e evitar que divergências políticas comprometam relações construídas ao longo dos anos.“Nós defendemos a livre negociação e a livre oferta de produtos, de acordo com a viabilidade de cada negócio e a opção do cliente pelo que ele achar mais vantajoso e adequado”, comenta.
Federasul
O vice-presidente regional da Federasul, Ivandro Carlos Rosa, manifesta a importância de garantir a liberdade individual do empresário e do consumidor. A decisão de compra deve ser individual, respeitando as opiniões e escolhas de cada consumidor. Na avaliação do vice-presidente, deixar de comprar em determinados estabelecimentos por posicionamentos políticos pode enfraquecer a economia local e reduzir a circulação de recursos no município. Ele também defende a livre negociação e a oferta de produtos conforme a viabilidade de cada negócio e a preferência dos clientes.
“Nós acabamos deixando de comprar no comércio, a economia se enfraquece e deixamos de circular recursos no nosso município. Perdemos muito na economia local”, salienta Ivandro Carlos Rosa.
Inclusive, o vice-presidente regional da Federasul afirma que a entidade fará uma reunião nesta quarta-feira (28/10) para alinhar um posicionamento justo e coerente com os setores representados por ela.


