Marcos Mallmann: “O Lajeadense vive de resistência. Lutamos todos os dias para manter o clube de pé”

Um dos 25 mais antigos do Brasil celebra mais um aniversário entre tradição, desafios e busca por reconstrução.

O Clube Esportivo Lajeadense completou 115 anos nessa quinta-feira (23/4) com uma história marcada por conquistas, momentos emblemáticos e por desafios que hoje moldam o presente e o futuro da instituição.

O presidente e ex-atleta do clube, Marcos Mallmann, faz um balanço da realidade atual e reforça a necessidade de apoio da comunidade para fortalecer o clube. “São 115 anos de trabalho, glórias e muitos desafios. É um momento de comemoração, mas também, de reflexão sobre o nosso futuro”, destaca.

A celebração ocorreu em um evento que reuniu autoridades, patrocinadores, associados, ex-atletas e ex-presidentes. Durante a programação, o clube lançou a camiseta comemorativa, a campanha de sócios para 2026 – com meta de alcançar 500 associados – e o tradicional bingo, marcado para junho.

Dentro de campo, um dos 25 clubes mais antigos do país se prepara para disputar mais uma edição da Divisão de Acesso, com o objetivo de retornar à elite do futebol gaúcho. No entanto, a realidade financeira impõe limitações importantes na montagem do elenco.

Mallmann aponta a concorrência com o futebol amador como um dos principais obstáculos. “Hoje, muitos atletas recebem mais no amador do que em clubes profissionais como o Lajeadense. Isso dificulta muito a formação do grupo e o convencimento dos nomes”, explica.

Outro fator que impacta diretamente o planejamento é o calendário. A competição, que antes iniciava no primeiro semestre, foi transferida para agosto. Para o dirigente, a mudança tende a reduzir prejuízos com bilheteria, já que evita partidas em períodos de frio intenso.

“No ano passado, jogamos praticamente só no inverno e tivemos duelos com público muito baixo. Teve partida em que não se pagava a conta e isso complicou muito para a nossa realidade”, lembra.

Mesmo com as dificuldades, o clube mantém a aposta em atletas jovens, muitos em seu primeiro contrato profissional. A estratégia garante equipes competitivas, mas ainda com limitações em momentos decisivos.

“São meninos que estão no começo e enfrentam a pressão e dificuldades de ficar longe de casa. Falta experiência em algumas situações, mas é um trabalho que precisa ser mantido”, avalia o presidente.

Reorganização e contas no azul

Desde que assumiu a presidência, há cerca de 2 anos e 4 meses, o presidente afirma que o principal foco tem sido a reorganização financeira. Conforme ele, o Lajeadense enfrentava um cenário crítico, com dívidas acumuladas e pouca capacidade de investimento.

“O clube estava praticamente inoperante, com muitas contas e sem recursos. Foi preciso reorganizar tudo para dar um respiro, mas a situação ainda é complicada”, relata Mallmann.

Entre os avanços, o dirigente destaca o fechamento do exercício passado com superávit, o que não ocorria há mais de uma década. A medida exigiu cortes no orçamento do futebol, com prioridade ao equilíbrio financeiro e a melhorias estruturais.

Recentemente, o clube investiu na recuperação da irrigação e drenagem do campo, adquiriu equipamentos básicos e avançou na regularização de exigências legais, como o alvará de funcionamento.

Apesar disso, um dos principais projetos segue travado: a venda de parte de uma área do estádio para quitar dívidas. A iniciativa depende de questões burocráticas e da obtenção de certidões negativas, o que ainda impede o andamento do processo.

Base e comunidade

A retomada das categorias de base é apontada como um dos grandes objetivos da gestão, mas também, como um dos maiores desafios. De acordo com Mallmann, o custo para manter uma estrutura adequada é elevado e está fora da realidade atual do clube. “Não temos condições de manter uma base com padrão profissional. É um investimento muito alto”, avalia.

Sem as categorias de formação, o Lajeadense perde a oportunidade de revelar talentos e criar uma identidade ainda mais forte com a comunidade. Por isso, a diretoria busca alternativas, como parcerias e investidores, embora ainda sem avanços concretos.

Diante desse cenário, o clube aposta na aproximação com a comunidade, especialmente com crianças e jovens. A ideia é fortalecer o vínculo desde cedo e formar novos torcedores.

Há um esforço para desenvolver projetos em parceria com o poder público, que levariam estudantes ao estádio e incentivariam a identificação com o clube. “Precisamos plantar essa semente nas crianças. É assim que se constrói o futuro próspero de um clube”, ressalta Mallmann.

Ele também comenta que um Lajeadense forte pode impactar positivamente toda a região, pois movimenta a economia e fortalece não só o esporte, mas todos os setores do Vale do Taquari.

Memórias marcam a história

Ao falar sobre os 115 anos, o presidente lembra momentos que marcaram a trajetória do clube e sua própria vivência no futebol. Entre eles, destaca o vice-campeonato gaúcho de 2013 e as conquistas na sequência, como a Recopa, as Copas da Federação Gaúcha de Futebol, Copa Sul-Fronteira e Super Copa Gaúcha.

Ele também cita partidas históricas, como vitórias sobre equipes da capital, que ficaram na lembrança do torcedor. “São momentos que não se esquece e que mostram a grandeza do Lajeadense dentro do futebol gaúcho”, afirma. Para o Mallmann, essas memórias ajudam a reforçar a identidade do clube, mesmo em meio às dificuldades atuais.

União

Ao completar 115 anos, o Lajeadense carrega uma trajetória centenária e a responsabilidade de se reinventar. Para o presidente, o caminho passa necessariamente pelo engajamento da comunidade.

“O maior sonho é ter o clube estruturado, com base funcional e novamente na primeira divisão, mas com as contas em dia. Sempre com o orçamento favorável para investir na estrutura e saúde do Lajeadense”, destaca.

Mallmann faz um apelo direto aos torcedores e apoiadores. “O Lajeadense precisa da sua gente. Se a comunidade não abraçar o clube, ele não sobrevive – mas se abraçar, não tenho dúvida de que pode voltar a ser gigante”, conclui o presidente.

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