Governo amplia programa Energia Forte no Campo

Parceria com cooperativas de eletrificação ampliará redes trifásicas e reforçará a infraestrutura energética do interior do estado

O governo do Estado lançou durante a Expointer a quinta fase do Programa Energia Forte no Campo (EFC). O anúncio ocorreu na quarta-feira (4/9), em evento na Casa do Cooperativismo, com participação do governador Eduardo Leite e representantes das cooperativas de energia do RS.

Leite confirmou o repasse de R$ 71,3 milhões para esta fase do programa, maior volume já disponibilizado pelo Estado para a iniciativa. Ao todo, 13 cooperativas apresentaram propostas para integrar o Energia Forte. A soma de investimentos previstos chega a R$ 369 milhões, incluído o aporte do governo.

Leite ressaltou que o investimento é fruto das reformas do início da gestão, que colocaram as contas em dia e abriram espaço para novos investimentos. Ele classifica o anúncio como um passo histórico para o desenvolvimento do campo. “Hoje essas decisões se transformam em obras concretas e em mais qualidade de vida para os gaúchos”, afirmou.

O decreto que regulamenta a nova etapa amplia a participação financeira do Estado de 20% para 35% nos projetos de instalação ou melhoria das redes de distribuição de energia elétrica. O aporte estadual cobre custos com transformadores, postes, fios e demais componentes das redes, além de projetos de subestações transformadoras e conexões associadas, limitado a R$ 5 milhões por cooperativa.

A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, destacou que a inclusão de subestações no escopo da quinta fase responde a demandas das próprias comunidades e empreendedores. “O Energia Forte no Campo já mostrou resultados expressivos nas quatro fases anteriores. Agora, ampliamos o escopo e o volume de investimentos para que cada vez mais famílias e empreendimentos rurais sejam beneficiados”, ressaltou.

Presidente da Certel, Erineo Hennemann, avalia que o programa corrige gargalos históricos da infraestrutura energética rural. “Não podemos imaginar uma sala de ordenha computadorizada, um aviário ou uma irrigação funcionando com rede monofásica. A transformação em redes trifásicas é um avanço decisivo para a produtividade, aponta.

Segundo ele, nesta etapa, o programa também contempla investimentos em redes de retaguarda e subestações. “Isso garante confiabilidade e qualidade na hora que a energia é mais necessária”, destacou.

Hennemann lembrou que as cooperativas de infraestrutura atuam em 369 municípios, cobrindo cerca de 75% do território gaúcho. Conforme o presidente da Certel, esse resultado só é possível porque as cooperativas trabalham de forma integrada, junto com as organizações do agro, da saúde e do crédito. “O agro precisa cada vez mais de energia de qualidade e, quando todos os ramos se unem, entregamos soluções que fazem diferença para a vida do produtor e para o futuro do estado”, completa.

Impacto direto ao produtor

Presidente da Ocergs, Darci Hartmann ressalta que a iniciativa representa um marco para o cooperativismo e para a agricultura gaúcha. Segundo ele, quando Estado e cooperativas se unem, o resultado é desenvolvimento, crescimento e rentabilidade.

“Isso permite que o produtor acesse tecnologias, invista em irrigação e expanda sua propriedade. Além disso, fortalece o intercooperativismo, porque as cooperativas se ajudam entre si para viabilizar essas obras, muitas vezes de alto custo e em longas distâncias”, destacou.

Hartmann também lembrou que a modernização das redes é condição para tornar viáveis sistemas produtivos cada vez mais exigentes. De acordo com o presidente da Ocergas, hoje um dos grandes limitadores da irrigação é justamente a energia que não chega em condições adequadas às propriedades. “O mesmo vale para a cadeia do leite, em que produtores muitas vezes querem ampliar a ordenha, mas não têm energia suficiente. Com esse programa, criamos oportunidade de crescimento e permanência na atividade”, afirmou.

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