Moradores do bairro São José precisaram deixar suas casas às pressas durante a madrugada; para muitos, a falta de alternativas mantém as famílias em áreas de risco.
O Parque do Imigrante, em Lajeado, voltou a receber famílias atingidas pela cheia do Rio Taquari na manhã desta quarta-feira (22). Após uma rápida elevação das águas durante a madrugada, moradores de áreas historicamente atingidas precisaram deixar suas casas às pressas e buscar abrigo no local. Ao todo ja somam 384 pessoas abrigadas no parque.
Entre eles está Darci Soares Viana Neto, de 32 anos, morador do bairro São José. Acostumado a conviver com as enchentes desde a infância, ele afirma ter sido surpreendido pela velocidade com que a água avançou desta vez.
“Até então, nós não estávamos preocupados. Falaram que o rio não ia dar enchente. De madrugada, a Defesa Civil passou avisando que a água estava subindo e que era para todo mundo sair”, relata.
O alerta foi emitido por volta das 3h ou 4h. Poucas horas depois, ele e o filho já retiravam os pertences da residência. “Nós saímos por volta das 6h30. A água já estava na frente de casa. Tiramos as coisas na caçamba. O Rio Taquari sobe muito rápido”, conta.
Apesar da surpresa, ele faz questão de reconhecer o trabalho das equipes que atuaram na madrugada. “A Defesa Civil fez o que pôde. Mas a água veio muito ligeiro.”

A cena se repete pela primeira vez em 2026, mas está longe de ser novidade para a família. Darc afirma que praticamente passou toda a vida no bairro São José e que, ao longo dos anos, já precisou deixar a residência diversas vezes em razão das cheias.
“Se morei um ou dois anos fora dali, foi muito. Nós moramos praticamente a vida inteira no São José.”
Assim como ocorre com muitos moradores das áreas ribeirinhas, mudar de endereço não é uma alternativa simples. O custo dos aluguéis e a falta de opções acessíveis fazem com que muitas famílias permaneçam em locais considerados de risco.
“Hoje em dia não tem como. Os aluguéis são muito caros e a casa é nossa. Estamos esperando pela prefeitura. Vai que ganhamos alguma coisa”, desabafa.
Enquanto aguardam a redução do nível do Rio Taquari, as famílias encontram no Parque do Imigrante um local de acolhimento. Em meio às malas, colchões e pertences resgatados às pressas, também compartilham uma realidade comum: a esperança de que um dia não precisem mais percorrer o caminho até o abrigo.
Para muitos dos atingidos, a enchente desta semana representa mais do que a primeira cheia de 2026. É a continuidade de uma história marcada pela convivência com as águas e pela busca por uma solução definitiva para quem vive às margens do Rio Taquari.


