Canabarrense tenta o tricampeonato inédito do Intermunicipal

O Grêmio Recreativo Canabarrense, uma das equipes mais tradicionais do futebol amador de Teutônia e da região, se prepara para o Intermunicipal Certel Sicredi 2025. Com 93 anos de história, o clube busca seu oitavo título municipal e almeja consolidar-se ao lado de Gaúcho e Esperança, os maiores vencedores de Teutônia. Além disso, a equipe do Bairro Canabarro tenta um feito inédito: o tricampeonato consecutivo, após as conquistas de 2023 e 2024.

A história do Canabarrense começou em 22 de julho de 1925, no segundo distrito de Estrela, com a fundação do “Foot-Ball Club Guarany”, um time formado por atletas do Bairro Canabarro que jogavam em um potreiro – onde hoje está localizado o Poli Esportivo do bairro.

No entanto, a equipe durou apenas 8 meses e foi desativada em 1926. O clube ressurgiu em 24 de junho de 1931, na localidade de Pinheiro Machado, ainda no segundo distrito de Estrela, agora sob o nome de Sport Clube Teutônia. Posteriormente, em 26 de maio de 1948, a equipe passou a se chamar Grêmio Recreativo Canabarrense, incorporando o Sport Clube Teutônia.

Desde os primeiros anos, o Canabarrense esteve ligado à comunidade, ao promover eventos e festejos em sua praça de esportes. Inauguração de refletores para jogos noturnos, fandangos, jubileus, assembleias, Bailes de Kerbs, escolha da madrinha e Baile da Primavera eram algumas das atividades que ajudavam a arrecadar fundos para o clube, além de fortalecer os laços com os torcedores e moradores do bairro.

Conquistas

Ao longo das décadas, o Canabarrense acumulou conquistas importantes. Entre elas, destacam-se o Torneio Centenário da Colonização (1958), o título da 2ª Divisão de Teutônia (1991) e as cinco taças do Campeonato Municipal de Teutônia (1992, 1996, 1997, 2004 e 2011). A equipe também brilhou em competições regionais e estaduais, vencendo o Intermunicipal em 2023 e 2024, o Regional da Aslivata em 1997 e o Estadual de Amadores em 2002.

Intermunicipal

Para a disputa do Intermunicipal 2025, o Canabarrense já tem seu elenco fechado, até mesmo com os atletas vindos de fora da cidade. Alguns reforços que retornam para vestir a camisa tricolor são Poio, Mateusão, Fogaça, Caio, Amarelinho e Igor.

A base local também foi valorizada, mantendo a identidade do clube com o Bairro Canabarro e sua comunidade. Os treinamentos ocorrem todas as quartas-feiras, envolvendo atletas do primeiro e segundo quadro para aprimorar o entrosamento e a preparação física. Além disso, o clube investe em jovens talentos por meio da categoria Sub-23, que tem como objetivo desenvolver jogadores locais e fortalecer o time no futuro.

“Não faz sentido um jogador de 40 anos disputar uma competição nos Aspirantes. Nosso foco é incentivar novos atletas a integrarem a equipe principal”, destaca Vanderlei Weiand, o “Peixe”, treinador do Canabarrense.

Peixe enfatiza que a grande meta da temporada é a conquista do terceiro título consecutivo no Intermunicipal, um feito inédito para o clube. “Queremos ir em busca da oitava conquista. Nossa ambição é levantar a taça. Em 3 anos, queremos ultrapassar o Gaúcho no número de títulos e, em 6 anos, o Esperança”, projeta.

Outro dirigente do clube, Ivandro Jair Weiand, o “Bicicleta”, também acredita em uma campanha forte e considera o atual elenco mais qualificado que o do ano passado. “Buscamos um campeonato competitivo, para entrar na disputa sempre pelo título”, afirma.

Reconstrução

Além do desempenho esportivo, o Canabarrense também viveu um intenso processo de reconstrução. Após um período de inatividade, a equipe retornou ao futebol em 2022, encerrando uma fase de 5 anos de reestruturação.

O momento considerado mais difícil foi a perda do campo de jogo, o que comprometeu a continuidade do clube por quase uma década.
“Foi uma fase muito triste. O Canabarrense ficou sem um local para treinar e competir, mas conseguimos superar essa dificuldade e hoje estamos mais fortes”, relembra Reginaldo Machado, membro da direção.

A reinauguração do campo foi um dos momentos mais marcantes da trajetória recente. “Nada supera a emoção de ver o Canabarrense voltar a jogar em casa. Esse foi o maior título que poderíamos conquistar”, ressalta Peixe.

Para ele, a reconstrução do clube foi motivada pelo amor ao Canabarrense. “Somos torcedores antes de tudo. É claro que, para os negócios que temos dentro do bairro, o clube também é importante, mas a paixão desde pequeno fala mais alto. Sou do tempo de buscar bola atrás do gol, de assistir aos jogos bem de perto, e hoje estou como dirigente e treinador”, comenta.

Ao atuar nos bastidores, ele sente a responsabilidade de manter a tradição do clube viva. “O jogador cumpre sua função em campo e muitas vezes sai do jogo sem precisar se preocupar com nada. Mas, para nós, da diretoria, tudo acaba voltando. A responsabilidade é muito maior”, afirma.

Já Bicicleta reforça que tudo o que é feito no clube vem da paixão e do sentimento de pertencimento. “Sempre gostei do Canabarrense. Desde criança, sou torcedor. Fazemos isso pelo clube porque gostamos, porque é parte da nossa história. Até nos domingos sem jogo a gente sente um vazio”, revela.

Comunidade

A força do Canabarrense também está na sua torcida, uma das mais apaixonadas de Teutônia e região, sempre presente nas partidas. “Nosso torcedor é fiel. Ele acompanha, incentiva e quer ver o time vencer”, destaca Peixe.

Ainda assim, como muitos clubes do futebol amador, o Canabarrense enfrenta dificuldades para encontrar pessoas dispostas a ajudar nos dias de jogo. “Na maioria das vezes, são sempre as mesmas pessoas que ficam na copa, arrumam o campo e auxiliam. Isso é um desafio para todos os clubes”, explica.

Futuro

Ao projetar o futuro, a diretoria trabalha para melhorar a infraestrutura do clube, incluindo projetos como a instalação de refletores para jogos noturnos. Com um elenco motivado e uma gestão focada na evolução, o Canabarrense entra no Intermunicipal 2025 determinado a fazer história mais uma vez. “Nosso objetivo é claro: ser tricampeão. Respeitamos nossos adversários, mas entraremos em campo sempre para vencer”, finaliza Reginaldo.

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